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Brasil

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Imprensa internacional reage à vitória de Lula: 'compromisso com a democracia segue vivo no Brasil'

Luiz Inácio Lula da Silva foi reeleito presidente do Brasil com 51,79% dos votos, contra 48,21% para Flávio Bolsonaro (48,21%) após uma virada surpreendente. Em todo o mundo, a vitória do líder petista ocupa as manchetes de jornais e sites.

26 out 2026 - 08h16
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Resumo
A imprensa internacional destacou a histórica reeleição de Lula para um quarto mandato após derrotar Flávio Bolsonaro em uma virada surpreendente. Veículos como Le Monde, El País e The New York Times interpretaram a vitória como uma reafirmação da democracia e uma barreira à ascensão da extrema direita e ao trumpismo na América Latina. Os jornais ressaltam os desafios futuros do líder petista, como a oposição de um Congresso conservador, a instabilidade dos mercados e a contestação do pleito pelo rival.

"Lula é reeleito presidente do Brasil para surpresa geral após mobilização maciça e votação caótica" é o título de uma matéria do jornal francês Le Monde. Segundo o jornal, a vitória do líder petista é quase "um milagre", levando em consideração que a maioria das pesquisas havia previsto o contrário.

O presidente Lula comemora a vitória ao lado da esposa, Rosângela "Janja" da Silva, e do vice-presidente Geraldo Alckmin, em São Paulo, 25 de outubro de 2026.
O presidente Lula comemora a vitória ao lado da esposa, Rosângela "Janja" da Silva, e do vice-presidente Geraldo Alckmin, em São Paulo, 25 de outubro de 2026.
Foto: REUTERS - Brian Snyder / RFI

Para o Le Monde, a possibilidade de um retorno do bolsonarismo mais radical, alinhado aos Estados Unidos de Donald Trump, "levou os brasileiros a comparecerem em massa às urnas para dar uma nova chance à esquerda". A vitória "incontestável" prova, segundo a matéria, "que o compromisso com a democracia, com a soberania nacional, com a proteção da Amazônia e com a justiça social permanece vivo entre os 214 milhões de brasileiros". 

"Um quarto mandato histórico", diz o site do jornal francês Le Figaro, lembrando que a façanha mantém o Brasil como um dos principais governos de esquerda da América Latina. A reportagem destaca que Lula iniciará terá um cenário político difícil pela frente, com um Congresso dominado por forças conservadoras. Ao mesmo tempo, sua reeleição é apresentada como o auge de uma trajetória excepcional, que o levou da pobreza em Pernambuco à presidência da República por 16 anos ao todo. 

O jornal Libération no Brasil cobriu a festa dos eleitores na Avenida Paulista, em São Paulo, após o anúncio da vitória de Lula. "O maior país da América do Sul finalmente optou por rejeitar a extrema direita", publica. O líder petista foi superado por Flávio Bolsonaro no primeiro turno, mas "conseguiu o impossível", destacando "uma reviravolta sem precedentes desde o retorno às eleições diretas, em 1989, após o fim da ditadura". Segundo o Libé, a esquerda se remobilizou, tanto nas ruas quanto nas redes sociais. 

O jornal econômico Les Echos também destaca que a campanha do segundo turno foi marcada por uma intensa mobilização de jovens e pelas redes sociais, o que permitiu a Lula ganhar mais de 11 milhões de votos adicionais. Analistas citados pelo diário interpretam o resultado como uma rejeição ao que chamam de "tendências autoritárias associadas ao bolsonarismo".  

Les Echos enfatiza a reação negativa dos mercados financeiros ao resultado: investidores apostavam na vitória de Flávio Bolsonaro, e as indicações iniciais apontavam para forte queda da Bolsa de São Paulo e desvalorização do real após a confirmação da vitória de Lula. 

"Clã de extrema direita" derrotado

"Lula ganha no Brasil" é a manchete do jornal espanhol El País, que "se consolida como resistência diante de Trump". O El País também observa que a reeleição tem um forte valor simbólico. Após ter passado pela prisão e retornado à presidência, Lula reafirma seu lugar como uma das figuras políticas mais influentes da história do Brasil. Aos quase 81 anos, torna-se o primeiro presidente eleito democraticamente a exercer um quarto mandato. 

O site do jornal italiano Corriere Della Sera traz uma foto do discurso de vitória de Lula. O diário lembra que os resultados são contestados por Flávio Bolsonaro, "que solicitou formalmente a anulação da votação", diz. O fato de o oponente não reconhecer a derrota ameaça, instaurar um período de grande instabilidade no país, "com consequências imprevisíveis", ressalta o jornal.

O britânico The Guardian faz uma ampla cobertura da vitória de Lula e destaca que a extensão do horário de votação foi pedida tanto por Lula quanto por Flávio Bolsonaro, por diferentes razões. "A reação de Bolsonaro foi exatamente como eu temia, mas não acho que vá significar muita coisa", afirma Tom Philipps, correspondente do diário no Brasil. O jornalista diz suspeitar que, nos próximos dias, o candidato do PL viajará para os Estados Unidos para evitar as investigações criminais em andamento. 

Para o jornal norte-americano The New York Times, Lula "triunfou" sobre Flávio Bolsonaro. O resultado do segundo turno "representa também uma derrota para o presidente Trump", diz o diário, lembrando que o líder republicano se aproximou da família Bolsonaro e da direita em ascensão na região. A matéria destaca a resistência das forças de esquerda na América Latina e ressalta que a vitória de Lula foi a primeira de um líder progressista após uma sequência de sete conquistas eleitorais da direita na região nos últimos 18 meses.

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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