São Paulo faz duras acusações contra Julio Casares e cita gastos com artigos de luxo
Em contestação judicial, o São Paulo rebateu a ação movida pelo ex-presidente Julio Casares, classificando sua defesa como desleal. O clube o acusa de usar o cartão corporativo para gastos pessoais de luxo, somando mais de R$ 1 milhão, além de realizar saques de R$ 11 milhões com R$ 7 milhões sem comprovação adequada. Expulso do quadro social por gestão temerária, Casares alega perseguição política e boa-fé por ter ressarcido parte dos valores. O clube pede a extinção do processo na Justiça.
A disputa judicial entre o São Paulo e Julio Casares ganhou um novo capítulo nesta sexta-feira (23). O clube apresentou uma contestação à ação movida pelo ex-presidente e fez duras críticas aos argumentos utilizados pelo antigo dirigente para se defender das acusações de irregularidades durante sua administração.
Segundo informações do ge, os advogados do São Paulo classificaram as alegações de Casares como "alucinações". O clube também acusa o ex-presidente de tentar transferir para funcionários e subordinados a responsabilidade por decisões tomadas durante sua gestão.
Um dos principais pontos da contestação envolve o uso do cartão corporativo. De acordo com o relatório da Comissão de Ética, Casares realizou despesas pessoais em restaurantes, lojas de artigos de luxo, charutarias, salões de beleza, estabelecimentos médicos e petshops.
As investigações internas identificaram mais de R$ 1 milhão em gastos no cartão corporativo ligado ao ex-presidente. Desse montante, Casares devolveu R$ 560.401,74 ao São Paulo. O dirigente sustenta que o ressarcimento demonstra boa-fé e afasta a existência de dolo ou culpa grave.
Outro ponto questionado envolve os saques realizados das contas do clube. Durante os cinco anos de administração de Casares, foram retirados aproximadamente R$ 11,05 milhões. Segundo a Comissão de Ética, cerca de R$ 7 milhões não apresentavam documentação suficiente para comprovar adequadamente a origem, a finalidade e o destino dos recursos.
Na manifestação judicial, o São Paulo também criticou a tentativa do ex-presidente de atribuir responsabilidades a integrantes de outros departamentos.
"Trata-se de tentativa desleal — e traiçoeira — de quem, tendo concentrado o poder, pretende dividir a culpa com funcionários e subordinados", afirmou o clube.
Casares nega ter cometido gestão temerária e afirma que foi vítima de uma "trama política". Em sua defesa, argumenta que os saques foram utilizados para pagamentos de premiações a jogadores, prestadores de serviços e despesas promocionais.
O ex-presidente foi expulso do quadro associativo do São Paulo em setembro, após decisão do Conselho Deliberativo baseada nas conclusões da Comissão de Ética. Posteriormente, recorreu à Justiça para contestar as acusações que fundamentaram a punição.
Na resposta apresentada nesta sexta-feira, o São Paulo solicitou a extinção da ação sem julgamento do mérito. Caso o processo tenha continuidade, o clube pede que as solicitações de Casares sejam julgadas improcedentes e que ele seja condenado ao pagamento das custas processuais e dos honorários advocatícios.
O caso tramita na 9ª Vara Cível do Foro Central de São Paulo. A defesa de Casares terá prazo de 15 dias para se manifestar sobre a contestação apresentada pelo clube.
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