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Tony Ramos volta a mudar o visual para As Filhas da Mãe

Sexta, 24 de agosto de 2001, 21h59

Foto: Luiza Dantas/Carta Z Notícias

Tony Ramos é um camaleão. Diante do seu visual para viver o emergente empresário Manolo Gutierrez, em As Filhas da Mãe, se constata que o novo personagem não vai lembrar em nada o barbudo livreiro Miguel de Laços de Família. Tão pouco o emagrecido artesão Clementino, de Torre de Babel. Ou mesmo qualquer um das duas dezenas de tipos que já encarnou em 37 anos de tevê. "Sou um ator que arrisca. E o Silvio de Abreu apostou nisso", fala sem modéstia. O que Tony chama de arriscar é não ter medo de mudar o próprio visual para se adaptar a determinado papel. Para viver o cafona Manolo, por exemplo, o ator deixou crescer a unha dos mindinhos, escondeu os cabelos brancos e cultivou grandes costeletas. "Me chamaram de Elvis Presley nas gravações nos Estados Unidos", conta.

O ator prevê pela frente uma comédia rasgada. Seu personagem é um cubano, criado em São Paulo entre espanhóis, portugueses e italianos. Dono de hábitos estranhos, Manolo se excita ao ser chamado de "Seu Nacib" e ver a namorada Aurora, papel de Cláudia Ohana, imitar a Gabriela de Jorge Amado. O personagem é sócio do resort Jardim do Éden e dono de um bingo. Mas mesmo com um papel divertido nas mãos, Tony confessa que tanto faz, pois sua empolgação é a mesma. "Me interessa é a emoção que o personagem transmite", afirma.

O ator também vai poder ser visto na tela grande. No dia 31 de agosto, Bufo & Spallanzani, de Flávio Tambellini, estréia nacionalmente. Por sua atuação como o sagaz inspetor Guedes, um policial honesto que mora em um conjugado de Copacabana, Tony arrematou o Kikito de Ouro de "melhor ator" e o prêmio de "ator coadjuvante" no Festival de Cinema Brasileiro de Miami. Mesmo incensado pelos prêmios, o ator não perde um dos seus traços característicos: a humildade. "Aprendi com colegas mais velhos a manter os pés no chão. Não me deixo deslumbrar", ensina o ator, que acaba de completar 53 anos.

Você capricha na composição de seus personagens, como fez com o Manolo, mas não faz laboratório. Por quê?
Olha, como dizia o Marcello Mastroianni, eu faço o meu louco. Não preciso ir para um hospício para me inspirar. Tecnicamente, se precisar, se consulta um médico para saber se tenho de ter determinada reação física ou não. Só. Mas a alma do meu personagem quem faz sou eu. Sigo esta escola com muita propriedade.

Você chegou a este estilo no decorrer dos quase 40 anos de carreira ou sempre foi assim?
Desde moleque, quando escolhi como meu ídolo o Totó, um dos maiores atores do cinema e teatro italiano. A partir daí, sempre tive eles como mestres, além de Marcelo Mastroianni e os admiráveis Oscarito e Grande Otelo. Pena que a juventude não resgate a importância desta dupla para a dramaturgia brasileira. Outros atores me influenciaram, como Paulo Autran, Luís Gustavo, Ary Fontoura, e muitos outros que vou esquecer.

Como você chegou no visual do Manolo?
Conversando com o Silvio de Abreu. Ele me disse que o personagem era cubano, porém sem sotaque. Veio com sete anos para o Brasil. A avó mística, vivida por Cleyde Yacones, o criou entre espanhóis, portugueses e italianos. Então fui criando o tipo. Ele também é supersticioso, adora ritmos fortes e roupas coloridas. Já a costeleta é uma homenagem aos latinos.

Não tem a ver com o Elvis?
Isso foi algo surpreendente que aconteceu em Las Vegas. Ao descer do elevador para uma locação em um cassino, todo paramentado, com uma roupa de seda verde e camisa preta, penteado, com sapato xadrez, um casal olhou e disse: "você se parece com Elvis". Fiquei constrangido e o Jorge explicou que era uma cena para a novela. Quando chegamos no cassino, todos perguntavam se era uma performance de Elvis. Aquilo nos criou um ruído e imediatamente o Jorge falou com o Silvio. A vantagem de uma obra aberta é poder mudar os personagens, desde que seja pertinente. Dentro dos ritmos latinos, é pertinente ele gostar de Elvis. Com isso, o Silvio prepara uma surpresa no decorrer da novela.

Depois que já tem o perfil do personagem definido, você parte para onde?
Fui ouvir as novas gravações dos músicos cubanos e também revi o Buena Vista Social Clube, de Win Wenders. Comecei a perceber também que teria de trabalhar com outras cores, mais paulistas, do que aquelas que ele tinha o hábito de usar na infância. Fui agregando fatores, como o seu misticismo. Já as unhas foi um 'insight' dos figurinistas. Pediram para eu usar unha postiça, com a idéia de resgatar o hábito de homens da década de 50 que deixavam a unha crescer. Topei, mas preferi não usar postiça. Me incomoda. Também pintei os fios brancos das costeletas que cultivei. Ando assim na rua. Paciência.

É mais animador saber que tem pela frente uma comédia do que um dramalhão?
Para mim é tudo igual. Há uma mística de que fazer drama é complicado, que a densidade faz com que o ator mergulhe na depressão e fique cansado. Falam que fazer comédia deixa você mais solto. Para mim isso é tudo balela. A comédia cansa tanto quanto o drama. Fazer humor não é fácil. Os tempos e pausas dramáticas têm de ser precisos. O que me interessa em um personagem é a emoção que ele pode transmitir a quem assiste. Se você não fizer com emoção e com verdade, o cidadão do outro lado da tela não vai acreditar.

Mas isso não é por uma característica sua, de não se deixar envolver pelo personagem?
Talvez. Para mim os personagens ficam na roupa. A escola inglesa de teatro é a que mais gosto. O ingleses conseguiram uma coisa preciosa: brincar de trabalhar com dramaturgia. Levar a sério quando se faz, porém, não se levar a sério. E nunca me levo a sério ou me coloco em um pedestal. Apenas trabalho no que gosto. Só. Este trabalho é interpretar, fazer de conta. O inglês é muito bom para isso. "To play", ou seja, brincar com os personagens. E concentrar toda a emoção no drama, comédia ou tragédia. O resto é com o público. Quando saio das gravações, deixo a roupa no camarim e entro no meu carro, não há a menor possibilidade de confundir as bolas e sair por aí dançando rumba como o Manolo.

Você sempre teve este equilíbrio?
Sempre. Fui muito prevenido pelos mais velhos da minha profissão e eu, felizmente, ouvi muito os então veteranos já na época que comecei. E sempre segui a máxima de que "o sucesso anda ao lado do fracasso e o fracasso ao lado do sucesso". É importante saber que o chão é chão e teu pé é que anda neste chão. Portanto, aprendi isso desde quando comecei. Também fui criado por uma família que nunca me permitiu deslumbrar-se com a vida.

Você também conseguiu não ficar estigmatizado como um ator de um tipo apenas de personagem. Foi planejado?
Não. Aconteceu naturalmente. Já fiz de tudo e sou muito grato a ventura desta profissão ter me dado isso. Nunca fui de ficar escolhendo horário. Para mim não importa. Insisto que para mim o que importa é o projeto e o trabalho. Me interesso por bons personagens. Mas não fico procurando personagens. Gosto de ser surpreendido pelos projetos. Claro que se um personagem for muito parecido não vou fazer. Mesmo porque nos 25 anos como contratado da Globo, já fiz muita coisa e nunca fui obrigado a nada. Se alguém me perguntar porque topei voltar a fazer uma novela logo depois de "Laços de Família", diria que se passaram seis meses e achei que estava de bom tamanho. O ideal seria fazer uma novela a cada 18 meses. Mas se o projeto é bom, topo na hora, mesmo se tiver saído há poucos dias de uma produção.

Como foi ter ganho o Kikito de Ouro em Gramado e o prêmio de ator coadjuvante em Miami por sua atuação no Bufo & Spallanzani?
Foi uma surpresa que me enche de responsabilidade pelo meu público. Tenho que agradecer ao Tambellini por ele ter acreditado em mim para o papel do Guedes. O que me diz este prêmio é que meu espaço está em todos os lugares. Não só na tevê. Curto a alegria, mas filtro, porque amanhã há de se matar outro leão.

Bufo & Spallanzani tem atores com carreira de sucesso na tevê. O cinema está sendo influenciado pela televisão?
Não. O ator, por questões de subsistência, vai à tevê. Mas o ator é ator no teatro, cinema ou tevê. Não interessa se é global, "sbtal" ou "recordal". O objetivo deveria ser aumentar a auto-estima do brasileiro. No México, a imprensa coloca o cinema deles lá em cima. Na França, Itália... Claro que existem críticas e ninguém tem de ficar de beicinho por causa disso. Faz parte. O importante é fomentar o mercado e exibir nos cinemas brasileiros, filmes brasileiros.

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    Rodrigo Teixeira
    TV Press

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