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Incêndio na Bélgica já é o maior da história do país

15 ago 2026 - 14h26
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Fogo no parque natural de Hautes Fagnes destruiu cerca de 1.600 hectares e superou o recorde nacional de 2011. Autoridades evacuam moradores e acionam ajuda europeia para conter as chamas.O incêndio florestal que atinge o parque natural de Hautes Fagnes, no leste da Bélgica, destruiu cerca de 1.600 hectares e se tornou o maior já registrado no país, segundo dados do Sistema Europeu de Informação sobre Incêndios Florestais (EFFIS). O fogo supera o recorde anterior, de 2011, quando um incêndio consumiu quase 1.400 hectares.

As chamas começaram na sexta-feira (14/08) e seguem fora de controle. Bombeiros, agricultores, militares e equipes de emergência trabalham para conter o avanço do fogo na maior reserva natural da Bélgica, uma área de difícil acesso formada por charnecas, turfeiras e passarelas elevadas de madeira.

As autoridades da região da Valônia informaram que o incêndio se espalhou rapidamente durante a noite. Segundo Nicolas Yernaux, porta-voz regional, a situação permanece crítica e depende fortemente do apoio aéreo.

Diante do agravamento do incêndio, a Bélgica acionou o mecanismo europeu de proteção civil, que coordena a ajuda de emergência entre os países da União Europeia. A comissária europeia para Gestão de Crises, Hadja Lahbib, informou que três helicópteros e dois aviões de combate a incêndios foram mobilizados para apoiar as operações. As aeronaves foram enviadas pela Suécia, República Tcheca e Holanda.

O ministro da Defesa, Theo Francken, afirmou que três caminhões de bombeiros de última geração também foram deslocados para a região.

Autoridades ordenam evacuações

As autoridades provinciais de Liège ordenaram a evacuação de moradores de áreas de dois municípios na tarde deste sábado devido à mudança dos ventos e à intensa fumaça. Turistas hospedados na região também foram orientados a deixar o local.

Na vila de Sourbrodt, com cerca de 500 habitantes, os moradores receberam orientação para se preparar para uma possível retirada caso a situação se agrave.

Francken informou ainda que um acampamento de férias infantil localizado na área afetada já começou a ser evacuado.

Em Eupen, cidade próxima ao incêndio, a fumaça era visível a quilômetros de distância, e o céu assumia uma coloração amarelada, segundo relato de um jornalista da AFP no local.

As autoridades municipais recomendaram que a população mantenha portas e janelas fechadas, prepare documentos e pertences essenciais e acompanhe os comunicados oficiais.

Chamas controladas na Alemanha

Os incêndios ocorrem em meio à quinta onda de calor do verão europeu. Na sexta-feira, as temperaturas alcançaram até 37°C em partes da Bélgica.

Do outro lado da fronteira, na Alemanha, as autoridades informaram que um grande incêndio florestal na região de Hürtgenwald, no estado da Renânia do Norte-Vestfália, foi colocado sob controle neste sábado. Cerca de 1.400 bombeiros participaram da operação, que levou à evacuação de mais de 2.000 moradores da vila de Gey na sexta-feira, quando as chamas chegaram a apenas 300 metros das primeiras casas.

Apesar da melhora, a ordem de evacuação continua em vigor. O incêndio, considerado o maior já registrado no estado alemão, teve o combate dificultado pelo risco de explosões causadas por munições remanescentes da Segunda Guerra Mundial ainda enterradas na área florestal.

Incêndios se espalham pela Europa

Autoridades também registram grandes focos na França, Espanha, Reino Unido, Croácia, Montenegro, Sérvia, Albânia e Grécia. As altas temperaturas, a seca prolongada e os ventos fortes têm favorecido a rápida propagação das chamas, destruindo milhares de hectares de vegetação e forçando evacuações em várias regiões do continente.

No sudoeste da França, o incêndio mais recente já devastou cerca de 1.580 hectares e levou à retirada de 650 pessoas. Na Espanha, os incêndios consumiram pelo menos 15 mil hectares na região de Aragão e mais de 38 mil hectares na província de Huelva, com mais de mil moradores evacuados. No Reino Unido, dezenas de focos atingiram áreas urbanas e rurais, destruindo edifícios e levando o governo a adotar medidas emergenciais.

Na Croácia, um dos piores incêndios da história do país deixou feridos e obrigou turistas a buscar abrigo. Já Montenegro, Sérvia, Albânia e Grécia também enfrentam múltiplos focos, mantendo equipes de emergência mobilizadas diante do risco elevado de novos incêndios.

Segundo cientistas, as mudanças climáticas causadas pela atividade humana aumentam a frequência e a intensidade de períodos de calor extremo e seca, condições que favorecem a propagação e a persistência de grandes incêndios florestais.

gq (AFP, Reuters, ARD)

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