Faturas revelam gastos de mais de R$1 milhão de Casares com cartão do São Paulo
Ex-presidente do Tricolor sofre investigação interna e pode ser expulso do quadro associativo do clube
O uso do cartão corporativo durante a gestão de Julio Casares voltou ao centro das discussões no São Paulo. Faturas referentes ao período entre janeiro de 2021 e dezembro de 2025 mostram que o ex-presidente realizou mais de R$ 1 milhão em despesas com o cartão do clube. Parte desses gastos foi considerada de caráter pessoal e motivou um reembolso de R$ 560.401,74, efetuado apenas em novembro de 2025. O material foi revelado pelo site "ge".
Agora, além de ser alvo de investigações da Polícia Civil e do Ministério Público por outros casos envolvendo sua administração, Casares também pode ser expulso do quadro associativo do São Paulo. Aliás, a Comissão de Ética analisa um pedido que o acusa de gestão temerária ou irregular, situação prevista no artigo 34 do Estatuto Social do clube.
As faturas revelam despesas em diferentes estabelecimentos ao longo do mandato. Entre elas, aparecem 71 compras na casa de charutos Esch Café, 53 pagamentos no restaurante Gero, além de gastos em lojas de grife. Também constam despesas durante uma viagem com a Seleção Brasileira aos Estados Unidos e pagamentos relacionados a cuidados pessoais, como consultas com endocrinologista e serviços em salão de beleza.
Gastos aumentaram ao longo do mandato
Aliás, as faturas mostram uma evolução significativa nas despesas durante os cinco anos de gestão. Afinal, em 2021, primeiro ano como presidente, os gastos ficaram próximos de R$ 20 mil. Já em 2024, o montante chegou a R$ 428.568,52. Em 2025, último ano à frente do clube, as despesas somaram R$ 342.352,43 entre janeiro e novembro.
Apesar do crescimento nos valores, o São Paulo não possuía, até o fim de 2025, uma política específica para utilização do cartão corporativo. Durante praticamente todo o mandato de Casares, não havia exigência formal de prestação de contas nem solicitação para devolução de despesas pessoais.
A situação começou a mudar apenas no fim de outubro de 2025, quando o então presidente passou a estar sendo investigado pela Polícia Civil por suspeitas de lavagem de capitais e outras possíveis irregularidades envolvendo sua administração.
Pouco depois, entre os dias 18 e 25 de novembro, Casares realizou seis depósitos ao São Paulo que totalizaram R$ 560.401,74. Os comprovantes das transferências foram encaminhados ao departamento financeiro do clube.
Nova política criada no São Paulo após reembolso
Depois da devolução dos valores, o São Paulo instituiu sua primeira Política de Uso de Cartão Corporativo. O documento passou a valer para "todos os(as) colaboradores(as), gestores(as), diretores(as), conselheiros(as) e demais representantes do São Paulo Futebol Clube".
Assim, o regulamento estabelece que o cartão pode estar sendo utilizado para despesas institucionais, como compra de passagens aéreas, hospedagens, alimentação em viagens corporativas, reuniões com patrocinadores e custos relacionados a eventos oficiais.
Por outro lado, a norma proíbe expressamente "qualquer despesa de natureza pessoal", ainda que exista ressarcimento posterior. Também ficam vedados saques em dinheiro, despesas com bebidas alcoólicas, pagamento de multas, juros pessoais e compras ou assinaturas online sem relação com as atividades do clube.
Aliás, segundo o clube, caso acabe sendo comprovada a utilização do cartão corporativo para despesas particulares, o Tricolor vai adotar medidas para buscar o ressarcimento dos valores.
Ex-presidente responde a processos internos e investigações
Julio Casares sofreu impeachment no Conselho Deliberativo em janeiro deste ano. Poucas semanas depois, antes que o caso estivsse sendo levado à Assembleia Geral, ele renunciou à presidência.
Em abril, a Comissão de Ética recebeu um pedido formal para expulsá-lo do clube. O processo continua em andamento e poderá resultar na exclusão definitiva do quadro associativo caso acabe sendo confirmada a prática de gestão temerária ou irregular.
Além disso, o ex-dirigente também está sendo investigado pela Polícia Civil e pelo Ministério Público por outras situações envolvendo sua gestão. Entre elas estão os saques de quase R$ 7 milhões realizados pela presidência do clube sem justificativa. Existe também um inquérito que apura a exploração clandestina de camarotes do Morumbis.
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