Acordo no bastidor do São Paulo livra dirigente na Comissão de Ética e encaminha votação de contrato
Equipe paulista vota acordo com a Ticketmaster no Conselho Deliberativo ainda no mês de setembro
Um acordo de bastidores no São Paulo destravou a votação do contrato com a Ticketmaster para a gestão do MorumBis, agendada para 29 e 30 de setembro. O presidente Harry Massis retirou uma representação na Comissão de Ética contra Olten Ayres, líder do Conselho Deliberativo, para acelerar o processo. Massis defende a parceria, que envolve adiantamento de R$ 140 milhões, como crucial para pagar pendências com o elenco, superando resistências internas e contestação da concorrente NewC.
Harry Massis Júnior, presidente do São Paulo, e Olten Ayres de Abreu Junior, mandatário do Conselho Deliberativo, chegaram a um acordo sobre o contrato do clube paulista com a Ticketmaster. A votação a respeito do tema no órgão ocorrerá nos dias 29 e 30 de setembro.
Favorável a proposta, Harry defende que o acordo para a gestão de ingressos do MorumBis é essencial para quitar valores em atraso com o elenco são-paulino, de acordo com um áudio ao qual o Estadão teve acesso.
"Preciso que vocês ajudem a fazer o presidente do Conselho Deliberativo colocar na pauta para ser votado, porque, se segurar e não for votado, nós não vamos cumprir nada. Não vai ter dinheiro para pagar nada, entendeu?", diz a gravação.
O contrato já foi aprovado pelo Conselho de Administração e encaminhado ao Deliberativo. No entanto, a NewC, outra empresa que pleiteava a licitação, enviou alguns questionamentos para Olten.
Ela alega falta de respostas da diretoria da equipe tricolor, repasse de informações desatualizadas e desvalorização de critérios técnicos. Segundo a empresa, sua proposta era por volta de R$ 500 milhões.
Já o acordo com a Ticketmaster, seria uma antecipação de R$ 140 milhões, valor referente a um empréstimo, devolvido em cinco anos, com correção monetária.
Diante deste cenário, Olten optou pela criação de uma comissão para analisar este contrato com a empresa norte-americana. No dia 2 de setembro, Harry Massis publicou uma nota em que critica a medida do Conselho Deliberativo.
"Trata-se de uma tentativa de prejudicar um processo estruturado, conduzido ao longo de mais de quatro meses, com análise das áreas responsáveis e submissão às instâncias competentes de governança do São Paulo Futebol Clube", escreveu na ocasião.
Agora, Harry anunciou a retirada da representação contra Olten Ayres na Comissão de Ética do time do Morumbi. Em contrapartida, o presidente do Deliberativo definiu a data da votação para os dias 29 e 30 de setembro, ação prevista no artigo 58 do estatuto Social do São Paulo.
A articulação nos bastidores realizada por Massis visa agilizar a votação do contrato, algo que estava sendo adiado por Olten. A representação tratava de uma investigação por suposta falsidade ideológica envolvendo um documento de dezembro do ano passado.
Na última segunda-feira, 14, a Justiça determinou o arquivamento do inquérito por não haver "provas suficientes para a abertura de ação penal", segundo o Ministério Público. Hoje, quatro dias mais tarde, o próprio autor retirou a acusação interna e solicitou o encerramento do processo.
A reunião será feita em formato híbrido no dia 29, com primeira convocação às 18h30 (de Brasília). O período de votação será das 22h do dia 29 até às 17h do dia 30.
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