Toffoli diz que ataques ao Judiciário atingem defesa dos mais pobres
Ministro do STF e do TSE afirma que Constituição de 1988 ampliou participação popular nas instituições e atribuiu à Justiça a tarefa de garantir direitos
Em evento no Rio de Janeiro, o ministro Dias Toffoli (STF/TSE) afirmou que os ataques ao Judiciário atingem, sobretudo, a população mais pobre e vulnerável. Segundo o magistrado, a Constituição de 1988 foi um divisor de águas que transformou a Justiça em garantidora prática dos direitos e da igualdade para grupos historicamente sem representação no poder. Ele enfatizou que o papel da magistratura é evitar que a Carta Magna se limite a uma folha de papel sem aplicação efetiva.
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Dias Toffoli afirmou nesta segunda-feira, 31, que críticas e ataques ao Poder Judiciário acabam atingindo, na avaliação dele, a parcela mais vulnerável da população. A declaração foi feita durante a abertura do Fórum Permanente de Direito Eleitoral e Político da Escola da Magistratura do Estado do Rio de Janeiro (Emerj), no Rio de Janeiro.
Segundo Dias Toffoli, a Constituição Federal de 1988 transformou o papel das instituições brasileiras ao ampliar a participação da sociedade e estabelecer mecanismos para garantir, na prática, direitos previstos na Carta Magna.
"Quando a magistratura está sendo atacada, o que querem atacar é o pobre", disse o ministro. Na sequência, ele relacionou a atuação do Judiciário à proteção de grupos que, segundo sua avaliação, historicamente tiveram menos acesso aos espaços de poder.
Para Dias Toffoli, a Justiça também exerce papel na promoção da igualdade de gênero e na garantia de direitos de pessoas que não possuem representação política ou social suficiente. Ele destacou ainda a amplitude do acesso ao Judiciário brasileiro e o volume de processos analisados pela Justiça.
Durante o discurso, o ministro classificou a Constituição de 1988 como um divisor de águas para a estrutura institucional brasileira. Segundo ele, antes da promulgação da Carta, as instituições tinham um caráter mais restrito e distante da participação popular.
Toffoli afirmou que a Constituição atribuiu ao Judiciário a responsabilidade de transformar os direitos previstos no texto constitucional em garantias efetivas. Na avaliação do ministro, a Carta não poderia se limitar a estabelecer princípios sem mecanismos capazes de assegurar sua aplicação. "Não poderia ser apenas uma folha de papel", disse.
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