Operação Home Cash: MPRS bloqueia R$ 11,3 milhões em apuração sobre fraudes no IPE Saúde e Estado
Esquema faturava serviços fictícios de home care via processos judiciais; mandados foram cumpridos no RS e em Santa Catarina
O Ministério Público do Rio Grande do Sul deflagrou a Operação Home Cash para desarticular fraudes em serviços de home care pagos pelo Estado e pelo IPE Saúde. O esquema inflava dados e cobrava por procedimentos não realizados, ocultando o patrimônio em nome de laranjas. A ofensiva cumpriu oito mandados de busca e apreensão no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, além de obter o bloqueio judicial de até R$ 11,3 milhões em ativos e o sequestro de bens e veículos de 15 alvos investigados pelo Gaeco.
O Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) deflagrou na manhã desta terça-feira (20) a Operação Home Cash, voltada a desarticular um esquema de fraudes em serviços de atenção domiciliar à saúde (home care) pagos pelo governo gaúcho e pelo IPE Saúde. A Justiça deferiu o bloqueio de ativos financeiros de até R$ 11,3 milhões pertencentes aos investigados, além do sequestro de veículos e bens imóveis.
Conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), por meio do 7º Núcleo Regional - Planalto sob coordenação do promotor Diego Pessi, a ofensiva mobilizou cerca de 50 servidores, com suporte do Núcleo de Inteligência do MPRS (Nimp) e da Brigada Militar. Participaram também os promotores Manoel Figueiredo Antunes e Maristela Schneider.
Foram cumpridos oito mandados de busca e apreensão contra 15 investigados nas seguintes cidades:
Rio Grande do Sul: Passo Fundo e Erechim;
Santa Catarina: Itapema.
Cobrança por procedimentos não realizados e uso de laranjas
O inquérito teve início a partir de notícia-crime protocolada pela Procuradoria-Geral do Estado (PGE). Segundo as apurações, o bando usava relatórios médicos e cotações orçamentárias com dados inflados em ações judiciais de fornecimento de tratamento. Os envolvidos cobravam valores de atendimentos em volume muito superior ao efetivamente prestado ou por procedimentos jamais executados, lesando os cofres públicos.
O Gaeco também identificou transações financeiras suspeitas entre pessoas físicas e jurídicas vinculadas ao grupo, com a compra de patrimônio registrado em nome de terceiros ("laranjas") para ocultar o proveito do crime.
Sequência das fases Gollum I e II
A ofensiva deflagrada nesta terça-feira é o terceiro desdobramento de uma linha de investigações sobre desvios em home care no Estado:
Operação Gollum I (dezembro de 2024): Cumpriu 11 mandados de busca em Passo Fundo contra firmas do setor, residências e um escritório de advocacia, bloqueando contas bancárias;
Operação Gollum II (março de 2026): Executou 12 mandados em Passo Fundo, Canoas, Esteio e Balneário Camboriú (SC), com indisponibilidade de cerca de R$ 12 milhões em ativos.
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