Famílias de desaparecidos marcham em direção ao estádio do México em meio à abertura da Copa
Grupo formado por familiares e organizações sociais protesta contra a demora na busca por desaparecidos e na identificação de corpos
Horas antes da partida de abertura da Copa do Mundo entre México e África do Sul, uma manifestação ocupou a Calzada de Tlalpan, principal corredor de acesso ao estádio Azteca, na Cidade do México, local que sediará a partida. O ato reúne familiares de pessoas desaparecidas e integrantes de organizações sociais que cobram mais agilidade das autoridades nas buscas e na identificação de vítimas.
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Segundo veículos da imprensa mexicana, o país atravessa uma grave crise relacionada ao desaparecimento de pessoas. Batizado de "Vamos Iluminar a Busca", o movimento conta com a participação de familiares e representantes de entidades de pelo menos dez estados do país. O objetivo é aproveitar a visibilidade do Mundial para chamar a atenção da comunidade internacional para o problema e denunciar a lentidão das investigações.
Os organizadores afirmam que a mobilização tem caráter pacífico e garantem que não pretendem impedir a realização do evento esportivo. A intenção, de acordo com eles, é dar destaque à causa dos desaparecidos em um momento em que o México está no centro das atenções do mundo. Ainda assim, autoridades locais montaram bloqueios para evitar que o grupo se aproxime do estádio e interfira na chegada dos torcedores.
Milhares de desaparecidos
Durante a mobilização, manifestantes espalharam flores de cempasúchil, tradicionalmente utilizadas em homenagens aos mortos na cultura mexicana, e montaram uma cruz sobre a calçada. O grupo também entoou palavras de ordem, mas o protesto transcorreu sem registros de confusão, segundo a imprensa internacional.
Nas últimas semanas, o governo do México vem sendo alvo de diferentes manifestações. "A presidente do México, Claudia Sheinbaum, só se preocupa com o futebol", criticou Maria de Jesús Soria Aguayo, uma manifestante que procura seu filho desde o desaparecimento dele no estado de Veracruz (leste), há dez anos. "Os desaparecimentos continuam e ela não fez nada", disse à agência AFP.
Dados oficiais indicam que mais de 130 mil pessoas estão desaparecidas no México. Grande parte desses casos foi registrada nas últimas duas décadas, período marcado pelo avanço da violência associada ao tráfico de drogas.
Além dos familiares de desaparecidos, professores ligados à Coordenação Nacional dos Trabalhadores da Educação também mantêm, desde o começo de junho, uma série de protestos no centro histórico da capital mexicana. A categoria reivindica o cumprimento de promessas de campanha da presidente Claudia Sheinbaum relacionadas a direitos trabalhistas e previdenciários. As manifestações provocaram bloqueios em vias da região, impactaram o comércio local e resultaram em confrontos pontuais com a polícia.
Estádio Azteca
Nesta edição da Copa do Mundo, o estádio Azteca será palco de cinco confrontos: três válidos pela fase de grupos -- entre eles a estreia da seleção mexicana diante da África do Sul e o jogo inaugural do torneio --, um duelo da fase de 32 avos de final e uma partida das oitavas de final. Com isso, a arena alcançará a marca de 24 jogos sediados em Mundiais ao longo de sua história.
Anfitrião do torneio pela terceira vez, o México faz sua estreia nesta quinta-feira, às 16h (horário de Brasília), contra a África do Sul. Jogando em casa, a seleção mexicana aposta justamente na força do histórico estádio Azteca como um de seus principais trunfos na competição.
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