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Djokovic vence na Justiça australiana, mas ainda pode ser deportado

O sérvio ganhou, através de decisão juiz federal do Anthony Kelly, o direito de entrar no país e disputar o Aberto da Austrália. Kelly considerou a decisão de barrar o tenista "desproporcional"

10 jan 2022 04h15
| atualizado às 09h23
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A apelação de Novak Djokovic à Justiça australiana após ter sido barrado na sua chegada em Melbourne deu certo. Em audiência realizada nesta segunda-feira, o sérvio ganhou, através de decisão do juiz federal Anthony Kelly, o direito de entrar no país e disputar o Aberto da Austrália. Ele considerou a decisão de barrar o tenista "desproporcional".

O juiz ordenou que Djokovic fosse libertado em 30 minutos e que seu passaporte e outros documentos pessoais fossem devolvidos a ele, reacendendo a oferta do número um do mundo para ganhar o 21º título de Grand Slam recorde no próximo Aberto da Austrália.

O advogado do governo australiano, Christopher Tran, no entanto afirmou que, mesmo com a decisão, o ministro de Imigração, Cidadania, Serviços a Imigrantes e Relações Multiculturais, Alex Hawke, pode usar seus poderes especiais para cancelar o visto e deportar Djokovic. Caso isso aconteça, o sérvio pode ficar sem poder entrar no país por três anos.

JUSTIÇA

O governo australiano ainda tentou protelar o julgamento, pedindo à Justiça o adiamento da audiência para quarta-feira, mas o juiz Anthony Kelly negou. A tentativa ocorreu no sábado, após os advogados do tenista apresentarem documentos - um teste PCR realizado no Instituto de Saúde Pública da Sérvia - que provariam que ele testou positivo para covid-19 no dia 16 de dezembro, situação que, segundo a defesa, daria permissão para entrar na Austrália sem estar vacinado.

O problema é que, se o adiamento fosse concedido, Djokovic perderia o prazo para confirmar sua presença no Aberto da Austrália - começa dia 17 e vai até o dia 30. Kelly considerou que tal situação poderia causar dano irreversível ao tenista sérvio.

Djokovic estava retido na Austrália desde a manhã de quinta-feira. Ele chegou ao país na noite da véspera, mas acabou barrado no aeroporto ao apresentar um atestado de isenção de vacina, que não foi reconhecido como válido pelas autoridades.

De acordo com documentos apresentados ao Tribunal Federal, Djokovic foi questionado por 20 minutos sobre as provas para sua isenção da vacina. Depois de 4 horas, os agentes consideraram que ele não tinha provas suficientes. O tenista pediu para descansar antes de acionar seus advogados. Mas às 7h42 de quinta-feira foi acordado e comunicado do cancelamento do visto.

Depois de ficar cerca de oito horas no aeroporto e ter seu visto cancelado, ele foi colocado em um hotel especial da imigração australiana, reservado a refugiados, onde esperou a audiência. Os defensores do tenista e a primeira-ministra da Sérvia, Ana Brnabic, chegaram a pedir à Justiça australiana que ele pudesse ficar no imóvel que alugou para o período do Aberto da Austrália.

A solicitação foi negada. Brnabic ao menos assegurou que Djokovic recebesse alimentação sem glúten e alguns aparelhos para que pudesse se exercitar no hotel.

CATIVEIRO

A negativa a Djokovic em deixar o Hotel Park, porém, fez aumentar a irritação do pai do atleta. "Eles crucificaram Jesus e agora estão tentando crucificar Novak da mesma forma, forçando ele a ficar de joelhos. Eles levaram todas as suas coisas e sua carteira. Ele é um prisioneiro'', bradou Srdjan Djokovic, conhecido por suas declarações polêmicas.

O governo sérvio também protestou e o caso acabou ganhando forte conotação política. O presidente da Sérvia, Aleksandar Vucic, disse na quinta-feira que Djokovic estava sendo vítima de "uma perseguição política, da qual participam todos, incluindo o primeiro-ministro da Austrália (Scott Morrison), fingindo que as regras são válidas para todos".

Ao mesmo tempo, em manifestações em Belgrado e na porta do hotel em Melbourne onde o tenista está retido, seus fãs criticavam o autoritarismo australiano pediam para que o cancelamento do visto fosse anulado e que a permissão especial para que ele entrasse no país para disputar o Aberto da Austrália - concedida pelo do governo estadual de Victoria atendendo à organização do torneio - fosse revalidada.

Mas o governo do país manteve sua posição. "O visto do Sr. Djokovic foi cancelado. Não há casos especiais, regras são regras, principalmente quando se trata das nossas fronteiras. Ninguém está acima destas regras. Nossa rígida política de fronteira foi essencial para a Austrália apresentar um dos menores índices de morte por covid-19 no mundo'', rebateu Morrison, criticado pelos australianos pela maneira como o governo estava conduzindo o caso.

Ainda assim, a pressão dos fãs australianos do tenista prosseguiu. Ontem, nova manifestação ocorreu na porta do hotel. Novak Djokovic agradeceu o apoio.

Estadão
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