Como Nadal conta em sua autobiografia, cujo ponto alto é a vitória na final da edição 2008 de Wimbledon contra o arquirrival, “se é possível jogar 20 bolas na esquerda (backhand) de Federer, deve-se jogar 20 e não 19”. Sem dúvidas essa tática se repetirá no Aberto da Austrália. Canhoto, o espanhol incomoda ao jogar bolas altas e profundas de forehand no backhand de uma mão do suíço. Assim, afasta o rival de sua zona de conforto, próximo à linha de base, e o acua até ter uma bola mais curta para poder atacar. Em Melbourne, Nadal estreia em um Grand Slam com uma raquete mais pesada, o que lhe dá mais força no saque, um de seus golpes frágeis. Embora admita que tenha uma técnica menos apurada que a de Federer, ele confia em superar o rival por levar vantagem na força mental, na regularidade e no preparo físico
Federer arrasou Nadal no último encontro, no ATP Finals de Londres (foto), em novembro passado, conseguindo atacar as devoluções de saque e se antecipando para bater o backhand de dentro da quadra, antes que a bola do oponente pegue muito efeito e suba demais. Na Austrália, ele tentará repetir a tática, mas é mais difícil em se tratando de uma quadra dura e descoberta, na qual a bola pinga mais alta e anda mais lentamente. Para vencer, o suíço precisa também ir bem no saque, com o qual ganhou 83 % dos pontos disputados no torneio até aqui – terceiro melhor índice da competição –, explorar o backhand do adversário e procurar variar o jogo com slices e especialmente deixadinhas. Agressivo, ele não pode ainda deixar as jogadas se alongarem muito, visto que esses pontos costumam ser favoráveis ao jogo mais regular do espanhol
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