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 publicitário Maicol de Oliveira Daturi, de 34 anos.   Foto: Gabriel Gatto/Terra

'Festa dos excluídos': tri paulista do Palmeiras une gerações e vence distância

Centenas de torcedores fizeram a festa do lado de fora do Allianz Parque na noite deste domingo, 7, pela conquista do Paulistão

Imagem: Gabriel Gatto/Terra
  • Gabriel Gatto Gabriel Gatto
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7 abr 2024 - 22h56
(atualizado às 23h13)

A final do Campeonato Paulista de 2024 foi presenciada por 41.446 torcedores alviverdes que, dentro do Allianz Parque, viram o Palmeiras ser tricampeão paulista sobre o Santos, na noite deste domingo, 7. Do lado de fora do estádio, outros milhares, unidos principalmente pelo amor ao clube, celebram a conquista como se eles próprios estivessem dentro do gramado, entre gritos, lágrimas e abraços. 

A origem do mar verde e branco que surge nas ruas da região da Barra Funda, em São Paulo, às vésperas de disputas de títulos do Palmeiras tem os mais variados motivos. O alto custo e indisponibilidade dos ingressos --que levam cambistas a cobrar quase R$ 3 mil por uma cadeira em dia de jogo-- a falta de acessibilidade ou a própria festa democrática que se forma no entorno da Rua Palestra Itália. 

E não faltou motivo para a torcida que não conseguiu o acesso ao Allianz Parque fazer a festa do título na região. Para eles, torcer ao lado de alguém completamente desconhecido, com apenas o amor em comum por um time de futebol, pode ser uma “experiência muito louca”, como diz o publicitário Maicol de Oliveira Daturi, de 34 anos. 

Emocionado, ele descreve, em meio às lágrimas, a sensação que teve com o título do seu Verdão. “As pessoas te abraçando, te acolhendo, a gente vendo o que de fato acontece, mesmo, só enfatiza o sentimento que temos pelo clube."

Para a final do Paulistão, os ingressos foram vendidos entre os valores de R$ 200 e R$ 500. Maicol critica os preços que considera inacessíveis ao público.  “Quando se fala em setor popular com um preço de ingresso muito elevado, a gente se dá conta que o setor popular é aqui fora, onde a coisa acontece”. 

O amor pelo Palmeiras fez o publicitário viajar mais de 5h para percorrer os 452,3 km que separaram a cidade de Mirassol, no interior de São Paulo, a capital paulista. Ele não conseguiu entrada, mas isso não mudou os planos de torcer pelo clube do coração de pertinho do Allianz Parque. 

Não mudaria uma vírgula, se eu tivesse o ingresso para assistir no estádio, eu ficaria exatamente onde estou hoje”, celebrou o palmeirense 

Amor de pai para filho

Já para outros torcedores, a ausência no Allianz Parque é, também, sinônimo de responsabilidade profissional. Dono do hostel Finestra, que foi transformado em bar, o comerciante Gerson Baldini, de 67 anos, cuida com esmero de uma das dezenas de cozinhas espalhadas nas imediações do estádio. Ao Terra, ele confessa a vontade de ver seu time ao vivo, mas que não se frustra de acompanhar as partidas longe das arquibancadas.

Comerciante Gerson Baldini, 67 anos, tem negócio ao redor do Allianz Parque
Comerciante Gerson Baldini, 67 anos, tem negócio ao redor do Allianz Parque
Foto: Gabriel Gatto/Terra

“Montei isso aqui como uma diversão e foi algo que deu certo. A gente vê e acolhe palmeirenses de vários lugares. Acaba que formamos aquilo que o Palmeiras é, de fato, uma grande família. Gostaria sim [de estar no estádio], mas eu gosto muito, muito mesmo, de estar aqui nessa muvuca e a gente fica se apaixonando por esse processo todo” diz Geraldo, que divide os cuidados do comércio com o filho Guilherme, responsável pelo balcão principal. 

O gostinho da sentir o título nas ruas também fez com que o torcedor Jefferson Pereira Ferreira, junto da esposa Keyla Ferreira e os três filhos do casal, encarasse uma viagem de 1h30, de Santo André, na Grande São Paulo, até o estádio. Nem mesmo o alto custo dos ingressos, multiplicado por cinco, os impediu de celebrar junto à torcida. 

Jefferson Pereira Ferreira, junto da esposa Keyla Ferreira e os três filhos do casal
Jefferson Pereira Ferreira, junto da esposa Keyla Ferreira e os três filhos do casal
Foto: Gabriel Gatto/Terra

Ao Terra antes da bola rolar, a família alviverde revelou que foi às ruas, mesmo, por causa do preço elevado.

Vimos quando estava em torno de R$ 250, R$ 300, e para cinco não dava. Então a gente veio para ficar do lado de fora, mesmo, e ver o Palmeiras ser campeão”

Para os torcedores, independentemente de onde estivessem, o grito que escapou do fundo da garganta e transcendeu barreiras de concreto e aço, foi um só às 20h deste domingo: “É campeão”.

Fonte: Redação Terra
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