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Professor é preso por sequestro que ocorreu enquanto ele estaria dando aula em SP

Clayton Ferreira Gomes Santos é professor de Educação Física pela rede estadual de ensino; sua esposa denuncia racismo em prisão

17 abr 2024 - 17h08
(atualizado às 19h21)
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Resumo
Um professor de 40 anos foi preso preventivamente, suspeito de ter sequestrado uma idosa em Iguapé, cerca de 200 km de São Paulo. A defesa alega que ele estava dando aula de Educação Física na capital no dia e horário do crime e, mesmo assim, o Tribunal de Justiça de São Paulo considerou válida a prisão temporária.
Em uma foto de 2018, Clayton aparece com os cabelos raspados, diferente do visual de hoje
Em uma foto de 2018, Clayton aparece com os cabelos raspados, diferente do visual de hoje
Foto: Reprodução/Instagram

O professor Clayton Ferreira Gomes Santos, de 40 anos, foi preso preventivamente na terça-feira, 16, suspeito de ter sequestrado uma idosa no dia 31 de outubro do ano passado, na cidade de Iguapé, a 200 km de São Paulo. A questão é que, segundo o professor e testemunhas, ele estaria dando aula de Educação Física no dia e horário do crime, em uma escola estadual na capital paulista.

"É por que ele é negro? O negro tem que provar pra depois [ser inocentado]. Porque o branco que tem dinheiro paga e é liberado na hora", questiona indignada Cláudia Santos, esposa de Clayton.

Ao Terra, ela detalha como a prisão ocorreu. Segundo Cláudia, na segunda-feira, 15, eles receberam uma notificação pedindo para que o professor se apresentasse na delegacia. "Ele falou: 'Amor, eu não devo nada, eu vou lá ver'", relembra. Clayton chegou a pensar que a intimação se tratava de um boletim de ocorrência feito por ele, há meses, sobre um celular seu que havia sido furtado.

Chegando no 26º Distrito Policial (Sacomã), Clayton recebeu a informação de que estava preso. Ele teria sido reconhecido por meio de uma foto pela idosa, de 73 anos, que denunciou o sequestro.

Cláudia ressalta que não sabe como os agentes chegaram até uma foto do marido para usar no reconhecimento. "Que foto é essa? Onde mostraram uma foto se ele não tem passagem? Graças a Deus, é limpo no Poder Judiciário. É um professor de Educação Física do Estado", ressalta.

Ainda de acordo com a esposa do professor, a foto usada era antiga, e Clayton não está mais com a mesma fisionomia. Antes, ele estava careca e, há cerca de um ano, deixou crescer o cabelo black power.

Em uma declaração de horário de trabalho, a direção da Escola Estadual Rubens do Amaral atesta a frequência do professor Clayton Santos nos meses de outubro e novembro de 2023.

Foto: Arquivo Pessoal/Cláudia Santos

O que deve ocorrer agora?

Nesta quarta-feira, 17, o Tribunal de Justiça de São Paulo chegou a negar o habeas corpus pedido pela defesa do professor. Segundo a decisão ao qual o Terra teve acesso, a prisão temporária está "devidamente fundamentada" com "provas de materialidade".

Porém, no início da noite desta quarta, a esposa de Clayton foi informada pelo advogado que eles conseguiram uma reversão e o professor deve ser solto entre hoje e quinta-feira, 18.

Em nota, a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) informou que o caso é investigado pela Delegacia de Iguape e que identificou, após trabalho de polícia judiciária, o homem citado como suspeito. Na ocasião do roubo, um criminoso teria extraído R$ 11 mil da idosa.

"A vítima reconheceu o suspeito e uma mulher como autores do crime. A autoridade policial da delegacia de Iguapé reuniu o conjunto probatório e representou ao Judiciário pela prisão temporária dos investigados", continua a nota. Não há informações sobre quem seria essa mulher.

Ainda de acordo com a SSP, o Ministério Público manifestou parecer favorável ao pedido de prisão. "O homem foi preso na manhã da terça-feira (16) após mandado policial, na zona sul da Capital e permaneceu à disposição da Justiça. Qualquer denúncia de irregularidade pode ser notificada à Corregedoria da Polícia Civil", complementa.

O Terra também procurou o Ministério Público de São Paulo para entender quais foram os critérios para o parecer favorável à prisão e aguarda retorno.

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Fonte: Redação Terra
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