Zidane deve assumir a França em meio à crise interna na seleção
Novo técnico terá desafio de recuperar união do grupo após problemas internos que marcaram o fim da passagem de 14 anos do antecessor
A Federação Francesa de Futebol está próxima de anunciar Zinedine Zidane como novo técnico da seleção. O ex-jogador deve assumir o lugar deixado por Didier Deschamps, que comandou a equipe por 14 anos, com a missão de reconstruir o ambiente interno após um período marcado por desgaste e problemas de relacionamento.
Antes de deixar o cargo, Deschamps admitiu que o clima na seleção havia se tornado difícil de administrar. Em entrevista ao canal M6, o treinador explicou que sua decisão de sair não foi motivada apenas por uma escolha pessoal, mas também pela pressão constante e pelo ambiente ao redor da equipe.
"Vou ser sincero: minha decisão não foi por mim. O clima estava insustentável, e toda a atenção estava concentrada em mim. Não foi algo impulsivo, pensei muito antes de tomar essa decisão. Desde que anunciei minha saída, as coisas melhoraram bastante para a seleção francesa", afirmou.
Durante a Copa do Mundo de 2026, os problemas internos ficaram mais evidentes. De acordo com informações do jornal francês L'Équipe, alguns jogadores demonstraram insatisfação com decisões administrativas da Federação Francesa, especialmente relacionadas à logística e ao controle de gastos imposto pelo presidente Philippe Diallo.
O desgaste aumentou ao longo da competição e acabou refletindo no ambiente do elenco. Apesar de contar com grandes talentos, a equipe teria dificuldade para criar uma identidade coletiva, com diferentes grupos no vestiário e pouca integração entre os atletas. Um dos sinais disso teria sido a ausência dos tradicionais encontros de confraternização, como almoços e jantares entre os jogadores.
Problemas nos bastidores
Nos bastidores, Deschamps teria relatado a pessoas próximas que não conseguiu evitar a formação de "grupos" no elenco, influenciados por interesses individuais. O treinador também teria sentido falta de apoio da direção da federação para lidar com essa divisão interna.
Além das questões de ambiente, decisões técnicas também geraram críticas. Alguns jogadores teriam ficado insatisfeitos com a pouca utilização durante partidas já encaminhadas, enquanto a permanência de Ousmane Dembélé entre os titulares também foi questionada. Na semifinal contra a Espanha, a participação defensiva do atacante nas transições virou assunto entre os bastidores. Já na disputa pelo terceiro lugar contra a Inglaterra, a tensão aumentou ainda mais, com uma discussão envolvendo Rayan Cherki e Deschamps.
Diante desse cenário, o treinador decidiu recusar uma homenagem oferecida pela Federação Francesa após sua despedida da Copa de 2026. Apesar de deixar um legado histórico, com o título mundial de 2018, o vice-campeonato em 2022, a final da Eurocopa de 2016 e a conquista da Liga das Nações de 2021, Deschamps encerrou seu ciclo desgastado.
Agora, a expectativa é pela chegada de Zidane, que tem como principais características o perfil conciliador e a capacidade de administrar grandes estrelas. O ex-camisa 10 da França terá o desafio de recuperar a união do grupo e manter a seleção entre as principais forças do futebol mundial.
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