'Seria um sonho voltar aqui como profissional', diz Luís Guto após vencer torneio juvenil de Roland-Garros
Após conquistar um título inédito para o Brasil, o jovem tenista goiano não esconde a ambição de voltar ao saibro parisiense no ano que vem para disputar o torneio como profissional.
Elcio Ramalho, de Roland-Garros
Luís Guto Miguel cresceu assistindo a Novak Djokovic, mas tem como ídolo e inspiração seu compatriota João Fonseca, apenas dois anos mais velho, e que chegou às quartas de final do Grand Slam parisiense nesta edição.
"O que ele está fazendo é incrível, o que o Fonseca conquistou esta semana. E agora acho que fiz um pouco mais pelo Brasil neste momento. Acho que o Brasil está vivendo um bom momento novamente", afirmou o jovem após a partida, sem deixar de mencionar o histórico do país no torneio com Gustavo Kuerten.
Com o título inédito do goiano, o primeiro brasileiro a erguer o troféu juvenil do torneio parisiense, Luís Guto garantiu a 37ª vitória de brasileiros na edição deste ano de Roland-Garros, a melhor campanha do país em Grand Slams, superando as 26 vitórias durante o US Open, em 2014.
Ele tem consciência de que sua conquista deve inspirar outros jovens tenistas, mas seu recado é firme e direto: "Eu acho que estou mostrando para a galera mais jovem brasileira que é possível trabalhar duro, acreditar no processo e nos treinadores", afirma.
Ele aconselha ainda a não se incomodar com eventuais críticas que surgem na mídia e a "não ficar ligando para o que os outros falam de você e tudo mais". "É possível, é um sonho que não é muito distante, mas é difícil de conquistar", acrescenta.
Trajetória
Luís Guto começou a jogar tênis em Goiânia e mudou-se para Brasília aos 14 anos para investir na carreira. Ele atribui seu progresso ao trabalho realizado com seus dois treinadores, Santos Dumont, que ficou no Brasil, e Kike Granjero, que acompanhou a final da arquibancada e a quem o tenista dedicou a vitória.
Guto comentou que seus treinadores muitas vezes se referem ao seu estilo como o do espanhol Carlos Alcaraz.
"O meu físico é um pouco parecido com o do Alcaraz. Claro, ainda estou muito longe do nível dele. Mas eu acho que a inspiração não vem tanto do tipo de jogo do jogador, e sim da personalidade dele", afirmou.
Para o jovem tenista, o título não vai representar uma grande mudança em sua personalidade, mas prevê uma nova visibilidade.
"Acho que, como pessoa, não, mas, como jogador, ganho um pouco mais de respeito no circuito. E também muda um pouco para mim a confiança: eu confiar mais em mim, achar maneiras de jogar, me encontrar, encontrar o Guto dentro de quadra."
Confiança no 'trabalho duro'
De Paris, Luís volta ao Brasil, onde deve continuar a celebrar sua conquista, mas já com o foco voltado para os próximos passos de sua promissora carreira.
"Estou muito feliz, aproveitando o momento, mas mantendo a humildade, porque temos muito a fazer", afirmou.
"Seria um sonho voltar aqui no ano que vem jogando como profissional, mas, como eu falei, é preciso colocar muito trabalho duro, manter os pés no chão, aproveitar o momento agora, mas viver tudo passo a passo dessa trajetória, porque essa transição não é fácil. Trabalho duro é a chave do processo", insiste.
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