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Eleições no Terra: confira como foi a apuração do 1º turno
Ex-ministro Fernando Haddad tentou do Palácio dos Bandeirantes em disputa contra o atual governador Tarcísio de Freitas (Republicanos)  Foto: Felipe Rau/Estadão / Estadão

Fernando Haddad sofre nova derrota para Tarcísio, perde 4ª eleição seguida e deixa PT sem palanque em São Paulo

Candidato era o principal oponente do atual governador do maior colégio eleitoral do Brasil

Imagem: Felipe Rau/Estadão / Estadão
  • Vanessa Ortiz Vanessa Ortiz
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4 out 2026 - 19h43
(atualizado às 21h00)

O ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT) foi derrotado por Tarcísio de Freitas (Republicanos) em sua segunda tentativa de chegar ao Palácio dos Bandeirantes, em São Paulo, logo no primeiro turno das eleições, realizado neste domingo, 4, e deixa o seu partido sem palanque no maior colégio eleitoral do País.

O resultado já era esperado, já que o petista aparecia sempre em segundo lugar como opção de votos dos eleitores, segundo as pesquisas eleitorais. O atual governador era favorito para a reeleição.

Essa é a segunda vez que Haddad perde para Tarcísio. Em 2022, ele foi derrotado pelo republicano, que recebeu 13.480.643 votos (55,27% dos votos válidos), tendo 10.909.371 votos (44,73%). Porém, esse é o quarto revés seguido em eleições. 

Em 2016, o petista perdeu em sua tentativa de reeleição à Prefeitura de São Paulo, terminando em segundo lugar, com 16,70% dos votos válidos, contra 53,29% de João Doria, ainda no primeiro turno.

O político voltou à disputa eleitoral em 2018 assumindo a candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), à época considerado inelegível por conta de condenações no âmbito da Operação Lava Jato. Embora tenha ido para o segundo turno com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), perdeu por 55,13% a 44,87% dos votos válidos. 

Em discurso após a derrota, Haddad defendeu a campanha feita pelo PT em São Paulo. O ex-ministro afirmou que as críticas a Tarcísio de Freitas foram “programáticas” e baseadas em propostas para o Estado, classificou a disputa como de “alto nível” e disse que pretende atuar de forma construtiva na oposição. Haddad também revelou que telefonou para o governador reeleito para desejar sucesso no novo mandato e afirmou que seu grupo seguirá buscando melhorar as condições de vida da população paulista.

Na visão de Prando, Haddad se afasta das grandes massas pelo seu perfil pouco carismático, de professor, pesquisador, intelectual e escritor. “É uma característica, ele não é o cara do abraço, do aperto de mão como é o Lula, ele ocupou posições que são posições importantes como ministro, mas o ministro nunca tem a dimensão de um cargo executivo”, aponta, Rodrigo Prando, cientista político e professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie.

Candidato do PT ao governo de São Paulo, Fernando Haddad.
Candidato do PT ao governo de São Paulo, Fernando Haddad.
Foto: Daniel Teixeira/Estadão / Estadão

Isso quer dizer que Haddad está fadado ao fracasso político? Para Prando, não necessariamente. O especialista lembra que Lula teve um histórico bem parecido, pois perdeu o pleito à Presidência para Fernando Collor em 1989 e duas vezes para Fernando Henrique Cardoso, em 1994 e 1998. Isso não condenou o petista, portanto, a derrota constante. 

“O Lula ganhou duas vezes no segundo turno. A Dilma ganhou duas vezes no segundo turno. O Lula foi preso, voltou e ganhou do Bolsonaro que tinha a máquina na mão. Então, em política esses revéses não significam que a trajetória do Haddad está fadada a uma derrota constante. [Ele] é um político, um quadro importante no Partido dos Trabalhadores e que na ausência do Lula no plano nacional deve ganhar um protagonismo, uma relevância.”

Como foi a campanha

Apoiado pelo presidente Lula, Haddad foi lançado como um dos principais opositores políticos de Tarcísio de Freitas. Crítico da extrema-direita, o petista começou sua caminhada no pleito deste ano focando em propostas voltadas para o eleitorado feminino, no qual, segundo as pesquisas de intenção de voto, o petista aparecia com vantagem seu concorrente. 

Ele prometeu ampliar o horário de funcionamento de delegacias de atendimento à mulher, além de outras medidas para aprimorar o atendimento a casos de violência doméstica, como a criação de um canal de comunicação entre todos os órgãos do serviço público para identificar possíveis episódios de agressão antes mesmo de uma denúncia formal. 

Logo no início da campanha, o ex-ministro da Fazenda afirmou que seu motorista foi alvo de abordagem "fora do padrão" e de perseguição pela Polícia Militar (PM), em 11 de agosto. Segundo ele, os fatos aconteceram depois de o funcionário deixá-lo em casa, na zona sul de São Paulo. Ele ainda disse ter tomado conhecimento do ocorrido nesta quarta-feira, 12. 

O caso passou a ser investigado. Dias depois, o governo de São Paulo afirmou, em nota, que a PM decidiu arquivar sua investigação após não encontrar indícios de transgressão disciplinar, crime militar ou crime comum que possam ser atribuídos aos policiais envolvidos. 

A campanha petista havia solicitado a abertura de uma apuração sobre o episódio por suspeita da prática dos crimes de abuso de poder e abuso de autoridade. No entanto, a Procuradoria Regional Eleitoral de São Paulo considerou que Tarcísio não cometeu crime eleitoral e arquivou o pedido de investigação sobre a suposta perseguição.  

Ao longo do mês, Haddad também entrou em temas polêmicos, como o caso Master. Ele defendeu a investigação sobre as fraudes envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e disse que poderia ser uma oportunidade para o Brasil demonstrar ao mundo o funcionamento de suas instituições, desde que o episódio não termine em "pizza". 

Fernando Haddad
Fernando Haddad
Foto: OBERTO CASIMIRO/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO

O candidato falou sobre o caso de publicações que ligavam Flávio Bolsonaro (PL) a um suposto movimento de retirada de Nossa Senhora Aparecida do posto de Padroeira do Brasil, dizendo que “até a mãe de Cristo não escapou do bolsonarismo”. 

Na ocasião, sobrou até para Tarcísio. O petista declarou que o governador e "seus candidatos" ao Senado teriam ofendido Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB), também candidatas ao cargo em SP. 

Mesmo com uma campanha dele e de Lula extremamente engajada nas redes sociais — juntos, eles desembolsaram R$ 3,9 milhões para alavancar publicações no Instagram e no Facebook —, não foi a vez de Haddad assumir o Palácio dos Bandeirantes. 

Quem é Fernando Haddad

Natural de São Paulo, Fernando Haddad tem 63 anos, e é casado com Ana Estela Haddad, com quem tem dois filhos: Ana Carolina e Frederico. Advogado formado em Direito pela Universidade de São Paulo (USP), o candidato também é mestre em Economia e doutor em Filosofia pela mesma instituição. Além disso, o petista é professor do Departamento de Ciência Política da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas USP. 

Fernando Haddad
Fernando Haddad
Foto: YURI MURAKAMI/F/2.8 NEWS/ESTADÃO CONTEÚDO

Haddad é filiado ao Partido dos Trabalhadores desde os anos 1980. Atuou como  subsecretário de Finanças do município de São Paulo, entre 2001 e 2003; assessor Especial do Ministro do Planejamento, Orçamento e Gestão, 2003 e 2004; e secretário Executivo do Ministério da Educação, de 2004 a 2005.

Ainda no primeiro mandato de Lula, ele assumiu o Ministério da Educação, onde ficou de 2005 a 2012. Em 2012, foi eleito prefeito de São Paulo, mas não conseguiu se reeleger em 2016, quando perdeu para João Dória. No terceiro mandato de Lula, tornou-se o Ministro da Fazenda. 

Fonte: Portal Terra
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