Empresário russo é "preso político"
Quinta, 15 de junho de 2000, 16h36min
Os advogados do magnata russo da imprensa independente Vladimir Gussinski, em conflito aberto com o Kremlin, apresentararam nesta quinta-feira uma denúncia contra a detenção de seu cliente, por considerá-lo um "preso político" na Rússia. Segundo os advogados, a prisão não tem nenhuma base legal. O tribunal de Moscou deve se pronunciar sobre o assunto na próxima terça-feira. Em Berlim, o presidente russo Vladimir Putin desaprovou a detenção, por considerar a punição "excessiva". Gussinski, proprietário do grupo Media-most, de imprensa, é acusado de abuso de poder e desvio de dinheiro, num montante de US$ 10 milhões, durante um caso de privatização, em 1997. Se a denúncia for comprovada, poderá ser condenado a 10 anos de prisão. Vladimir Gussinski é "sem nenhuma dúvida um preso político" e "se considera vítima de represálias políticas", declarou um dos advogados dele, Genri Reznik. Em carta manuscrita lida aos periodistas por Reznik, Gussinski qualificou o caso de "intriga política organizada por funcionários do mais alto escalão do poder, para quem a liberdade de expressão representa um perigo". Foram as primeiras declarações do magnata da imprensa, desde sua detenção terça-feira passada. "O poder começou a criar um regime totalitário, consciente ou inconscientemente", acrescentou nessa carta. "Informo a vocês um fato desgradável: a Rússia tem desde agora um preso político, Vladimir Gussinski", disse aos jornalistas o vice-presidente do Media-Most, Igor Malachenko, que está em Berlim, junto com o presidente Putin. "Vladimir Gussinski é acusado de ter desviado mais de US$ 10 milhões", recordou Serguei Kolmakov, da Fundação Politika acrescentando: "o grupo Media-Most briga pela sobrevivência e usa para isso de todos os meios a seu alcance". A detenção do dono do Media-Most, único grupo jornalístico de oposição de difusão nacional, provocou agitação na classe política na Rússia. A imprensa estimou que esta detenção representa "um sério golpe à reputação" do presidente Putin, na Rússia e no exterior. O secretário geral do Conselho da Europa, Walter Schwimmer, considerou "intolerável" que a detenção de Gussinski possa estar relacionada com suas atividades jornalísticas. Schwimmer anunciou que "porá a questão em pratos limpos" em seus próximos contactos com as autoridades russas. Os Estados Unidos se preocuparam com o que consideram "uma tentativa de exercer pressão sobre a liberdade de imprensa". Segundo o subsecretário de Estado Strobe Talbott, a Rússia poderá ficar isolada no cenário internacional se não respeitar a liberdade de imprensa, em entrevista divulgada nesta quinta-feira na rede NTV a partir de Washington. As mais importantes organizações judaicas da Rússia acusaram as autoridades de tentar amedrontar sua comunidade com a detenção de Gussinski, que é também presidente do setor russo do Congresso judeu mundial.
 |  |
Copyright 2000 AFP
Volta
Todos os direitos de reprodução e representação reservados. Clique aqui para limitações e restrições ao uso.
|