Caso Oliver: Pai missionário e esposa são indiciados por homicídio e tortura após morte de menino de 3 anos
O episódio que levou à investigação aconteceu em 5 de julho. Segundo a Polícia Civil, a criança teria sido agredida pelo pai após não dar "bom dia".
A Polícia Civil concluiu nesta terça-feira, 11 de agosto, a investigação sobre a morte de Oliver Grayson, de 3 anos, em Viamão, na Região Metropolitana de Porto Alegre. O pai e a mãe da criança foram indiciados por homicídio duplamente qualificado e tortura majorada por cinco vezes. Os dois permanecem presos preventivamente.
Segundo a investigação, D'andre Grayson é apontado como autor das agressões que provocaram a morte do filho. Mayanna Angelina Rodgers, por sua vez, foi indiciada pelo homicídio por omissão. Para a Polícia Civil, ela tinha condições de perceber a violência e intervir, mas não teria impedido as agressões.
Os dois também foram indiciados por tortura relacionada aos cinco filhos do casal, que têm entre 1 e 9 anos. A apuração aponta que episódios de violência física e psicológica teriam ocorrido de maneira reiterada durante anos. As quatro crianças sobreviventes foram retiradas da guarda dos pais e permanecem acolhidas.
Morte ocorreu três dias após agressão
O episódio que levou à investigação aconteceu em 5 de julho. Segundo a Polícia Civil, Oliver teria sido agredido pelo pai após não dar "bom dia". A apuração aponta que a criança recebeu socos e teve a cabeça atingida contra o chão.
D'andre foi preso em flagrante naquele dia e teve a prisão convertida em preventiva. Oliver morreu em 8 de julho. O exame necroscópico apontou traumatismo cranioencefálico grave com hemorragia subdural como causa da morte. A perícia também encontrou cicatrizes antigas no corpo da criança.
A investigação posteriormente se ampliou para os irmãos. Segundo a polícia, exames identificaram marcas, cicatrizes e mordidas em quatro das cinco crianças — a exceção foi o bebê de 1 ano. Os investigadores também afirmam ter encontrado indícios de que os filhos eram orientados a esconder as lesões e evitar falar sobre o que acontecia dentro de casa.
Mãe estava em cômodo próximo, diz polícia
Para fundamentar o indiciamento de Mayanna pelo homicídio por omissão, a Polícia Civil considerou as características da residência e a proximidade dela no momento das agressões.
Segundo o inquérito, a casa era pequena, construída em madeira e tinha aberturas cobertas por lençóis. A polícia sustenta que, diante da intensidade das agressões, seria pouco provável que a mãe não tivesse percebido o que ocorria.
A investigação também aponta indícios de que Mayanna teria participado de outras agressões contra os filhos.
Já os profissionais da rede de proteção de Viamão não foram indiciados. A Polícia Civil informou não ter encontrado elementos que demonstrassem atuação dolosa capaz de justificar responsabilização criminal. A família era acompanhada pelo Conselho Tutelar desde novembro de 2025 e havia registros anteriores em outros estados.
Em outro procedimento, desmembrado por determinação judicial, D'andre também é investigado por violência doméstica contra Mayanna.
O que diz a defesa do pai
"A defesa de D'Andre Grayson informa que, na noite de ontem [segunda-feira (10)], foram encerradas as investigações e a autoridade policial concluiu pelo indiciamento do Sr. D'Andre Grayson.
O acervo probatório acostado pela autoridade policial — até ontem em sigilo para a defesa — é extenso e carece de análise técnica e pormenorizada por seus defensores.
Diante disso, por ora, ante o recente acesso, a defesa manifesta discordância da capitulação utilizada pela autoridade policial e espera que o Ministério Público realize a análise técnica necessária na formação da opinio delicti.
Ademais, durante a instrução criminal, sob o crivo do contraditório e da ampla defesa, serão apresentados ao juízo competente fatos e argumentos defensivos capazes de garantir um julgamento justo ao indiciado.
Ismael Schmitt / Jader Santos — Defensores Constituídos"
O que diz a defesa da mãe
"A defesa técnica de Mayanna Angelina Rodgers vem a público manifestar-se acerca do recente indiciamento trazido pela Polícia Civil:
- Precipitação policial e cerceamento de defesa
A investigação foi concluída de forma açodada, sem que fossem reunidos elementos probatórios de extrema importância. Ressalta-se que o pedido formal de reconstituição dos fatos formulado por esta defesa sequer foi apreciado até o momento pela autoridade policial, comprometendo a busca pela verdade real ainda na fase de inquérito.
- Ausência de concurso de crimes e incompatibilidade jurídica
A defesa reitera que Mayanna não concorreu de forma alguma para a morte de seu filho. A imputação de homicídio qualificado por omissão imprópria baseada em suposto "dolo eventual" carece de amparo no ordenamento jurídico e na realidade dos fatos. Não se pode atribuir responsabilidade penal a quem, estando inserida em um severo contexto de violência doméstica, coação e isolamento, não possuía meios materiais nem capacidade de intervir ou evitar o trágico resultado.
- Presunção de inocência e devido processo legal
Lembramos à opinião pública e aos veículos de comunicação que a Carta Magna assegura o princípio fundamental da presunção de inocência. Mayanna é juridicamente inocente até que haja eventual sentença penal condenatória transitada em julgado. O processo penal exige o respeito estrito às garantias constitucionais, ao devido processo legal, à ampla defesa e ao contraditório.
A defesa confia que, ao longo da instrução processual, a verdade dos fatos sob a ótica da legalidade e da justiça prevalecerá.
Defesa de Mayanna Angelina Rodgers
Isabel Cochlar
André von Berg
Juliana Braun Martins"
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