Luís Fabiano e Kleber miram tarde menos indisciplinada e displicente
Apito final do árbitro, termina a partida. De cabeça quente pelo resultado ruim, os jogadores saem rapidamente. Aborrecido, o centroavante é o mais lento, um dos últimos a deixar o gramado. Antes de descer a escadaria que leva ao vestiário, ouve a dúvida dos repórteres: o que aconteceu ali no fim? Luís Fabiano e Kleber passaram por isso na semana.
O são-paulino se defendeu. Expulso depois do empate por 1 a 1 com o Arsenal de Sarandí por reclamar com a arbitragem do empate de quinta, pela Copa Libertadores da América, o atacante disse que não havia falado nada que justificasse o cartão vermelho recebido. Revoltado por ficar fora do outro duelo com os argentinos, segundo ele injustamente, questionou: "alguém gravou (o que eu falei)?"
Um dia antes, na quarta, o atacante que se chateou foi o palmeirense. Muitas câmeras gravaram, de diferente ângulos, o que ele fez. Ou o que deixou de fazer. Aos 47min do segundo tempo, ao ficar de frente para o goleiro, em vez de chutar ou passar a bola ao companheiro melhor posicionado, tentou um segundo drible e acabou desarmado. Pouco depois, no último lance, o Tigre marcou e venceu por 1 a 0, também pela Copa Libertadores. "Fui displicente", reconheceu.
Neste domingo, eles se enfrentam no Morumbi. O clássico entre São Paulo e Palmeiras, válido pelo Campeonato Paulista, é o meio instantâneo de um dos times se recuperar do tropeço na Libertadores em caso de vitoria - da mesma forma, é possível se complicar mais em caso de derrota. Para os dois, o Choque-Rei é a chance particular de apagar uma semana de displicência e indisciplina.
Indisciplina é, talvez, o único senão de Luís Fabiano. Dono de comportamento explosivo, o camisa 9 costuma se envolver em confusões com adversários e árbitros. Em 2012, o castigo de não disputar a segunda final da Copa Sul-Americana, por tentar revidar agressão, o motivou a mudar. Traçou para este ano a meta - agora já no limite - de levar apenas um vermelho.
"Tenho como objetivo receber, no máximo, um cartão vermelho. De repente, posso levar por ter de matar alguma jogada, mas dificilmente vou tomar por reclamação", disse, na semana passada, o autor de sete gols nesta temporada.
Já Kleber, emprestado pelo Porto e desconhecido de parte da torcida, ainda precisa convencer. O atacante, que irritou o técnico Gilson Kleina e os colegas na Argentina, não balançou a rede nem uma vez sequer vestindo o uniforme verde. Em comparação, Leandro, reforço vindo do Grêmio, fez gol logo na estreia pelo clube de coração na infância.
Conforme dito em sua apresentação, Kleber precisa aparecer. "Quem não é visto, não é lembrado. Como não estava jogando (no Porto), não tinha chance alguma de ser convocado para a Seleção. Agora, com as coisas correndo bem, tenho oportunidade de aparecer novamente". O desafio por um fim de tarde mais disciplinado e menos displicente está lançado a ambos. Já dizia a velha máxima do clássico: ganha quem erra menos.
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