A estação espacial russa Mir entrou em contagem regressiva na quinta-feira, absorvendo a energia solar necessária para garantir sua queda em uma parte do oceano Pacífico. A Mir deve ingressar na atmosfera terrestre pouco depois das 3h da sexta-feira (horário de Brasília). Toneladas de destroços atingirão as águas do Pacífico minutos depois a uma velocidade suficiente para fazer com que atravessem dois metros de concreto reforçado. Uma porta-voz da missão de controle no solo afirmou que a estação, de 136 toneladas, estava circulando a Terra com seus painéis solares voltados para o Sol a fim de fornecer às baterias a energia que a manterá na posição correta antes de sua descida final. "Ela está em uma posição de alimentação de suas baterias e isso é o mais importante nesse momento", afirmou a porta-voz por telefone.
O suprimento de força da estação é uma das principais preocupações das autoridades russas. Em dezembro passado, as baterias se esgotaram, deixando a Mir girando sem controle por mais de um dia. As baterias fornecem energia para o principal computador da estação, que deve manobrar a Mir até uma posição adequada a fim de permitir que os técnicos a façam cair em uma área entre o Chile e a Nova Zelândia, longe de regiões habitadas.
Se o sistema falhar, o controle de Terra planeja usar um foguete de carga para rebocar a estação, há 15 anos no espaço. Símbolo do poderio soviético quando lançada em 1986, a Mir bateu vários recordes de durabilidade, para inveja do programa espacial norte-americano, que conta com mais verbas. No ano passado, porém, o governo russo, devido a temores de um grave acidente, decidiu desativar a estação, que vinha apresentando problemas cada vez mais frequentemente.
A maior parte da Mir deve queimar ao reentrar na atmosfera da Terra, deixando entre 20 e 40 toneladas para chocar-se no Pacífico Sul na manhã de sexta-feira.
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