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Motociclismo

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MotoGP: Carlos Ezpeleta admite que pilotos não entenderam completamente as mudanças para 2027

Ezpeleta admite falhas de comunicação sobre mudanças para 2027 e defende restrições de pneus para reduzir riscos na categoria

9 out 2026 - 18h34
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Foto: MotoGP

O diretor-executivo adjunto da MotoGP, Carlos Ezpeleta, admitiu que a categoria precisa melhorar a comunicação com os pilotos sobre as mudanças previstas para 2027. As alterações no formato dos fins de semana geraram questionamentos entre os competidores, principalmente em relação à segurança nas classificações e pela retirada do warm up de domingo. Segundo o dirigente, parte dos pilotos não compreendeu completamente como as novas limitações de pneus funcionarão no próximo regulamento.

Em uma coletiva feita hoje em Mandalika, na Indonésia, Ezpeleta reconheceu que a organização precisa esclarecer melhor os detalhes das propostas.

“Provavelmente precisamos fazer um trabalho melhor na comunicação, reunindo as equipes, nós e todos os envolvidos para garantir uma compreensão melhor.”

“Vimos alguns pilotos ontem, durante as entrevistas, provavelmente sem compreender totalmente as limitações de pneus e de tentativas de volta rápida. Isso é algo que precisamos assumir e reconhecer que temos de melhorar.” acrescentou

Uma das principais preocupações levantadas pelos pilotos é a possibilidade de que a concentração das atividades classificatórias em sessões específicas aumente a pressão e, consequentemente, os riscos de acidentes. Ezpeleta contestou essa interpretação e afirmou que a quantidade de tentativas de volta rápida não deverá aumentar com o novo formato.

“Não sentimos, de forma alguma, que estamos colocando em risco a segurança dos pilotos, porque eles já estão fazendo a mesma quantidade de tentativas.”

Para o dirigente, a limitação de pneus novos será fundamental para controlar o comportamento dos pilotos durante as classificações. Com menos pneus disponíveis, os competidores terão menos oportunidades para tentar melhorar seus tempos, o que, na avaliação da organização, também poderá reduzir a disposição para assumir riscos excessivos.

“Quando você está limitado no número de pneus, deveria forçar menos na classificação, porque, se cometer um erro, vai largar lá atrás.” explicou Ezpeleta

“Hoje, os pilotos conseguem usar tantos pneus que cair não é exatamente de graça, não quero dizer isso, mas eles tem uma segunda chance maior, algo que não terão no futuro.”

O dirigente também rebateu as críticas sobre a possibilidade de reunir todos os pilotos em uma sessão classificatória de 15 minutos. Segundo ele, uma situação semelhante já ocorre atualmente nas etapas finais da classificação de sexta-feira, quando os competidores disputam as vagas para o Q2.

As mudanças para 2027 incluem classificações separadas para a sprint e para a corrida principal, permitindo que cada prova tenha seu próprio grid de largada. Atualmente, o resultado da classificação de sexta-feira determina as posições de largada para as duas corridas. A MotoGP acredita que a alteração poderá reduzir a pressão sobre os pilotos que não conseguem avançar diretamente ao Q2.

“Existe uma sensação no paddock de que, se você não chega ao Q2 na sexta-feira à tarde, seu fim de semana está comprometido. Para muitos, parece que tudo acabou se não conseguirem essa vaga.”

“Separar os grids permite que eles tenham duas oportunidades e não fiquem sob tanta pressão na sexta-feira à tarde, ao mesmo tempo que reduzimos o tempo de pista e não aumentamos o número de tentativas de volta rápida.”

Segundo o dirigente, a reformulação do calendário também atende a pedidos das equipes e dos fabricantes, que buscavam reduzir o tempo de atividade em pista diante das mudanças técnicas previstas para 2027. Ezpeleta afirmou que as equipes procuraram a organização para discutir alternativas ao formato atual e que diferentes propostas foram avaliadas antes da aprovação.

“Fomos procurados pelas equipes em Misano para discutir uma revisão do calendário.” contou

“Para contextualizar, sob o novo regulamento de 2027, os fabricantes já haviam solicitado uma série de mudanças com o objetivo de reduzir a quantidade de tempo em pista.”

 “A proposta veio das próprias equipes, e houve várias versões, sempre com o objetivo de manter, ou não aumentar, o nível de risco em relação ao que temos hoje, além de oferecer um resultado melhor para os fãs, os parceiros de mídia e todos os envolvidos.” declarou

Outra alteração importante será a retirada do warm-up de domingo. O treino de dez minutos será substituído por uma janela de dez minutos de acesso ao pit lane antes da corrida, período em que os pilotos poderão realizar voltas de reconhecimento e verificar as condições das motos. Ezpeleta afirmou que a ideia também partiu das equipes, que consideraram possível realizar as verificações necessárias sem manter a sessão tradicional.

Porém a retirada do aquecimento não foi bem recebida por todos os pilotos, que consideram a sessão importante para avaliar o comportamento das motos antes da corrida. Questionado sobre a participação dos competidores no processo de decisão, Ezpeleta reconheceu que houve diferenças na maneira como as equipes conduziram as consultas nas últimas etapas.

“Pedimos realmente às equipes que conversassem com os pilotos, mas houve diferentes níveis de envolvimento nas últimas corridas. Com tantas mudanças de pilotos, acredito que as equipes adotaram abordagens diferentes sobre como incluí-los no processo”, afirmou.

O dirigente defendeu que as equipes tem responsabilidade direta em garantir que seus pilotos compreendam as alterações antes da implementação. Segundo ele, a estrutura de governança do campeonato envolve as equipes nas decisões regulamentares, mas isso não significa que os competidores devam ficar de fora das discussões.

“Estamos de portas abertas todas as sextas-feiras à tarde, na Comissão de Segurança, para os pilotos. Alguns comparecem, e explicamos nossas ideias e os motivos por trás delas”

“Somos muito claros com as equipes: só devemos fazer essas mudanças depois que elas conversarem com seus pilotos e os envolverem no processo. Mais uma vez, acredito que essa é uma tarefa das equipes.”

Ele também afirmou que os times estão em uma posição privilegiada para avaliar a necessidade do warm-up, por acompanharem diretamente o funcionamento das motos e os procedimentos técnicos antes das provas. Ainda assim, reforçou que a participação dos pilotos continua sendo importante.

“Os pilotos também têm uma parte importante nessa avaliação, é claro, mas nós não temos contratos com os pilotos. Temos contratos com as equipes, que fazem parte do modelo de governança do campeonato.”

Apesar das críticas, Ezpeleta garantiu que a MotoGP permanece aberta a discutir eventuais ajustes no calendário. O dirigente afirmou que alguns pilotos chegaram a defender particularmente a retirada do aquecimento, embora nem todos tenham manifestado publicamente essa posição.

“Continuamos abertos a mudanças e a melhorar o calendário”, declarou.

“É curioso, e considero um pouco injusto, que vários pilotos tenham me pedido pessoalmente para retirar o warm-up. Esses pilotos não vieram a público dizer isso, talvez porque não gostem das mudanças de sexta-feira, enquanto outros defendem o contrário.”

Por fim, Ezpeleta reiterou que a retirada do treino de aquecimento deveria avançar somente após as equipes consultarem os competidores e a proposta passar pelos procedimentos de aprovação. 

Parabólica
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