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Peruanos temem aumento da violência

Sábado, 27 de maio de 2000, 02h38min
Os peruanos estão seriamente preocupados com o que vai ocorrer neste domingo no país. E esse temor não é infundado. O presidente Alberto Fujimori, candidato ao terceiro mandato consecutivo, chega ao segundo turno da eleição como candidato único, ante a insistência de seu opositor, Alejandro Toledo, de não participar de um processo eleitoral que qualifica de "viciado".

Muitos consideram que o quebra-quebra de quinta-feira no centro de Lima - quando o Jurado Nacional de Eleição (JNE) rejeitou o pedido do movimento Peru Possível, de Toledo, de adiar a votação - foi apenas uma pequena mostra do que vem pela frente.

"Há uma escalada de violência", disse Mario Arría Arce, gerente de um café do distrito de Miraflores. "Houve protestos com repressão no comício de Fujimori em Chimbote, depois manifestantes de Toledo enfrentaram a polícia em Arequipa e, agora, esses protestos em Lima com coquetéis Molotov e bombas caseiras contra as bombas de gás lacrimogêneo. O que podemos esperar para domingo?"

O prefeito de Arequipa - forte reduto eleitoral de Toledo -, Manuel Guillén, tem prometido uma "revolução" para impedir que Fujimori fique no poder por mais cinco anos. O próprio Toledo, que na quinta-feira realizou um comício na Praça San Martín, no centro de Lima, conclamou a população a manter-se "de pé", embora ressaltasse que a natureza do levante contra Fujimori deveria desenvolver-se de forma pacífica.

Toledo tem conclamado a população a não votar neste domingo, mas, como a multa pela abstenção sem justificativa é muito alta (116 novos sóis, aproximadamente R$ 60,00), aconselhou seus partidários mais pobres a anular o voto, marcando na cédula "não à fraude". Esquemas para fraudar as eleições, se havia, já não são necessários. Com a desistência da oposição, o caminho para Fujimori alcançar o terceiro mandato foi plenamente pavimentado.

"Apesar de não haver pesquisas sobre o assunto, basta andar pelas ruas para perceber que o tema das eleições já saturou a população", disse a coordenadora-geral de Imprensa do palácio do governo, Jessica Gallegos.

"Ninguém agüenta mais falar sobre isso e a maioria das pessoas quer que esse processo termine logo."

A decisão do JNE de manter a data da votação foi dividida. Prevaleceu por 3 votos a 2. De certa forma, surpreendeu alguns analistas, que consideravam provável um recuo do governo nesse tema, levando-se em conta o tom mais conciliatório das declarações de fujimoristas nos últimos dias. Fujimori mesmo declarou ao Estado na quinta-feira que acataria a sentença do tribunal, qualquer que fosse ela, e, como candidato, não se opunha a enfrentar Toledo em outra data - desde que o JNE assim decidisse.

A favor e contra a postergação pesavam vários fatores, de acordo com fontes políticas e diplomáticas.

A favor: o temor de uma revolta de partidários de Toledo contra a apresentação de Fujimori como candidato único; as reservas feitas pela Missão de Observação da Organização dos Estados Americanos (OEA) ao software desenvolvido para a apuração dos votos; as não tão veladas ameaças dos Estados Unidos e da União Européia de isolar economicamente o país ante a possibilidade de uma eleição contestável; e, finalmente, o antecedente aberto horas antes pela Venezuela, que postergara suas "megaeleições" por problemas técnicos.

Contra: o sucesso da simulação de eleição que testou o software do Escritório Nacional de Processos Eleitorais (Onpe) na quarta-feita à noite; a declaração do chefe da missão da OEA, Eduardo Stein, de que o sistema de informática do Onpe tinha apresentado melhoras significativas no mesmo teste; e, por fim, a resistência da chamada "linha dura" do fujimorismo, que considerava que o adiamento seria uma concessão ao que qualificava de chantagem política de Toledo.

Juridicamente, a negativa do JNE de decidir-se pelo não-adiamento é perfeitamente aceitável. A data de 28 de maio obedece a uma exigência da Constiuição peruana. A Carta estabelece que o segundo turno deve ser realizado no prazo de 30 dias depois da data da proclamação oficial do resultado do primeiro turno, o que ocorreu em 29 de abril. Para mudar essa data, seria necessário que o tribunal acatasse interpretações duvidosas da legislação.

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O Estado de S.Paulo

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