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Tênis

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Após despejo, FPT é acusada de "roubo" na antiga sede

25 set 2009 - 19h39
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O terreno e o prédio que abrigaram a sede da Federação Paulista de Tênis (FPT) nos últimos dez anos já estão sob o controle do Estado. Na tarde desta sexta-feira, Paulo Campos, presidente da entidade, e Eduardo Anastasi, diretor do Complexo Constâncio Vaz Guimarães, formalizaram a transferência com a presença de um oficial de justiça no imóvel da Rua Abílio Soares, na mesma área que engloba o Ginásio do Ibirapuera.

Após formalizar a documentação, os representantes do Estado vistoriaram o prédio de dois andares e as imediações. Durante a inspeção, foi constatada a ausência de alguns equipamentos, como os postes de iluminação das três quadras de saibro e alguns trechos de fiação, além da caixa d''água e da bomba d''água que ficavam ao lado dos vestiários. Os responsáveis pelo Complexo preparam um laudo para lavrar Boletim de Ocorrência na 36ª Delegacia de Polícia, o que deve ser feito na próxima segunda-feira.

"Isso é roubo. Não adianta. Mas não faz mal. O que eles tinham é que devolver o prédio", declarou Anastasi, acompanhado por seguranças e bombeiros. Os representantes do Estado fotografaram o local com uma máquina digital e recolheram os dados de um dos presentes para usar como testemunha. O diretor do Complexo garantiu que a sede ainda não tem uma destinação definida e prometeu retomar as atividades em breve com cursos de tênis gratuitos. Por enquanto, o local será fechado com cadeados e as quadras, interditadas.

Paulo Campos, presidente da FPT, assegura ter retirado apenas os itens que a própria entidade adquiriu. "Eu respondo por tudo e não fiz nada de errado. Só peguei o que era da Federação e tenho as notas fiscais. Eu não levei um palito que não fosse da Federação. Ainda assim, levei só uma parte, porque o prédio e um monte de coisas, deixei lá", declarou o mandatário, dono de uma empresa que fabrica quadras de tênis. A partir de segunda-feira, a entidade passa a funcionar na Rua Uruana, nº 139, na Vila Mariana.

Na manhã desta sexta-feira, enquanto um caminhão de mudança esperava no estacionamento, alguns praticantes chegaram a usar as quadras. Por volta das 16h, na quadra mais afastada da sede, o dentista Luís Coelho, 54 anos, e o consultor Guaraci Silveira, 56 anos, cumpriam a rotina de terminar a semana com um bate-bola. A dupla costumava jogar até às 18h, mas desta vez teve as atividades interrompidas de forma prematura.

"A pena é que o Estado não vai fazer nada para arrumar e manter essas quadras", lamentou Coelho, já com a raqueteira nas costas para deixar o local. "Temos que procurar outra quadra. Se não procurarmos, não vamos mais jogar", completou Silveira. Segundo Anastasi, o Instituto dirigido pela ex-tenista Vanessa Menga, que já comandou as atividades no local anteriormente, será responsável por administrar as aulas gratuitas.

O terreno foi cedido à FPT pelo Governo do Estado em 1996. De acordo com a entidade, que ocupou a sede no dia 14 de dezembro de 1998, foram investidos R$ 350 mil em recursos próprios na construção do prédio e na reforma das três quadras. No último dia 15 de setembro, um oficial de justiça visitou o imóvel e notificou Paulo Campos sobre o despejo. Na ocasião, o presidente da entidade ganhou 10 dias para desocupar o local, prazo que expirou às 16h desta sexta-feira.

Depois da notificação, a FPT realizou uma Assembléia Geral Extraordinária. Ainda na antiga sede, Paulo Campos explicou a situação e recebeu apoio do Esporte Clube Sírio, do São Caetano Esporte Clube, do Clube Atlético Monte Líbano, do Tênis Clube Paulista, do Sport Club Corinthians Paulista, do C.A. Ypiranga, do Círculo Militar de São Paulo, do São Paulo Futebol Clube, do Esporte Clube Pinheiros, Liga Campineira de Tênis, da Associação Brasileira A Hebraica e do Clube Ipê. O São Paulo e o Círculo Militar ainda colocaram seus departamentos jurídicos à disposição.

No centro de três processos, a antiga sede da FPT não conta com a documentação exigida de um imóvel, da escritura ao chamado "habite-se". Em uma das ações, foi concedida liminar de reintegração de posse ao Estado. Também existe uma investigação administrativa para apurar os funcionários do governo responsáveis por permitir a construção da sede sem os trâmites de praxe. Além disso, o Estado ainda pede uma indenização de R$ 26 milhões.

O único documento oficial que a FPT possui é um ofício assinado por Antônio Carlos Pereira, antigo Coordenador de Esportes e Recreação, e enviado por ordem de Marcos Arbaitman, então Secretário de Esportes e Turismo, datado do dia 8 de março de 1999. As autoridades parabenizam a entidade pela conclusão do prédio e atestam que a construção foi "realizada sem nenhum custo para os Cofres Públicos". O comunicado é dirigido a Raul Cilento, então presidente da organização.

O mesmo documento, arrolado em um dossiê montado pela FPT na iminência de perder o prédio, afirma que "a atual sede dessa Federação encontra-se instalada por tempo indeterminado" e faz o seguinte esclarecimento: "com o intuito de deixar transparente nossa vinculação, esclarecemos, ainda, que compete à Secretária de Esportes e Turismo, dentro dos critérios de conveniência e oportunidade da Administração, requisitar a qualquer tempo a devolução do referido imóvel".

Gazeta Esportiva Gazeta Esportiva
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