Eleição do Internacional coloca crise financeira no centro da disputa; entenda
Três candidatos disputarão a sucessão de Barcellos em meio a déficit, dívidas e necessidade imediata de caixa
A eleição do Internacional é marcada por uma grave crise financeira, com dívida prevista para superar R$ 1 bilhão e déficit de R$ 160,1 milhões até julho. O próximo presidente enfrentará falta de caixa imediata, transfer bans na Fifa e a necessidade urgente de R$ 140 milhões até o fim do ano. Esse cenário crítico impacta as contratações e pode piorar drasticamente em caso de rebaixamento no Campeonato Brasileiro, o que reduziria receitas vitais como as de direitos de transmissão.
A eleição do Internacional terá como pano de fundo uma crise financeira que se agravou nos últimos anos e já afeta diretamente o futebol. Roberto Melo, José Alfredo Amarante e Leonardo Aquino terão de apresentar soluções para o problema.
A Agência RTI Esporte apurou que a próxima administração precisará lidar, logo nos primeiros meses, com compromissos financeiros elevados, restrições para contratar jogadores e a necessidade de reforçar o caixa.
A dívida e a campanha no Campeoato Brasileiro podem agravar o cenário em caso de rebaixamento. De janeiro a julho de 2026, o Internacional teve déficit de R$ 160,1 milhões, R$ 50,8 milhões acima do previsto no orçamento.
A arrecadação ficou em R$ 194,2 milhões, contra uma projeção de R$ 222,4 milhões. A maior diferença apareceu nos patrocínios, que renderam R$ 20,7 milhões, enquanto a previsão da diretoria colorada era de R$ 50,4 milhões.
Caixa virou problema no Internacional
A falta de recursos já atingiu a rotina do clube. Em setembro, uma doação de R$ 20 milhões feita por Delcir Sonda permitiu solucionar compromissos imediatos com o elenco. O dinheiro, porém, representou um alívio pontual e não alterou a estrutura financeira do Internacional.
Em reunião com os candidatos, Alessandro Barcellos informou que serão necessários aproximadamente R$ 140 milhões até o fim do ano para que o clube consiga fechar a temporada com as contas minimamente equacionadas.
O endividamento deve superar R$ 1 bilhão em dezembro. Em julho, a Alvarez & Marsal apontou que o modelo financeiro não tinha capacidade suficiente para o Inter honrar compromissos caso a geração de caixa permanecesse no ritmo atual.
Transfer bans complicam planejamento
A crise financeira já chegou ao mercado da bola. O Inter tem atualmente dois transfer bans impostos pela Fifa, relacionados a dívidas pelas contratações de Juninho, junto ao Midtjylland, da Dinamarca, e Ramon, do Olympiacos, da Grécia.
Os débitos somam cerca de 700 mil euros (R$ 4,1 milhões, na cotação atual), enquanto outros cinco processos na Fifa envolvem 6,4 milhões de euros (R$ 38 milhões). Decisões desfavoráveis podem gerar novas punições ao clube.
Rebaixamento mudaria toda a equação
O principal risco para a próxima administração, porém, está relacionado ao desempenho esportivo. Uma eventual queda para a Série B do Campeonato Brasileiro reduziria receitas importantes, especialmente direitos de transmissão, enquanto parte das despesas do elenco permaneceria.
O futuro presidente colorado terá de conciliar recuperação financeira, montagem do elenco e compromissos já assumidos. A eleição definirá também quem conduzirá a reconstrução financeira do Internacional.
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