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Política

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Múcio diz que solução para invasão dos EUA seria 'abrir o portão'

Ministro da Defesa disse que o Brasil não tem dinheiro nem equipamentos para enfrentar americanos

4 ago 2026 - 19h12
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BRASÍLIA E SÃO PAULO - O ministro da Defesa José Múcio disse nesta terça-feira, 4, que a saída para uma hipotética invasão militar dos Estados Unidos seria "abrir o portão" e deixar as tropas entrarem.

"Me perguntaram se os Estados Unidos quisessem invadir o Brasil, o que é que eu faria. Temos que abrir o portão. O Brasil não tem equipamento para enfrentá-lo, nem tem dinheiro para consertar o portão", afirmou durante fala em evento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) sobre descarbonização do setor marítimo, em Brasília.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e José Múcio
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e José Múcio
Foto: WILTON JUNIOR/Estadão / Estadão

Múcio defendia um investimento maior no orçamento das Forças Armadas quando fez a fala. Segundo o ministro, o Brasil destina cerca de 1% do Produto Interno Bruto (PIB) para a Defesa, porcentual inferior ao observado em outros países. Para ele, o valor dificulta investimentos de longo prazo em equipamentos e tecnologia.

O ministro ressaltou que o objetivo não é preparar o País para conflitos, mas garantir capacidade de dissuasão e desenvolvimento tecnológico. "Investir em defesa é como um plano de saúde. A gente escolhe o melhor, torcendo para não precisar usar", afirmou.

O risco da invasão entrou no radar após a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas pelo governo dos Estados Unidos. A medida está em vigor desde o início de junho deste ano.

A declaração de Múcio vai na contramão de discursos recentes do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que busca transmitir uma imagem de força na defesa da soberania brasileira diante de ameaças externas. Enquanto o petista adota um tom de firmeza ao tratar de Donald Trump, a fala do ministro projetou uma imagem de fragilidade.

Em junho, Lula afirmou que colocaria a segurança nacional como prioridade em seu plano de governo. A declaração ocorreu durante a cerimônia de lançamento da fragata Cunha Moreira, em Itajaí (SC).

"Está cheio de maluco no mundo", disse o presidente na ocasião, em referência a Donald Trump. Brasil e Estados Unidos vivem uma crise diplomática com a imposição de tarifas e ataques mútuos entre lideranças dos dois países.

Lula também citou as ameaças do presidente americano de assumir o controle da Groenlândia, do Canadá e do Canal do Panamá.

Assim como Múcio, Lula defendeu maiores investimentos em defesa diante do cenário internacional. "Não é possível que a gente não coloque a defesa como uma coisa extremamente urgente e prioritária", afirmou. Segundo o presidente, o mundo vive "a maior concentração de conflitos da história da humanidade depois da Segunda Guerra Mundial".

Lula ponderou, no entanto, que o Brasil não busca confronto com outros países. "Eu não quero guerra, mas eu também não quero ser pego de surpresa. Eu não quero constatar que não tenho nada", disse.

O ministério da Defesa, porém, foi a pasta com o maior volume de recursos bloqueados pelo governo petista.

Estadão
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