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Fidel protagoniza bate-boca no Panamá

Domingo, 19 de novembro de 2000, 16h55min
A 10ª. Conferência Ibero-Americana, que reuniu 21 chefes de Estado da América Latina mais Portugal e Espanha, na sexta e no sábado na Cidade do Panamá, acabou em uma inesperada discussão com troca de acusações e insultos entre os presidentes de Cuba, Fidel Castro, e de El Salvador, Francisco Flores. Uma declaração de repúdio às ações terroristas praticadas pelo grupo separatista basco ETA (Pátria Basca e Liberdade), proposta por El Salvador e que Fidel recusou-se a assinar, foi o estopim da discussão. Flores acusou Fidel de ter sido o responsável pela morte de vários salvadorenhos durante a guerra civil nesse país, nos anos 80. O presidente cubano revidou afirmando que o terrorista cubano Luis Posada Carilles, por quem Fidel diz ser perseguido, escondeu-se em El Salvador com o conhecimento do governo.

Único país que se negou a assinar a declaração de protesto contra o ETA, Cuba considerou o texto seletivo por não mencionar o terrorismo de um modo geral e o praticado contra a ilha desde a revolução, em 1959, segundo disse. "Nós nos solidarizamos com a situação da Espanha, mas o tema coincide com acontecimentos graves aqui no Panamá, onde um grupo terrorista liderado por Carilles e organizado pelos Estados Unidos está tentando eliminar-me", desabafou Fidel. Na sexta-feira, Fidel denunciou a presença do terrorista cubano Luis Posada Carilles no Panamá.

Carilles, que fugiu de uma prisão da Venezuela em 1985, entrou no Panamá com documentos falsos. A polícia panamenha prendeu Carilles na sexta-feira a noite, em um hotel. "É intolerável que Fidel diga que esteja sendo perseguido pelo terrorismo, quando se sabe que, na Guerra Civil em El Salvador, Fidel foi responsável pela morte de muita gente", disse Flores. Segundo ele, a iniciativa de fazer uma declaração contra o ETA não tinha a intenção de "molestar Cuba", apenas era um gesto dirigido à Espanha, por causa dos últimos acontecimentos nesse pais.

Fidel negou responsabilidade pelas mortes, mas admitiu, na frente do presidente na Colômbia, Andrés Pastrana, e do primeiro-ministro espanhol, José Maria Aznar, ter sido simpático e dado apoio a todos os movimentos revolucionários. Fidel revidou acusando o governo de El Salvador de ter causado a morte de vários revolucionários. Fidel acusou todos os países, menos o México, de terem colaborado com o isolamento de Cuba, imposto pelos Estados Unidos, desde a revolução.

Ele disse ter ficado surpreso porque a declaração assinada por todos os presidentes excluiu o terrorismo contra Cuba, quando havia um terrorista no Panamá tentando matá-lo, e desafiou os presidentes a se unirem para julgar Carilles. Ele propôs a constituição de um Tribunal Internacional na América Latina para julgar esse e outros terroristas. "Que ele seja julgado, como foi com Pinochet na Espanha", disse.

"No mundo há terrorismo de todo tipo, incluindo de Estado, que não se cita. E Cuba foi a maior vítima desse terrorismo procedente dos Estados Unidos", afirmou. Fidel afirmou que vivia há 40 anos sob esse tipo de ameaça e, da conferência do Panamá, havia saído uma declaração contra o terrorismo, sem mencionar Cuba. "Nenhum de vocês, com raríssimas exceções, tem de fazer o que o presidente de Cuba faz para participar dessas conferências, ou mesmo em Cuba", disse.

O clima só foi amenizado com a interferência do presidente da Venezuela, Hugo Chávez. "Se vamos tratar de mexer no passado, então a Espanha....", disse Chávez, reticente, e em tom de brincadeira, e terminou a discussão com uma piada: "Um venezuelano encontrou um espanhol na rua e começou a espancá-lo e insultá-lo. Ao ser detido, o policial perguntou porque estava fazendo aquilo. O agressor respondeu que agia assim porque a vítima era espanhola e que a Espanha destruiu, colonizou barbaramente e matou um monte de gente. Mas isso foi há 400 anos, devolveu o guarda, ao que o venezuelano respondeu: mas eu só fiquei sabendo esta manhã".
Agência Estado

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