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Mensagens mostram articulação contra a Venezuela, diz jornal

Reportagem reproduz supostas conversas de Moro e força-tarefa para tornar públicas informações da Odebrecht que eram mantidas sob sigilo

7 jul 2019
15h50
atualizado às 16h33
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Quando era juiz da Operação Lava Jato, o ministro da Justiça e da Segurança Pública, Sergio Moro, trocou supostas mensagens com o procurador Deltan Dallagnol nas quais discutiu iniciativa para tornar públicas informações da Odebrecht que eram mantidas sob sigilo, a respeito de corrupção na Venezuela, segundo reportagem do jornal Folha de S.Paulo em parceria com o site The Intercept Brasil.

Tanto o ministro quanto a força-tarefa em Curitiba disseram não reconhecer as falas como autênticas. As supostas mensagens sobre o assunto enviadas pelo aplicativo Telegram tiveram início em agosto de 2017. No dia 5 daquele mês, segundo a reportagem, o então juiz titular da 13ª Vara Federal de Curitiba sugeriu a Dallagnol que fizesse algo para tornar públicas informações da Odebrecht sobre o país vizinho, que sofria com o endurecimento do regime imposto pelo presidente Nicolás Maduro.

Ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, responde aos questionamentos dos deputados na Comissão de Constituição e Justiça
Ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, responde aos questionamentos dos deputados na Comissão de Constituição e Justiça
Foto: GABRIELA BILó / Estadão Conteúdo

As informações estavam sob sigilo por ordem do Supremo Tribunal Federal (STF). O acordo com a Odebrecht, fechado com autoridades no Brasil, Suíça e EUA, estabelecia que as informações só poderiam ser trocadas com outros países se os investigadores garantissem que não haveria nenhuma medida contra a empresa e seus executivos.

As mensagens atribuídas a Moro e aos representantes do Ministério Público Federal (MPF) mostram que alguns procuradores apontaram risco na abertura das informações, incluindo agravamento da situação política e social da Venezuela. Dallagnol teria dado a entender que os procuradores buscariam uma forma de contornar o acordo.

Ainda segundo a reportagem, algumas mensagens sugerem que a visita de dois procuradores venezuelanos ao Brasil foi vista como oportunidade para o vazamento de informações. E em outubro, Luísa Ortega Díaz, ex-procuradora-geral da Venezuela, publicou em seu site vídeos com trechos de depoimentos de um ex-diretor da empreiteira no país sobre contribuições a campanhas eleitorais de Nicolás Maduro.

Segundo o The Intercept Brasil, os diálogos foram enviados ao site por fonte anônima.

Moro, por meio de sua assessoria de imprensa, reafirmou o posicionamento de que "não reconhece a autenticidade das supostas mensagens obtidas por meios criminosos e que podem ter sido adulteradas total ou parcialmente". A força-tarefa da Lava Jato diz na reportagem publicada pela Folha de S.Paulo que o material apresentado "não permite verificar o contexto e a veracidade das mensagens".

No Twitter, o ministro da Justiça criticou a reportagem e afirmou que na Venezuela "juízes e procuradores são perseguidos e não podem agir com autonomia".

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Estadão
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