Embaixadas estrangeiras na capital da Indonésia pediram proteção extra à polícia devido à possível onda de violência na próxima semana, durante a esperada censura parlamentar do presidente Abdurrahman Wahid. Os pedidos foram feitos depois que o enfraquecido ministério solicitou ao Parlamento que desista de uma segunda censura, o que poderia deixar Wahid próximo do impeachment e detonar a fúria de seguidores fanáticos muçulmanos que têm feito violentas manifestações em Jacarta. A população de 210 milhões de indonésios teve pouco descanso entre crises políticas nos últimos anos, pois o quarto país mais populoso do mundo vem tentando migrar de décadas de tirania para um regime democrático. "Enviamos reforço para proteger as embaixadas aqui e escritórios de organizações internacionais como a ONU", disse o porta-voz da polícia de Jacarta, Anton Bahrul Alam, na sexta-feira.
"Não queremos que eles fiquem nervosos, em pânico, e nem que deixem a Indonésia. Seria embaraçoso para nós e agravaria a imagem já muito ruim do país". A polícia disse estar pronta para atirar contra manifestantes quando membros do Parlamento se reunirem na segunda-feira para uma sessão que deve resultar numa segunda censura contra o primeiro líder eleito democraticamente por causa de dois escândalos financeiros. Wahid, que nega as acusações, deve fazer um pronunciamento à nação na sexta-feira para pedir paz. Se censurado, o presidente terá 30 dias para recorrer. Se os parlamentares considerarem sua resposta insatisfatória, um processo de impeachment deverá ser iniciado.