Roberto Assaf: Flamengo de um tempo só, a um ponto do Palmeiras
O Flamengo venceu o Mirassol por 2 a 0, mas nada fez na etapa final. É preciso jogar bem os dois tempos para ser campeão. Um só não dá
O Flamengo venceu o Mirassol por 2 a 0, com gols de Carrascal e Paquetá no primeiro tempo, e ficou a um ponto do Palmeiras no Brasileirão. Apesar do triunfo, a equipe repetiu a oscilação habitual: dominou a etapa inicial, mas caiu drasticamente de rendimento no segundo tempo por cansaço e desconcentração, sendo pressionada pelo adversário. O técnico Léo Jardim foi criticado pela falta de agressividade e postura decisiva do time, que precisa atuar bem os dois tempos se quiser ser campeão.
O Flamengo venceu o Mirassol por 2 a 0, mas ocorreu o de sempre: dois tempos distintos. No primeiro, futebol razoável e dois gols. No segundo, não viu a cor da bola. Time desconcentrado, Cansaço. Ameça do adversário. Mas é fato que o Rubro-Negro está a um ponto do Palmeiras. Vamos repetir: Léo Jardim ainda não entendeu que o Flamengo não entra em campeonatos para participar, mas para ganhar títulos, o que tira a agressividade da equipe, necessária às decisões. Todo jogo do Brasileiro é decisivo. Tem que vencer.
O Mirassol começou tentando pôr em prática o seu jogo habitual, bem armado taticamente, cauteloso, mas sem abrir mão do ataque. O Flamengo rolava a bola com alguma preguiça, sem forçar, até que aos 14 minutos, em jogada de área, Pedro rolou para Carrascal bater de primeira, sem chance para Walter: 1 a 0.
O time paulista não desistiu da partida, e o Rubro-Negro, como faz eventualmente, aguardando falha da retaguarda para ampliar. Aos 30, Pulgar, contundido, foi substituído por Éverton Araújo. Na mesma marca, Varela, sozinho, chutou em cima do goleiro. Samuel Lino - o futebol é uma benção - tropeçava na bola.
Aos 42, Carrascal cruzou na cabeça de Paquetá, que mandou à esquerda: 2 a 0. Este Mirassol é bem treinado. Mas não é o de 2025. Com um pouco mais de esforço, a equipe carioca enfiava o terceiro e garantia três pontos. Deixou, no entanto, a decisão para a etapa final.
Flamengo mal na etapa final. Mas vence
Mudanças após o intervalo. Alex Muralha na vaga de Walter. Shaylon na de Carlos Eduardo, para tentar maior qualidade nos contra-ataques. E Éverton Araújo, que também saiu machucado, deu lugar a Arrascaeta, mexendo no meio, que retardou Jorginho e Paquetá. É obrigação liquidar de vez. O Flamengo busca o ataque. Mas Samuel Lino, com seu estilo peladeiro, continuava em campo perturbando a paciência dos mortais. Outro problema; a equipe do interior não havia jogado a toalha. Aos 12, Igor Formiga escorou escanteio para fora.
O time do Rio começava a absorver a queda que sempre ocorre no segundo tempo. O erro repetido. Quando consegue chegar, o Flamengo não aproveita, mantendo o adversário vivo na partida. Aos 27, Léo Jardim trocou Carrascal e Pedro por respectivamente Saul e Bruno Henrique. A bola, porém, está nos pés dos paulistas. Aos 34, Fernandinho chutou para fora, com perigo. Há sempre sofrimento. Aos 36, o melhor momento do jogo: Samuel Lino é substituído por Éverton Cebolinha. E reclama. De quê? Deve agradecer aos deuses por jogar no Rubro-Negro. Aos 40, Denílson manda de longe e Rossi põe para escanteio.
Na realidade, o Flamengo está morto. Inexplicável. O jogo entra nos descontos e não está decidido. Mas o Mirassol, também esgotado, não conseguiu reagir. O Flamengo precisa jogar dois tempos para ser campeão. Um só não dá.
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