Tercerizados são as maiores vítimas dos acidentes na Petrobras
Desde o início do ano passado, os sindicatos dos petroleiros registraram 94 acidentes relevantes nas unidades da Petrobras. Destes 17 foram fatais, deixando 23 vítimas. O número mais relevante é que 17 vítimas eram petroleiros de empresas prestadoras de serviço, ou seja os trabalhadores tercerizados.
A Bacia de Campos, onde aconteceu o desastre da P-36, é recordista em acidentes. Mais da metade dos problemas do último ano, 50 mais precisamente, aconteceram com plataformas e terminais da região. Oito deles foram fatais, com 13 vítimas, sendo 11 trabalhadores terceirizados. Isto representa que os trabalhadores contratados são mais de 80% das vítimas.
Segundo a Federação Única dos Petroleiros a causa destes númeors é a falta de preparo dos trabalhadores. Os contratados tem bem menos treinamento que os que pertencem ao quadro da empresa. E, nem mesmo estes vêm sendo treinados pela estatal, já que, devido ao acúmulo de função causado pela redução drástica de efetivo, não há mais tempo para treinamento.
Mais produção menos funcionários - De um total de cerca de 62 mil trabalhadores no início dos anos 90, a Petrobras trabalha hoje com o efetivo próprio de cerca de 34 mil empregados, apesar do crescimento da produção e das suas atividades. Em conseqüência da diminuição do efetivo, através de incentivos às aposentadorias e saídas voluntárias, foi implementada uma política de terceirização, com ausência de qualificação profissional.
O resultado pode ser visto em números: dos 82 óbitos nos últimos três anos, 66 são de trabalhadores terceirizados.
Redação Terra
volta
|