Fora de controle, surto de ebola já matou mais de 2 mil na RDC
Atual surto é o mais veloz já registrado e começou três meses antes de ser detectado, segundo a OMS. Resposta de emergência é insuficiente para conter avanço do vírus e número de óbitos dobrou em três semanas.O surto de ebola na República Democrática do Congo (RDC) já matou 2.011 pessoas entre os 4.381 casos confirmados da doença, reportaram autoridades locais nesta terça-feira (11/08). Este já é o segundo maior surto da história, ficando atrás apenas da epidemia que atingiu a África Ocidental entre 2014 e 2016, quando foram registrados mais de 28 mil casos e 11 mil mortes.
Agora, porém, o vírus se espalha num ritmo sem precedentes, provocando óbitos quase três vezes mais rápido do que dez anos atrás.
A epidemia deste ano foi oficialmente declarada em 15 de maio, três meses antes de ter começado de fato, em fevereiro, afirmou na segunda-feira a Organização Mundial da Saúde (OMS). A agência das Nações Unidas chegou à conclusão após conduzir análises de sequenciamento genético.
Segundo o diretor regional da OMS para a África, Mohamed Yakub Janabi, alguns casos registrados no início da epidemia foram erroneamente atribuídos à malária e à febre tifoide. Os primeiros exames também foram realizados para tipos mais comuns do vírus ebola, o que contribuiu para atrasos no diagnóstico.
Número de óbitos dobrou em três semanas
Enquanto foram necessárias cerca de nove semanas para registrar as primeiras mil mortes, o número dobrou em apenas três semanas, indicando que a crise sanitária avança mais rapidamente do que os esforços para monitorá-la e contê-la.
Além disso, a maioria dos novos casos continua sendo registrada fora dos grupos de contato monitorados, em mais um sinal de que a transmissão permanece fora de controle, segundo a OMS. "Estamos perseguindo o vírus, mas o vírus está à nossa frente", disse Janabi a jornalistas.
Trabalhadores humanitários em solo vêm alertando que a propagação da doença continua superando a capacidade de resposta. O balanço de 2 mil mortes é "alarmante" e exige a ampliação das medidas de resposta, avalia o médico Jean-Marie Akandabo, que ajuda a tratar pacientes em uma clínica na província de Ituri, epicentro do surto no leste da RDC.
Enquanto isso, autoridades sanitárias enfrentam dificuldades para levar ajuda a localidades remotas, devido a conflitos armados, más condições das estradas e paralisações de profissionais de saúde por falta de pagamento.
Tratamentos em fase de testes
A atual epidemia difere da maioria dos surtos anteriores porque é causada pelo vírus Bundibugyo, uma variante rara para a qual não existem vacinas ou tratamentos aprovados.
Ensaios clínicos começaram em Ituri para avaliar dois potenciais tratamentos, mas poderão ser necessários vários meses e até mil participantes para determinar se algum deles poderá funcionar contra o vírus.
Um deles é o antiviral remdesivir, desenvolvido pela farmacêutica Gilead Sciences e aprovado para o tratamento da covid-19. O outro é o MBP134, tratamento experimental baseado em anticorpos da empresa Mapp Biopharmaceutical.
Segundo a OMS, os participantes do estudo serão distribuídos aleatoriamente entre diferentes grupos para permitir a avaliação da eficácia dos medicamentos.
O primeiro vírus ebola identificado foi descoberto em 1976, nas proximidades do rio Ebola, no território que hoje corresponde à RDC. O atual surto é o 17º registrado no país e o maior de sua história.
ht/le (ap, Reuters, ots)
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