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Humberto Martins volta como machão em O Quinto dos Infernos

Segunda, 07 de janeiro de 2002, 15h33

Foto: Luiza Dantas
Carta Z Notícias

Humberto Martins se gaba de ser um dos "curingas" do autor Carlos Lombardi. Tal e qual o chavão futebolístico, o ator se considera versátil a ponto de atuar em várias posições. Uma breve retrospectiva, no entanto, prova o contrário. Desde que estreou na Globo há 12 anos, ela já foi caminhoneiro em Barriga de Aluguel, cigano em Pedra Sobre Pedra e médico em Quatro por Quatro. Todos os papéis, sem exceção, evocavam a figura do herói sensual – de bom caráter mas sem papas na língua –, sempre disposto a ajudar o próximo e a enlouquecer o mulherio. O Chalaça, de O Quinto dos Infernos, não foge à regra. "Não me incomodo de fazer sempre o herói da história. Sou mesmo privilegiado por ter o porte atlético e a voz forte", enumera.

A parceria estabelecida com Carlos Lombardi reforça a idéia de que Humberto Martins é ator de um personagem só. Afinal, o Chalaça de O Quinto dos Infernos é muito parecido com o Baldochi de Uga Uga, que, por sua vez, era idêntico ao Bruno de Quatro por Quatro. Na nova minissérie da Globo, Humberto interpreta Francisco Gomes da Silva, o Chalaça, um vigarista mulherengo que vive de pequenos golpes. Quando foge para o Brasil, torna-se o melhor amigo de D. Pedro I, vivido por Marcos Pasquim. "O Chalaça é um fanfarrão que não se prende a mulher nenhuma e quer sempre comer as mais gostosas. Já tive a minha fase Chalaça, mas não durou muito", jura, irônico.

Assim que terminar a minissérie, Humberto vai partir para uma nova parceria com Lombardi. Os dois têm planos de fazer cinema em 2002 e já convidaram o diretor Alexandre Avancini para assumir o projeto. O protagonista idealizado por Lombardi, aliás, não é nenhum primor de originalidade. No filme, Humberto interpreta o policial de uma grande cidade, tão valente e destemido quanto o Baldochi de Uga Uga. Embora só tenha atuado uma vez no cinema - como o protagonista de Tiradentes, de Oswaldo Caldeira -, guarda ótimas recordações de um "set". "Fui tratado como um rei. Cheguei a dizer ao Caldeira que ele estava me acostumando mal", ri.

Você é sempre criticado por interpretar o mesmo personagem. O que o Chalaça tem de novo a acrescentar na sua carreira?
Os personagens são mais ou menos parecidos porque o estilo do autor se equivale. Todo autor de novela tem o seu estilo e o Lombardi não foge à regra. O Chalaça, porém, é diferente de tudo que já fiz. É um personagem alegre, para cima, gozador. Um cara que tira sarro até das situações mais adversas. Os outros personagens tinham uma concepção mais autodestrutiva. O Baldochi, por exemplo, tinha pouco amor à vida. Vivia se metendo em enrascadas. O Chalaça, ao contrário, quer se safar sempre. Luta para sobreviver.

Qual a maior dificuldade que encontrou para compor o papel?
O linguajar de época é sempre difícil de ser assimilado. Tenho dificuldade para falar o texto na velocidade que o Lombardi quer. Ainda bem que fiz Tiradentes. O filme do Oswaldo Caldeira tem me ajudado muito. Não só em relação à construção do personagem, mas também no que diz respeito ao texto impostado. O Chalaça é, sem dúvida, um dos personagens mais difíceis que já fiz.

Você chegou a ler O Chalaça, escrito pelo José Roberto Torero?
Não achei necessário. Confio bastante no Lombardi. Basta seguir o texto dele, que não tem erro. A sinopse que ele ofereceu ao elenco é fantástica de tão completa. Como já disse, o Chalaça é um gozador. Um cara que acredita que pode tudo. E, por isso mesmo, consegue tudo. Não por acaso, vira secretário de D. Pedro I. Fora isso, é um fanfarrão. Não se prende a mulher nenhuma e quer sempre comer as mais gostosas.

O que você acha de ser sempre escalado para interpretar o "herói" das histórias do Lombardi?
Acho que tenho o "physique du rôle" de herói. Tem sido assim desde os primeiros trabalhos na tevê. Gosto também de praticar esportes. Isso ajuda muito. Sempre me propus a montar cavalos, pular ribanceiras e assim por diante. Nunca fugi deste tipo de responsabilidade. Sempre que possível, gosto de fazer as cenas mais difíceis. Antes de começar a gravar a minissérie, por exemplo, tive aulas de esgrima, capoeira e equitação. Não vejo problemas nisso, apesar do meu dublê, Jorge Só, ser também muito bom. Por essas e outras, o Lombardi logo sacou que sou um profissional capaz de corresponder às expectativas. Às vezes, correspondo. Outras vezes, não. Mas se está dando certo, por que não vamos continuar por esse caminho?

Mas você não tem medo de ficar se repetindo no vídeo?
Não quero parecer pedante, mas também não vou ser hipócrita. A tevê tem muita dificuldade para encontrar atores que transmitam uma imagem de virilidade. Não quero falar dos meus colegas, mas há uma certa deficiência no mercado. Sou privilegiado por ter o físico avantajado e a voz forte. Fazer o machão não me incomoda. O Chico, que fiz em Corpo Dourado, por exemplo, fugia deste estereótipo. Dos personagens que fiz, talvez ele fosse o mais comedido. E, por isso mesmo, o mais parecido comigo. Sou sisudo, comedido. Às vezes, passo até por antipático. Mas não tem problema. Não sou de pôr para fora tudo o que penso.

Você costuma ser muito assediado nas ruas?
Graças a Deus. O assédio do público feminino é carinhoso. É uma forma de reconhecimento ao nosso trabalho. E isso é o melhor que pode existir para um ator. O assédio só fica um pouco ensandecido, quando o ator está no ar. Aí, fica quase insuportável. Mas não sou só galã. Tenho outras qualidades como ator.

Mas não é frustrante o fato de alguns personagens explorarem mais os seus dotes físicos do que seus recursos dramáticos?
Não chega a tanto. Mas acho que a exploração do físico dos homens é compreensível. A tevê é uma indústria. Mas acho também que o Chico, de Corpo Dourado, mostrou um outro caminho a seguir. Graças a ele, o físico ficou em segundo plano e o Humberto Martins em primeiro. Chico é um divisor de águas na minha carreira e isso me deixa bastante feliz. Hoje em dia, não ando tão despido em cena. Já começaram a me achar interessante também de roupa.
Mas você não se constrange por fazer tantas cenas tórridas?
De fato, cenas de amor são sempre constrangedoras porque invadem um território mais íntimo, que é o do contato físico. Por isso, acho que montar a cavalo e dar tiros é sempre bem mais fácil. Em O Quinto dos Infernos, vou protagonizar tudo que é tipo de cena. Vou fazer cenas de humor, de ação e de sensualidade também. Gosto de todo e qualquer tipo de cena, desde que ela seja consistente e tenha um porquê. Uma cena romântica, por exemplo, pode ser muito importante numa trama de novela.

Você deixa seus filhos assistirem às cenas mais picantes do pai?
Eu me preocupo com o que eles podem pensar sobre uma cena ou outra, principalmente as mais tórridas. Por isso mesmo, converso muito com eles quando chego em casa. Mas também não sou a favor da censura. Não dá para mostrar apenas o que é politicamente correto. Muito pelo contrário. Temos de mostrar o que é errado também.

Você não tem medo de envelhecer e perder o "appeal" que exerce sobre o público feminino?
Imagina! Só tenho 40 anos. Mas, brincadeiras à parte, quero envelhecer bem como o Lima Duarte, por exemplo. Não penso em fazer plástica. Quero olhar minhas rugas no espelho e perceber que não sou mais um rapaz e, por isso mesmo, ser respeitado.

E você já se sente respeitado como ator?
A gente nunca sabe onde vai chegar. Na minha vida, nunca planejei nada. Não ambicionei o sucesso. Tudo aconteceu por acaso. Mas ainda não me considero um grande ator. Quem pensa assim, não se aperfeiçoa nunca. Sei que ainda tenho muito o que aprender.

O Quinto dos Infernos é o seu quarto trabalho com o Carlos Lombardi. A que você atribui sua bem-sucedida parceria com ele?
Aprendemos muito um com o outro, todos os dias. O Wolf também é um grande colega de trabalho. Ele não se preocupa em mostrar que é o comandante da embarcação e tem o leme nas mãos. Dá oportunidade a todos e adora ouvir opiniões. O Lombardi também é assim. E eu também tenho este tipo de postura. É por isso que a nossa parceria dá tão certo. Somos três cabeças pensando juntas. Isso sem falar que a convivência facilita as coisas. Já sabemos quando fulano ou sicrano está num mau dia só de olhar para ele.

Você esperava que a novela Uga Uga, escrita pelo Carlos Lombardi e dirigida por Wolf Maya, fizesse tanto sucesso nos Estados Unidos?
Eu esperava que "Uga Uga" fosse arrebentar desde a primeira vez que li a sinopse. Por isso mesmo, eu, o Lombardi e o Wolf brigamos muito para colocar essa novela no ar. Várias pessoas dentro da emissora queriam vetá-la. Insistimos para que Uga Uga fosse exibida. E não me arrependo disso. Hoje, a novela é um dos maiores sucessos de exportação da Globo. E digo mais: o Lombardi tem tudo para repetir o sucesso com a minissérie O Quinto dos Infernos. Temos de mostrar ao mundo inteiro que continuamos sendo o número um em teledramaturgia.

Vida de artista

Humberto Martins penou um bocado até descobrir sua verdadeira vocação. Antes de enveredar pela carreira de ator, vendeu peixe, trabalhou em padaria e fabricou pias. Trabalhou também em bancos, marcenarias e lojas de material de construção. Caçula de cinco irmãos, nasceu e cresceu em Nova Iguaçu, no subúrbio do Rio. Desde pequeno, foi obrigado pelo pai a ganhar o próprio dinheiro. Chegou a vender picolé nos trens da Central do Brasil. Mais adiante, cursou três faculdades, mas não concluiu nenhuma: Educação Física, Engenharia Mecânica e Administração. "Meu pai disse que eu teria de correr atrás se quisesse ser alguém na vida. Foi o que eu fiz", relembra.

Anos depois, Humberto já trabalhava como diretor de uma fábrica de lavatórios quando cedeu aos apelos da namorada para fazer uma sessão de fotos. Ana Lúcia Mansur, mãe dos dois filhos do ator - Tamires, de 12 anos, e Humberto, de 4 -, acreditava que o futuro marido pudesse deslanchar na carreira de modelo. Por conta disso, ele se matriculou num curso, fez aulas de teatro e se apaixonou pela arte de representar. Participou de 11 peças amadoras e duas profissionais antes de estrear na Globo em Sexo dos Anjos, de Ivani Ribeiro. "Meu pai foi o único a me dar força. Todos os outros me ironizavam. Hoje, eles são obrigados a me engolir", confessa, usando a expressão "zagalliana" para expressar a ponta de mágoa.

O sucesso na tevê, porém, só aconteceu em Barriga de Aluguel, de Glória Perez, onde interpretava o caminhoneiro João. De lá para cá, fez seis novelas e quatro minisséries. No cinema, só estreou em 97, quando incorporou o protagonista de Tiradentes, de Oswaldo Caldeira. No filme, o ator se aproveitou do fato de Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, ser considerado um militar valentão para conferir ao Mártir da Inconfidência uma conotação mais destemida que a usual. E mais viril também, já que, segundo o diretor, Tiradentes era freqüentador assíduo de bordéis. "O Caldeira pesquisou a vida de Tiradentes por seis anos. Não me preocupei em criar. Fiz apenas o que ele queria que eu fizesse", admite.

Tempos difíceis

Desde criança, Humberto Martins desenvolveu uma insuspeita habilidade para os esportes. Ele já praticou de natação e basquete a skate e motocross. De tempos em tempos, se dedica a alguma modalidade mais incomum. Há anos, passou a competir em regatas. Atualmente, pratica o golfe. Sempre que pode, aproveita um intervalo nas gravações para arriscar umas tacadas no Golf Club do Rio de Janeiro. Uma dieta balanceada também é indispensável para manter a boa forma do ator: 88 quilos para 1,81 m de altura. Por isso, evita também carne vermelha e açúcar. "Pratico esportes para aliviar o estresse e ficar de bem comigo mesmo", filosofa.

Além da prática de esportes, Humberto também alivia o estresse com muita oração. Ele busca respostas na doutrina religiosa do pensador espírita francês Allan Kardec para tentar explicar alguns reveses da vida. O fracasso da peça "Beata Maria do Egito" foi um deles. Depois de acalentar o sonho por três anos, Humberto viu o sonho de produzir um espetáculo teatral ir por água abaixo por problemas financeiras – chegou a estrear, mas não ficou nem duas semanas em cartaz. Na ocasião, o ator ficou tão abalado que quase recusou o convite do autor Antônio Calmon para fazer o delegado Chico, de Corpo Dourado. "Só fiz a novela porque queria descarregar os problemas no trabalho", confessa.

O que já era difícil ficou ainda pior quando Humberto perdeu o maior incentivador de sua carreira. Quando seu pai faleceu, o ator estava trabalhando. "Nem fui à missa de sétimo dia. Mas foi bom porque o trabalho me ajudou a superar aquela perda", minimiza. Por essas e outras, Humberto também procura incentivar a filha mais velha, Tamires, a seguir a carreira de atriz. Às vezes, leva a menina até os estúdios do Projac, na Zona Oeste do Rio. Ela já participou até de uma seqüência do filme Tiradentes, protagonizado pelo pai. "Não quero que ela comece a trabalhar cedo e deixe de aproveitar a infância. Já passei por isso e sei o quanto é difícil", garante.

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André Bernardo
TV Press

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