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Tarcísio de Freitas   Foto: Caiuá Maia/Divulgação Campanha Tarcísio de Freitas

Tarcísio de Freitas, do Republicanos, confirma favoritismo, derrota Fernando Haddad e é reeleito governador de São Paulo

Ao longo da campanha, candidato já liderava as pesquisas de intenções de voto

Imagem: Caiuá Maia/Divulgação Campanha Tarcísio de Freitas
  • Isabella Lima Isabella Lima
  • Marcela Coelho Marcela Coelho
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4 out 2026 - 19h39
(atualizado às 19h52)

Tarcísio de Freitas (Republicanos) foi reeleito governador de São Paulo neste domingo, 4, no primeiro turno das eleições de 2026. Seu principal adversário, Fernando Haddad (PT) ficou em segundo lugar.

O governo de São Paulo também teve na disputa os candidatos Carlos Machado (PCB),  Izadora Dias (PCO), Vera Lúcia (PSTU) e Vivian Mendes (UP). A policial Edjane (Agir) também disputava o pleito, mas deixou a corrida em setembro após ter a candidatura indeferida pelo Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) e o partido decidir não recorrer sob a justificativa de não ter dinheiro para arcar com a campanha. 

A vitória de Tarcísio confirma a tendência apontada por todas as pesquisas durante o período eleitoral. O ministro de ex-Jair Bolsonaro era favorito para permanecer no comando do Palácio dos Bandeirantes

Para a cientista política Denilde Holzhacker, professora de Relações Internacionais da ESPM, a vantagem do governador foi resultado de uma combinação de fatores que envolvem o peso de estar no cargo, a força construída no interior do Estado e a capacidade de transitar entre diferentes setores da direita sem ficar totalmente associado ao bolsonarismo.

"Um elemento importante é que ele é governo. Então, já como governador, você sempre tem uma vantagem expressiva", afirma Denilde. Segundo ela, Tarcísio também se beneficia de uma administração que mantém "uma aprovação relativamente boa" e não enfrenta "grandes problemas de desaprovação".

Antes de confirmar a candidatura à reeleição em São Paulo, Tarcísio foi apontado como um dos possíveis candidatos à Presidência. Ele tinha apoio de setores da economia e de várias lideranças da direita. No entanto, o nome do Republicanos respeitou o desejo do ex-presidente Jair Bolsonaro de ter o filho como nome na briga pelo Palácio do Planalto. 

Tarcísio de Freitas é leito governador de São Paulo
Tarcísio de Freitas é leito governador de São Paulo

Mesmo com essa ligação, que vem desde quando Bolsonaro o ajudou na eleição para governador em 2022,  Tarcísio procurou, em diferentes momentos, evitar uma associação completa com a candidatura presidencial de Flávio.

"Ele conseguiu nesse processo ter essa capacidade de articulação, estar na campanha bolsonarista, mas também não estar totalmente associado e não trazer o que é o ponto negativo do bolsonarismo no Estado de São Paulo", avalia Denilde Holzhacker.

A especialista pondera, porém, que isso não significa que Tarcísio tenha conquistado uma independência eleitoral completa em relação ao bolsonarismo. Para ela, o governador foi "hábil" ao construir uma atuação própria sem romper com o campo político que o ajudou a chegar ao Palácio dos Bandeirantes.

"Como governador, de fato, ele tem tentado ser cada vez mais independente, tentado ter uma própria lógica de atuação, que não fique tão a reboque do que possa ser a lógica nacional e a lógica do próprio bolsonarismo."

Tarcísio de Freitas é o candidato apoiado por Flávio Bolsonaro para o governo de São Paulo
Tarcísio de Freitas é o candidato apoiado por Flávio Bolsonaro para o governo de São Paulo
Foto: Reprodução/Instagram/@flaviobolsonaro

Essa tentativa de diferenciação também aparece na imagem que Tarcísio procura construir como gestor. Segundo avalia, o governador tenta apresentar "um ar de ser um político muito mais técnico e menos voltado para as questões de envolvimento da política no dia a dia". "Ele tenta trazer o debate da campanha para uma discussão mais técnica, para também não se envolver tanto nas discussões mais partidárias", diz.

O cenário eleitoral paulista também foi influenciado pelo histórico de antipetismo do Estado, especialmente no interior. Na avaliação da professora, esse fator dificultou o crescimento de Haddad, que foi o principal adversário de Tarcísio na corrida pelo governo paulista.

Como foi a campanha em São Paulo

A corrida eleitoral em São Paulo foi marcada pela ausência de Tarcísio em alguns debates e entrevistas, incluindo o debate da TV Record, outro promovido por um pool de 11 veículos de comunicação, incluindo o Terra, e a sabatina do programa Roda Viva, da TV Cultura. O evento da Record, em 21 de setembro, foi adaptado para uma sabatina apenas com Haddad, já o do pool de veículos, em 18 de setembro, e a sabatina na Cultura, no dia 24 de agosto, foram cancelados.

Tarcísio e Haddad participaram de dois debates juntos: o da Band, no dia 9 de agosto, e o da TV Globo, promovido em 29 de setembro. Ambos os encontros contaram apenas com a presença dos dois devido aos critérios de representação partidária. A legislação eleitoral prevê que as emissoras só são obrigadas a convidar os candidatos de partidos ou coligações que tenham representação mínima de pelo menos cinco parlamentares no Congresso Nacional. 

A nacionalização dos discursos, com menções às atuações dos dois como ministros, além da defesa dos legados de Lula e do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), deram o tom dos dois debates que eles participaram juntos. No mais recente, na Globo, a discussão envolveu até à Argentina, governada por Javier Milei. No evento, Tarcísio e Haddad também trocaram acusações sobre o Primeiro Comando da Capital (PCC) e a investigação sobre a infiltração da facção no transporte coletivo. Além disso, discutiram sobre a educação e a saúde de São Paulo, a poluição do Rio Tietê e a privatização na CPTM. 

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, candidato à reeleição.
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, candidato à reeleição.
Foto: Daniel Teixeira/Estadão / Estadão

No início da campanha, embora tenha declarado apoio a Flávio Bolsonaro na corrida pela presidência, Tarcísio manteve uma postura mais discreta em relação ao filho de Jair Bolsonaro, com poucas menções e aparições em conjunto, principalmente após as ligações de Flávio com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. No entanto, ao se aproximar mais da reta final da disputa, o candidato do Republicanos intensificou os compromissos públicos com o presidenciável.

Ontem, por exemplo, Tarcísio e Flávio fizeram um ato de campanha juntos durante uma carreata pelas cidades de Americana e Santa Bárbara D´Oeste, no interior de São Paulo. Eles também estiveram juntos nos atos de 7 de setembro, na Avenida Paulista, e no rodeio de Jaguariúna, na região de Campinas. O agora governador eleito também afirmou que se prepara para atuar com "bastante potência" na campanha de Flávio em um eventual segundo turno da eleição presidencial. 

No decorrer da campanha, Tarcísio esteve mais próximo da corrida para o Senado. Ele apoiou os candidatos Guilherme Derrite (PP) e André do Prado (PL). O governador também esteve envolvido na articulação para a desistência de Ricardo Salles da candidatura ao Senado, para não dividir votos da direita, o que poderia beneficiar as candidatas Simone Tebet (PSB) e Marina Silva (Rede), apoiadas por Lula e Haddad.

Já Haddad associou fortemente sua imagem à de Lula durante toda a corrida eleitoral. O início da campanha inclusive foi no Estádio 1º de Maio, em São Bernardo do Campo, berço político do presidente. O candidato a governador petista esteve em comícios e eventos ao lado do presidente e usou seus discursos para elogiar o padrinho político. A estratégia de ‘colar em Lula’ também foi usada no horário eleitoral. Em um deles, Lula disse que apoia o candidato e que "São Paulo é muito grande e na mão do Haddad vai ser muito maior". 

Tarcísio de Freitas
Tarcísio de Freitas
Foto: Caiuá Maia/Divulgação Campanha Tarcísio de Freitas

Quem é Tarcísio de Freitas

Tarcísio de Freitas nasceu no Rio de Janeiro (RJ) e tem 51 anos. Ele é casado com Cristiane Freitas há mais de 20 anos e, juntos, têm dois filhos.

Ele se formou engenheiro civil e concluiu o mestrado em engenharia de transporte pelo Instituto Militar de Engenharia. Também é formado em ciências militares pela Academia Militar das Agulhas Negras. Ele serviu o Exército Brasileiro por 17 anos.

Na administração federal, ele foi diretor-executivo do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) e atuou como secretário da Coordenação de Projetos da Secretaria Especial do Programa de Parceria de Investimentos (PPI), durante os governos de Dilma Rousseff e Michel Temer.

No final de 2018, foi nomeado ministro da Infraestrutura pelo então presidente Jair Bolsonaro e ocupou o cargo até março de 2022, quando deixou a ocupação para concorrer ao governo de São Paulo e foi eleito pela primeira vez.

Essa é a segunda eleição de Tarcísio. Ele declarou ter bens no valor de R$ 2,6 milhões. Seu vice-governador é Felício Ramuth (MDB).

Fonte: Portal Terra
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