Paulina Leiva/Terra Networks Chile
Terra - O governo talibã impôs alguma condição sobre as imagens transmitidas?
Não. Nós não aceitamos nenhuma condição, nem dos talibãs nem dos norte-americanos. Se consideramos que o material é notícia, tem interesse público, transmitimos. Mas não aceitamos nenhum tipo de condição.
Terra - Não sentem que Bin Laden ou os talibãs estejam usando vocês?
Não somos uma plataforma para Bin Laden ou o regime talibã. De fato - ao contrário do que muitos pensam - eles não estão contentes conosco porque há muito material que nos têm passado e que não transmitimos. Então, não estão assim tão contentes. Mas acontece que somos a única estação de televisão lá. Assim é, mas não aceitamos ser plataforma para ninguém.
Terra - Vocês recebem algum tipo de pressão por parte do governo Bush ou da CNN para não transmitir todas as imagens entregues pelo regime talibã ou Bin Laden?
Não. Na verdade, o repórter da CNN trabalha com os nossos. Quase todas as nossas imagens são transmitidas pela CNN. Estamos cooperando com eles, e eles conosco. O negócio é limpo e claro. Estamos apenas fazendo o nosso trabalho. Se a CNN estivesse em Cabul, teria feito o mesmo. (Os repórteres de outras redes internacionais estão reunidos no norte do Afeganistão, controlado pela Aliança do Norte, oposição ao regime do talibã).
Terra - Há especulações de que Osama Bin Laden não está no Afeganistão. Como conhecedor da região e de acordo com o vídeo que ele enviou, você crê que ele está mesmo no país?
Claro que sim. As imagens mostram claramente que ele está no Afeganistão.
Terra - Porque claramente? Como se pode deduzir isso?
Primeiro, porque se nota que foi gravado em um centro de treinamento. E onde poderia haver um centro de treinamento além do Afeganistão? E segundo, pelas pessoas que se vê ao lado de Bin Laden. Não é preciso ser um gênio para deduzir isso.
Terra - Quantas pessoas a Al-Jazeera tem no Afeganistão neste momento?
Somos três pessoas, incluindo o cinegrafista.
Terra - Como é financiada sua estação de TV?
Recebemos dinheiro do governo de Qatar. Não é um país pobre. Além disso, recebemos muito dinheiro da publicidade.
Terra - De acordo com sua experiência no Oriente Médio, acredita que os ataques vão durar muito mais?
Sou um jornalista, não um analista político. Não sei, só trabalho com notícias diárias.
Terra - Segundo as imagens que vocês têm transmitido, é muito grande o dano causado pelos ataques dos aliados contra o Afeganistão?
É o que se vê na televisão. Desculpem, mas não poderei continuar falando. Temos uma transmissão ao vivo agora mesmo.
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