Lula diz duvidar que Congresso volte atrás na escala 6x1 e chama Flávio de 'miliciano' no SBT
Presidente negou caráter eleitoreiro de benefícios sociais e voltou a cobrar que Flávio abra seus sigilos bancário e telefônico
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta segunda-feira, 19, duvidar que o Congresso Nacional volte atrás no fim da escala de trabalho 6x1. Em entrevista ao SBT Brasil, o petista classificou a medida como uma “conquista do povo brasileiro” e disse que a mudança não representa apenas uma iniciativa de seu governo.
A sabatina foi realizada a seis dias do segundo turno das eleições presidenciais, marcado para domingo, 25, quando Lula disputa a reeleição contra o senador Flávio Bolsonaro (PL). Sobre o fim da escala 6x1, Lula afirmou que não acredita que a próxima composição do Congresso volte atrás na medida.
“Eu duvido [que o Congresso volte atrás], porque não é uma coisa do Lula, não é uma coisa do governo. O fim da escala 6x1 foi uma conquista do povo brasileiro”, declarou Lula.
O presidente afirmou que a redução da jornada de trabalho é uma reivindicação antiga e lembrou que a discussão já fazia parte das pautas do movimento sindical quando presidia o Sindicato dos Metalúrgicos, na década de 1980.
Segundo Lula, enquanto algumas categorias já adotaram a jornada de cinco dias de trabalho para dois de descanso, outras ainda não conseguiram essa mudança. Ele defendeu que o novo modelo permita aos trabalhadores mais tempo para o lazer, para cuidar dos filhos, visitar parentes e viajar.
O petista comparou a reação à proposta com a resistência histórica a outras conquistas trabalhistas, como o salário mínimo, a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e o 13º salário. Ele afirmou que medidas de ampliação de direitos costumam ser acompanhadas de previsões negativas sobre seus efeitos.
Durante a entrevista, Lula também chamou o adversário de “miliciano” e, ao final, voltou a afirmar que irá abrir os próprios sigilos telefônico e bancário, assim como os de seus cinco filhos. O presidente cobrou que Flávio faça o mesmo.
Lula nega caráter eleitoreiro de benefícios e prevê diálogo com Congresso
Lula rebateu críticas ao anúncio de políticas públicas às vésperas das eleições e negou que as medidas tenham motivação eleitoral. “Eu não vou deixar de dar um benefício que eu posso dar porque tem eleição. Independente do resultado eleitoral, o benefício vai continuar para o povo brasileiro”, afirmou. Ele também disse que as iniciativas respeitam os limites fiscais e orçamentários.
O presidente ainda defendeu o uso de emendas parlamentares para custear a gratuidade do transporte público nos fins de semana. Segundo ele, a proposta pode gerar divergências com o Congresso, mas os deputados devem apoiar a iniciativa para beneficiar os próprios eleitores.
“Vai ser uma briguinha com o Congresso Nacional. Mas isso é uma parte da democracia. Todo deputado vai querer fazer uma concessão das suas emendas, para permitir que os seus eleitores possam passear no final de semana e visitar parentes. Eu, sinceramente, acho que não vai ter problema”, declarou.
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