Zagueiro de Gana relembra infância violenta e golpe de facão que levou na cabeça
Alidu Seidu cresceu em um bairro perigoso de seu país, lembra fama de brigão quando jovem e que quase morreu após levar golpe de facão
A trajetória de Alidu Seidu no alto escalão do futebol europeu teve início em 2024, quando ele chegou ao Rennes, da França. Contudo, os seus primeiros passos no clube não foram bons, pois ele logo sofreu uma grave lesão ligamentar no joelho esquerdo. O defensor deu a volta por cima, recuperou-se 100% e defende a seleção de Gana na Copa do Mundo de 2026. Aliás, a principal inspiração estava em sua própria história de vida.
Seidu começou a sua carreira no futebol da Costa do Marfim, mas despontou na França, atuando no pequeno Clermont Foot, de quem o Rennes contratou-o há duas temporadas. Agora recuperado da grave lesão, sua vida profissional caminha bem, porém o passado é mais sombrio. Afinal, sua infância em Gana não inspirava um futuro promissor.
"Passei por coisas piores do que a ruptura do ligamento do joelho. Quando eu era pequeno, quase morri depois de ser atingido na cabeça com um facão, em Gana. Foram momentos difíceis nas ruas, o que me faz refletir, me considero sortudo por me tornar jogador profissional. É da minha natureza transformar algo negativo em positivo", declarou o zagueiro, na época de sua lesão no Rennes, em entrevista ao jornal "Ouest-France".
Alidu Seidu cresceu em um bairro violento de Gana
O jogador teve sua infância no perigoso bairro da cidade de Kumasi, a segunda maior de Gana. Ele reconhece que era "brigão" na infância, cometia pequenos delitos e caminhava com facões pelas ruas.
"Estar com amigos que ficavam perambulando pelas ruas, me deixava nervoso, agressivo. Eu era brigão. Nossa gangue do bairro insultava os outros, não respeitava ninguém. Andávamos com facões, praticávamos furtos, atos de vandalismo, pequeno tráfico. A minha mãe chorava o tempo todo, e eu fugia de casa para não sofrer castigo do meu pai. Felizmente, um tio me incentivou a jogar futebol porque sabia que eu tinha algo de especial", destacou o atleta:
"O futebol salvou a minha vida. Quando meus pais souberam que eu iria para um centro de treinamento longe do meu bairro, ficaram muito felizes".
Seidu sabe que pode ser um espelho não apenas para os ganeses, mas para todos os jovens.
"Eu tento orientar jovens para que trabalhem e evitem essa vida perigosa. Sou grato por ser um exemplo para a minha sociedade", disse ao "Olympic Channel".
Agora, Alidu Seidu jogará a sua segunda Copa do Mundo. Afinal, estreou em 2022 no Catar e enfrentou Cristiano Ronaldo na fase de grupos, mas Gana perdeu por 3 a 2 para Portugal e caiu na primeira fase.
Nesta quarta-feira (17), Seidu estará com Gana na estreia no Mundial de 2026, quando enfrenta o Panamá às 20h (de Brasília). A seleção africana enfrenta anda pelo Grupo L as poderosas Inglaterra e Croácia.
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