Vitória de Manny Pacquiao leva alegria a vítimas de tufão nas Filipinas
Milhares de filipinos alojados em abrigos temporários na região central das Filipinas, destruída pelo tufão Haiyan, tiveram um breve momento de alegria com a vitória de Manny Pacquiao sobre o norte-americano Brandon Rios, que deu ao ídolo local o cinturão da categoria meio-médio da Organização Mundial de Boxe, em Macau, neste domingo.
Famílias desabrigadas, prestadores de primeiros socorros e soldados pulavam, gritavam e irrompiam em aplausos para Pacquiao, o único boxeador do mundo a ganhar oito títulos em oito categorias distintas, que não deu chances para o oponente mais jovem e mais alto.
"Estou muito, muito feliz. Manny nos alegrou em meio a tempos de desespero", disse à Reuters Sonia Reyes, de 35 anos, cuja casa foi seriamente danificada pelos ventos do tufão Haiyan há duas semanas.
"A vitória de Manny inspira essa gente a levantar a cabeça. Assim como nosso ídolo nacional, a cidade de Tacloban vai se reerguer", acrescentou.
O tufão Haiyan, o mais poderoso a fazer estragos em terra neste ano, atingiu a região central das Filipinas no dia 8 de novembro matando mais de 5.200 pessoas, deixando 4,4 milhões de desabrigados e causado um prejuízo estimado em mais de 270 milhões de dólares.
O secretário de Comunicação, Hermínio Coloma, emitiu um comunicado parabenizando Pacquiao por mais um título, dizendo que "a vitória serve como fonte de inspiração e força para todo o país após a devastação causada pelo tufão".
Pacquiao, que também atua como deputado no Congresso e é tenente-coronel no Exército de reserva do país, dominou a maior parte dos 12 rounds com ágil trabalho de mãos e pés, acertando Rios com socos fortes no rosto por diversas vezes.
"Do começo ao fim, Manny mostrou que é um campeão. Por um momento, eu até esqueci da miséria ao meu redor. Manny nos ajudou a superar toda esta dor", afirmou o vigilante aposentado Vicente Olang, de 66 anos.
Autoridades locais conseguiram arranjar telões em três locais de Tacloban, como em um aeroporto destruído, onde socorristas e voluntários estrangeiros e locais ainda ajudavam a limpar os destroços e a recolher os corpos.
Outra parte dos cidadãos de Tacloban se reuniu para assistir à luta sob um forte sol em uma praça a céu aberto do tamanho de um campo de futebol, cercada por caminhões-caçamba, ônibus, empilhadeiras e, claro, muita destruição.
Próximo dali, soldados bem armados do Exército filipino surgiram de um tanque, sentaram no topo do veículo blindado e acompanharam parte da importante luta.
Nos abrigos temporários, cada vez que Pacquiao acertava Rios, a dor e a miséria davam lugar a gritos animados de incentivo e aplausos.
Na capital Manila, as ruas ficaram desertas durante a luta. Cinemas, bares e parques públicos, por outro lado, estavam apinhados de gente. As autoridades policiais afirmam que os índices de criminalidade diminuem sensivelmente cada vez que Pacquiao entra no ringue.
(Por Manuel Mogato)