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Tribunal eleitoral confirma realização do segundo turno no Peru

Quinta, 25 de maio de 2000, 22h46min
O segundo turno eleitoral no Peru será realizado domingo, 28 de maio, como estava previsto, informou há pouco o tribunal nacional eleitoral, depois de uma votação em que essa decisão prevaleceu por maioria simples.

A resolução do tribunal eleitoral, considerou "improcedente" o pedido do partido Peru Possível sobre a abstenção no segundo turno do candidato Alejandro Toledo.

Toledo anunciou que não participaria do segundo turno eleitoral se a votação não fosse adiada para 18 de junho.

Após o anúncio do tribunal eleitoral, Toledo convocou uma reunião com seus assessores e disse que era "preciso manter a calma e analisar a situação do país diante deste duro golpe na democracia".

"Me surpreende profundamente que diante da rejeição do povo peruano, o governo persista em impor sua vontade, utilizando de todos os recursos do Estado".

Toledo também advertiu que a decisão do tribunal eleitoral "trará para o país graves consequências nacionais e internacionais".

O candidato do Peru Possível disse que o "tribunal eleitoral foi sequestrado com chantagem sobre os juízes, por um governo autoritário que quer perpetuar-se no poder".

O Peru Possível "convocou uma manifestação urgente do povo e das forças democráticas" para a noite desta quinta-feira, na Praça San Martín, em Lima, "para ratificar a posição de Toledo de não participar do segundo turno" no próximo domingo.

A decisão da justiça eleitoral já provocou incidentes no final da tarde, quando estudantes, aos gritos de "assassinos" e "abaixo à fraude", atacaram com pedras o Palácio de Governo, na Praça Maior de Lima.

Os estudantes conseguiram driblar o policiamento e entraram na praça assim que foi anunciada a sentença do tribunal nacional eleitoral.

Efetivos do Exército responderam à ação com bombas de gás lacrimogêneo.

Paralelamente a estas ações, o chefe dos observadores da OEA, Eduardo Stein, disse à AFP que a decisão do tribunal eleitoral de manter o segundo turno no domingo obriga "uma reestruturação da presença da missão" no país.

Nossa missão seria reduzida, então, a uma simples oficina de registro" declarou Stein.

O chefe dos observadores evitou comentar versões que circularam pela imprensa segundo as quais o governo peruano, através do chanceler Fernando de Trazegnies, teria iniciado negociação direta com o secretário geral da OEA, César Gaviria, sobre o funcionamento da missão no país.
Copyright 2000 AFP

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