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Doação de R$ 10 trilhões a candidato de SC era erro com CPF; valor foi de R$ 1 mil

Campanha de Elcio Kuhnen (MDB) afirma que documento do doador foi inserido junto ao valor; lançamento já foi corrigido no sistema do TSE

1 out 2026 - 16h21
(atualizado às 16h37)
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Élcio Kuhnen, candidato a deputado estadual pelo MDB de Santa Catarina em 2026
Élcio Kuhnen, candidato a deputado estadual pelo MDB de Santa Catarina em 2026
Foto: Reprodução / Instagram

A doação de R$ 10.000.005.726.800,90 que apareceu na prestação de contas de Elcio Rogério Kuhnen (MDB), candidato a deputado estadual por Santa Catarina, foi resultado de um erro de digitação. Segundo a campanha, o valor efetivamente recebido foi de R$ 1 mil, mas o CPF do doador acabou inserido junto à quantia no sistema da Justiça Eleitoral.

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A explicação foi enviada ao Terra nesta quinta-feira, 1º, pela assessoria jurídica, contábil e de comunicação do candidato. O registro de mais de R$ 10 trilhões aparecia no DivulgaCandContas e a sequência numérica já indicava a possibilidade de o CPF ter sido colocado no campo destinado ao valor.

A campanha confirmou essa hipótese. De acordo com a nota, ao registrar a doação, o CPF foi inserido na sequência do mesmo campo, fazendo com que os números ficassem juntos, produzindo o montante de R$ 10.000.005.726.800,90.

"O valor efetivamente recebido pela campanha foi de R$ 1.000,00. O montante exibido inicialmente no sistema não corresponde a qualquer movimentação financeira da campanha", informou a assessoria.

Segundo a campanha, a inconsistência foi corrigida após ser identificada e o valor correto já consta no DivulgaCandContas, conforme checado pela reportagem na tarde desta quinta, 1º. A assessoria afirmou ainda que não houve mudança na quantia efetivamente movimentada, apenas a retificação do dado apresentado à Justiça Eleitoral.

Erro fez doação superar gastos de milhares de campanhas presidenciais

Embora tenha sido apenas um erro de preenchimento, o número exibido pelo TSE dava dimensão incomum à prestação de contas. Os R$ 10 trilhões equivaliam a cerca de 79% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro de 2025, que somou R$ 12,7 trilhões, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O valor também seria suficiente para bancar aproximadamente 112 mil campanhas à Presidência da República no primeiro turno de 2026, considerando que o teto de gastos de cada candidatura presidencial é de R$ 88,9 milhões. O TSE manteve neste ano os mesmos limites utilizados nas eleições de 2022.

Os R$ 10 trilhões representariam ainda mais de 2 mil vezes todo o Fundo Eleitoral de 2026, que soma aproximadamente R$ 4,9 bilhões.

Em uma comparação fora da política, a cifra permitiria comprar 20 milhões de imóveis de R$ 500 mil ou 100 milhões de carros de R$ 100 mil.

Como funciona a correção de dados no TSE

As regras eleitorais permitem que candidatos façam a retificação voluntária da prestação de contas em caso de erro material, desde que a falha seja identificada antes do pronunciamento técnico da Justiça Eleitoral. A alteração deve ser apresentada pelo sistema de prestação de contas com justificativa e, quando necessário, documentos que comprovem a correção.

Não há, portanto, um prazo geral de 72 horas para corrigir um erro como esse. O prazo de 72 horas previsto na legislação eleitoral se refere, entre outras situações, à comunicação dos recursos financeiros recebidos.

As prestações de contas finais relativas ao primeiro turno de 2026 poderão ser enviadas entre 5 de outubro e 3 de novembro. A partir do início desse período, eventuais mudanças nas contas parciais devem ser feitas por meio da prestação final, com nota explicativa.

A campanha de Kuhnen informou que não precisará esperar essa etapa: segundo a assessoria, a correção do lançamento de R$ 10 trilhões já foi processada.

Erros de preenchimento em dados eleitorais já provocaram outras cifras fora da realidade neste ano. Em agosto, uma candidata a vice-governadora do Tocantins apareceu no TSE com patrimônio superior a R$ 2 bilhões. O partido também atribuiu o caso a erro de digitação.

Fonte: Portal Terra
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