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Decisão dos EUA ameaça preço do diesel no Brasil

Brasil compra 10 milhões de litros de diesel do país norte-americano por dia, o que representa de 8 a 10% do consumo nacional total

28 set 2026 - 13h20
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Resumo
Os EUA planejam proibir exportações de diesel por 90 dias para recompor estoques internos, o que ameaça elevar os preços do combustível no Brasil. Como o país importa dos norte-americanos 30% do diesel que traz de fora — cerca de 10 milhões de litros diários —, o corte deve encarecer o frete e impactar o agronegócio em pleno plantio da soja. O cenário reforça a urgência pela segurança energética e pode acelerar o uso do etanol nacional em veículos pesados para reduzir a dependência externa.

Postos do DF começam a ajustar os preços do diesel com a redução de R$ 0,46
Postos do DF começam a ajustar os preços do diesel com a redução de R$ 0,46
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil / Estadão

Os Estados Unidos têm um plano para proibir todas as exportações de diesel por um período de 90 dias, segundo publicação do Politico revelada na semana passada.

A ação tem por objetivo reconstruir os estoques internos do combustível para o inverno, além de conter a alta dos preços no mercado diante das eleições de meio de mandato que acontecem em 3 de novembro.

Impacto no Brasil

Prestes a iniciar a temporada de plantio de soja e de vivenciar uma alta de demanda pelo transporte rodoviário em 2026, segundo a Confederação Nacional do Transporte (CNT), o Brasil poderá sentir impactos da medida no bolso dos transportadores e produtores rurais, o que pode refletir em alta de preços.

O Brasil consome cerca de 10 milhões de litros de diesel importado dos Estados Unidos por dia. Os dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP) revelam que o Brasil importa 30% do diesel que consome e que, deste montante, 30% são provenientes dos Estados Unidos.

Ao analisar o preço do combustível nas bombas, o diesel começou o ano de 2026 com médias em torno de R$ 6,10 a R$ 6,25, registrando forte pressão de alta no primeiro trimestre e oscilações constantes até setembro.

O preço médio do diesel S-10 no Brasil alcançou R$ 7,33 por litro no final de setembro de 2026, impulsionado por reajustes tributários e variações do mercado internacional.

No dia 1º de janeiro de 2026, o Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz) elevou a alíquota do ICMS sobre o diesel em R$ 0,05 por litro, elevando a base do imposto estadual para R$ 1,17.

Conflitos no Oriente Médio e a alta do petróleo tipo Brent acima de US$ 100 por barril afetaram fortemente os custos de importação no primeiro semestre, com picos de até R$ 7,58 por litro em abril.

Com a medida dos Estados Unidos, a tendência é que haja uma pressão ainda maior sobre o preço pago pelo diesel no Brasil. "Com certeza teremos aumento no preço do diesel nas bombas. A redução de oferta do produto gera aumento do preço impacta diretamente o transportador e a economia dependente do transporte rodoviário", diz Fabio Ferraresi, consultor da Power Systems Research.

Não existe uma estimativa sobre o aumento real do diesel nas bombas, mas, analistas do setor de energia e representantes dos importadores apontam que a restrição de 90 dias geraria uma forte alta global e uma disparada nos preços internos, com o custo de importação superando com facilidade os patamares históricos recentes de R$ 6,90 por litro nos portos nacionais

Como fugir da dependência?

"Este tipo de ação reforça as incertezas que temos sobre a segurança energética e a disponibilidade do diesel. Além disso, chancela o pleito dos produtores agrícolas para o fomento do etanol e seu uso em ônibus, caminhões e máquinas agrícolas", diz o consultor.

Para Ferraresi, o etanol é uma das alternativas para o Brasil reduzir sua dependência ao diesel. O país produz mais de 40 bilhões de litros de etanol por safra e consome internamente cerca de 31 bilhões de litros.

"Projetos como o do ônibus híbrido a etanol da Marcopolo e de caminhões e máquinas usando motores movidos a este tipo de combustível estão prontos no Brasil e o cenário atual vai impulsionar a venda destes equipamentos", conclui o especialista.

Estadão
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