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Polícia investiga possível fraude na recuperação judicial do Vasco

Polícia apura possível fraude a credores após valor do crédito de ex-jogador passar de cerca de R$ 2,5 milhões para mais de R$ 8 milhões no processo do Vasco.

12 set 2026 - 09h39
(atualizado às 09h39)
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Resumo
A Polícia Civil do RJ investiga suposta fraude na recuperação judicial do Vasco envolvendo a dívida com o ex-jogador Max, que saltou de R$ 2,5 milhões para R$ 8 milhões. O inquérito apura conflito de interesses de Alan Belaciano, presidente da Assembleia Geral do clube e ex-advogado do atleta na ação. Há versões divergentes entre ex-dirigentes e a administradora judicial sobre a inclusão do montante contestado. O presidente Pedrinho e outros envolvidos serão ouvidos nas próximas semanas.
Camisa do Vasco.
Camisa do Vasco.
Foto: Matheus Lima/Vasco / Esporte News Mundo

A recuperação judicial do Vasco é alvo de uma investigação da Polícia Civil do Rio de Janeiro por uma possível fraude contra credores. O caso envolve o crédito do ex-jogador Max, que defendeu o clube no início da década de 2010, e também a participação de Alan Belaciano, atual presidente da Assembleia Geral do Vasco.

O inquérito é conduzido pela Delegacia de Defraudações e foi instaurado em maio. Entre os pontos analisados está a evolução do valor atribuído ao crédito de Max no processo de recuperação judicial. O Vasco questionou a quantia apresentada e apontou uma diferença significativa entre os valores inicialmente considerados e os que passaram a constar no processo.

Segundo informações do ge, o crédito teria saído de aproximadamente R$ 2,5 milhões para mais de R$ 8 milhões. A Polícia investiga se houve uma tentativa de inclusão ou cobrança de um valor que não estaria devidamente consolidado.

Max já prestou depoimento às autoridades. O ex-lateral afirmou que seus atuais advogados, Sergio Aguiar e Moisés Gleicher, informaram sobre um valor próximo de R$ 8 milhões relacionado à ação movida contra o Vasco em 2016. No entanto, devido aos limites estabelecidos pela recuperação judicial, ele teria direito a receber cerca de R$ 5 milhões.

Relação de Belaciano com o ex-jogador entra na investigação

A participação de Alan Belaciano passou a ser analisada devido à relação profissional que o dirigente manteve anteriormente com Max. Belaciano era advogado do jogador quando ele ingressou com uma ação contra o Vasco, em 2016.

Posteriormente, a defesa passou para Moisés Gleicher. Ainda assim, segundo o depoimento de Max, Belaciano participou de audiências relacionadas ao processo em 2017 e 2019, a pedido do próprio ex-jogador.

A investigação busca esclarecer se Belaciano manteve alguma atuação no caso depois de assumir uma posição dentro do Vasco ou se houve algum tipo de manobra para que continuasse participando das tratativas.

O assunto também provocou questionamentos entre sócios do clube. Em uma manifestação anterior, Belaciano afirmou que não participou da elaboração, negociação ou aceitação de acordos com credores.

Versões diferentes sobre o crédito

O inquérito já ouviu pessoas que tiveram participação na administração do Vasco e no processo de recuperação judicial.

Carlos Amodeo, ex-CEO do clube, e Bianca Reis, ex-diretora jurídica, relataram à Polícia que foram alertados sobre uma possível irregularidade relacionada ao fechamento do balanço de 2025. Segundo os dois, o crédito de aproximadamente R$ 8 milhões teria sido incluído nos autos pelo próprio credor.

A versão apresentada pela representante da administradora judicial, entretanto, é diferente.

Adriana Zamponi, da Wald Administração de Falências, afirmou que Vasco e SAF reconheciam valores próximos de R$ 7,9 milhões como incontroversos. Havia, porém, divergências relacionadas a verbas previdenciárias e Imposto de Renda. Após novos cálculos, a administradora judicial chegou a um montante próximo de R$ 8 milhões.

A mudança de posicionamento do clube e da SAF em relação ao crédito passou a ser outro ponto analisado pela Polícia.

Conselho Fiscal apontou possível conflito de interesses

O caso também foi citado em uma manifestação do Conselho Fiscal da SAF. O órgão questionou a participação de Belaciano nas negociações com credores, considerando seu histórico como advogado trabalhista em ações anteriores contra o Vasco.

O Conselho Fiscal apontou a possibilidade de conflito de interesses e defendeu que a situação fosse analisada pelos órgãos de governança do clube.

Além do caso envolvendo Max, o Vasco e a SAF tentam contestar outros seis créditos dentro da recuperação judicial. Somados, os sete casos questionados pelo clube representam cerca de R$ 10,8 milhões.

Polícia ainda vai ouvir Pedrinho

Além de Max, Carlos Amodeo, Bianca Reis e representantes da administradora judicial, outras pessoas ligadas ao caso deverão prestar esclarecimentos.

Alan Belaciano já foi intimado anteriormente e deverá ser chamado novamente. O advogado Moisés Gleicher também foi convocado, mas ainda não prestou depoimento.

O presidente do Vasco, Pedrinho, também será ouvido pela Polícia Civil antes da conclusão do inquérito, prevista para as próximas semanas.

O Esporte News Mundo procurou Alan Belaciano para comentar a investigação, sua participação no processo e os questionamentos envolvendo o crédito de Max. Até o momento da publicação, o dirigente não havia respondido.

Esporte News Mundo
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