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Segunda, 07 de janeiro de 2002, 15h07
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Parte do elenco com o diretor Wolf Maia Foto: Luiza Dantas/Carta Z Notícias
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» Humberto Martins volta como herói sensual em O Quinto dos Infernos » Saiba quem é quem em O Quinto dos InfernosQuando desembarcou no Brasil, Carlota Joaquina não gostou nada do que viu. Entre outros impropérios, a princesa disse que aquele pedaço de terra parecia mais o quinto dos infernos. Depois de ler dezenas de livros e teses de História, o autor Carlos Lombardi resolveu batizar sua primeira minissérie com um dos xingamentos de Carlota Joaquina. Com estréia para o dia 8, O Quinto dos Infernos é uma comédia que narra, em 44 capítulos, os bastidores da História do Brasil, desde a chegada da família real em 1808 até o regresso de D. Pedro para Portugal, 25 anos depois. "Este é o trabalho mais difícil da minha vida. Por se tratar de uma obra de época, me sinto um pouco tolhido. Arranjei sarna para me coçar", brinca Lombardi. Para dar mais movimentação à trama, Lombardi misturou personagens fictícios aos reais. De um lado, ele narra o desembarque de D. João VI, Carlota Joaquina e mais uma comitiva de 15 mil acólitos na terra descoberta por Pedro Álvares Cabral. De outro, relata o idílio entre Chalaça e Manoela, papéis de Humberto Martins e Danielle Winits. "Os dois logo transam, mas Chalaça acha que Manoela morreu num incêndio e viaja para o Brasil. Como acredita que o sujeito só quis usá-la, ela vai atrás dele disposta a se vingar", adianta Danielle. Carlos Lombardi não teve dificuldade em fechar o elenco. Na hora de selecionar os atores, optou por aqueles que considera como "curingas". Humberto Martins e Betty Lago, que interpretam Chalaça e Carlota Joaquina, são dois deles. Se depender de Lombardi, o diretor Wolf Maya, o mesmo de Uga Uga, também ingressa neste seleto grupo. "A História do Brasil já foi contada de muitas formas. O diferencial de 'O Quinto' é que vamos mostrar fatos e curiosidades que muitos jamais ouviram falar", promete o também diretor das minisséries Desejo e Hilda Furacão, ambas de Glória Perez. De fato, o jornalista e escritor Eduardo Bueno, autor dos livros Viagem do Descobrimento e Náufragos, Traficantes e Degredados, garante que a História real pouco ou nada tem a ver com a História do currículo escolar. Convidado para participar de um "workshop" promovido pela Globo, ele acredita que o período abordado na minissérie oferece todos os elementos para uma trama para lá de bem-humorada. "Dona Maria era louca, Carlota Joaquina, ninfomaníaca e D. Pedro, mulherengo e beberrão. Não é um prato cheio?", indaga, jocoso. Nada disso, porém, é garantia de audiência. Depois do fiasco de Os Maias, de Maria Adelaide Amaral, Presença de Anita, de Manoel Carlos, conseguiu reerguer o combalido horário de minisséries da Globo. Para manter o telespectador acordado até as 23 h, Lombardi pretende lançar mão dos mesmos recursos que Manoel Carlos: pouca roupa e cenas tórridas. "Cena íntima é sempre constrangedora", confessa Humberto, um dos "curingas" do autor. Nem tudo, porém, tem saído conforme o esperado. Um corte no orçamento impediu que as primeiras cenas fossem rodadas no Palácio de Queluz, em Portugal. O jeito foi transferir a gravação para Bento Gonçalves, no Rio Grande do Sul. O aperto no cinto na Globo fez o orçamento de O Quinto dos Infernos ser o mesmo de uma novela: R$ 100 mil por capítulo. Normalmente é o dobro. "Mas a minissérie tem a maior cara de superprodução. A cidade cenográfica é uma das maiores já construídas no Projac", valoriza Wolf. O diretor realmente esbanja confiança no projeto. Com exceção do ator Luiz Gustavo - que não pôde fazer D. João VI -, todos os convidados confirmaram participação. Até mesmo atrizes bissextas no vídeo, como Bruna Lombardi e Luana Piovani. A primeira não atua na Globo desde O Fim do Mundo, de Dias Gomes, em 1996. "'O Quinto' apresenta um requinte extraordinário. Parece até que estou em Hollywood", exagera Bruna. Luana Piovani também volta à Globo depois de uma rápida e malsucedida passagem pela MTV. Na minissérie, a atriz vai interpretar o mesmo papel que Maitê Proença desempenhou na extinta Manchete. "Fico toda prosa só de saber que o Lombardi escreveu a Marquesa de Santos pensando em mim. Não poderia ter voltado em melhor hora", derrama-se, mostrando uma surpreendente humildade. Intrigas reais Personagens controvertidos não faltam em O Quinto dos Infernos. Segundo Eduardo Bueno, D. João VI tinha o hábito de cumprimentar as pessoas com a mesma mão com que coçava as partes íntimas. Já Carlota fumava "diamba", uma espécie de planta alucinógena, que descobriu com escravos. De todos os personagens, porém, o mais polêmico é D. Pedro. Lombardi conta que D. Pedro vinha da casa dos Andradas, onde almoçou uma "porcada" - espécie de buchada de porco - quando começou a passar mal. Ao receber, às margens do Ipiranga, a carta que relatava os problemas que vinham acontecendo na corte, resolveu gritar "Independência ou Morte!" ali mesmo. "E o grito saiu quando ele estava com as calças na mão", jura. As bazófias de D. Pedro I não teriam parado por aí. Ainda segundo Bueno, o imperador se casou duas vezes, mas teve várias amantes. A primeira das mulheres foi Leopoldina e a segunda, D. Amélia, interpretadas por Erika Evantini e Cláudia Abreu, respectivamente. Já a mais famosa das amantes foi Domitila, a Marquesa de Santos. "Ele sofria de compulsão sexual, transava muito. Chegou até a engravidar uma freira", garante Eduardo. Na minissérie, o "faminto" imperador é interpretado por Marcos Pasquim. O ator, porém, garante que não sabia que D. Pedro lutava capoeira nem que era mulherengo. "Devo ter faltado a essas aulas...", debocha. Instantâneas # O diretor Wolf Maya decidiu abolir os sotaques. "Achei que fosse dificultar a compreensão", esclarece. Só Betty Lago vai ter um leve sotaque espanhol. # O Quinto dos Infernos está sendo livremente inspirada nos livros A Imperatriz no Fim do Mundo, de Ivani Calado, e O Chalaça, de José Roberto Torero. # A cidade cenográfica que reproduz o Rio de Janeiro do Século XIX foi construída com uma peculiaridade: todos os telhados estão preparados para gravar cenas de luta e fuga, uma das características de Carlos Lombardi. # Boa parte do elenco teve aulas de etiqueta, prosódia, equitação, canto, esgrima e capoeira. Daniele Winits chegou a aprendeu a preparar doces portugueses. # Na cena que reproduz o desembarque da família real portuguesa no Brasil, as maquetes das naus vão ser inseridas na imagem através de computação gráfica. # O produtor musical da minissérie, Márcio Lomiranda, optou por uma trilha mais pop, com direito a Ney Matogrosso, Lisa Stansfield e Elis Regina. A música clássica vai ficar restrita às cenas de baile.
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André Bernardo TV Press
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