Jardim: "Se houvesse justiça, seria Flamengo 10 a 1"
Técnico destaca amplo domínio sobre o Corinthians, aponta injustiça em eventual empate e destaca Bruno Henrique, Freitas e Paquetá
O Flamengo venceu o Corinthians por 2 a 1 no Maracanã e retomou a liderança do Brasileirão. Paquetá abriu o placar, Gui Negão empatou para os paulistas, mas Bruno Henrique, após cruzamento do estreante Freitas, garantiu a vitória aos 43 minutos da etapa final. O técnico Leonardo Jardim exaltou o amplo domínio rubro-negro, afirmando que a justiça seria uma goleada por 10 a 1 diante do volume ofensivo criado, e elogiou a força do elenco e a postura decisiva dos reservas que entraram em campo.
Leonardo Jardim foi enfático ao analisar a vitória do Flamengo por 2 a 1 sobre o Corinthians, neste domingo (13), no Maracanã, pela 27ª rodada do Campeonato Brasileiro. Depois de ver o Rubro-Negro dominar grande parte do clássico, mas precisar de um gol de Bruno Henrique aos 43 minutos do segundo tempo para garantir os três pontos, o treinador afirmou que um empate seria injusto diante da diferença de produção entre as equipes.
O Flamengo terminou o primeiro tempo com enorme superioridade, mas sem conseguir abrir o placar. Logo depois do intervalo, porém, Paquetá aproveitou uma sobra após escanteio e fez 1 a 0. Já aos 32 minutos, Gui Negão empatou na primeira finalização certa do Corinthians. Entretanto, quando o 1 a 1 parecia próximo de permanecer, Freitas cruzou e Bruno Henrique marcou de cabeça para garantir a vitória. O resultado devolveu ao Rubro-Negro a liderança do Brasileiro, com 57 pontos.
Jardim, contudo, considerou que o placar ficou muito abaixo da diferença apresentada em campo.
"Era uma injustiça muito grande. Foram 33 finalizações contra três e 10 chutes ao gol contra um. Se houvesse justiça, seria Flamengo 10 a 1. Mas acabou por ser um resultado justo, porque acho que o adversário hoje não merecia outro resultado que não fosse a derrota, apesar de considerar o Corinthians uma grande equipe", afirmou.
Jardim destaca pressão e domínio do Flamengo
Segundo o treinador, a dificuldade do Flamengo esteve justamente em não transformar rapidamente o volume ofensivo em vantagem no placar. Assim, enquanto o jogo permaneceu aberto, o Corinthians continuou com possibilidades de reagir.
"Nós fizemos um primeiro tempo com várias finalizações, enquanto o adversário não teve nenhuma finalização ao gol. Normalmente, o que acontece? Você faz um ou dois gols e o jogo fica resolvido. Porém, quando continua apenas 1 a 0 e o adversário coloca jogadores que estão habituados a jogar, ele melhora", explicou.
De fato, Fernando Diniz modificou a equipe na segunda etapa e colocou nomes como Garro, Breno Bidon, Matheuzinho e Kaio César. Na sequência, o Corinthians conseguiu empatar. Ainda assim, o Flamengo respondeu e encontrou o gol da vitória nos minutos finais.
"Eles melhoraram e tiveram qualidade para fazer o gol. Porém, nós também reagimos e acabamos conseguindo a vitória", acrescentou Jardim.
Além disso, o português destacou que a postura ofensiva não surgiu apenas das circunstâncias da partida. Segundo ele, o comportamento apresentado faz parte daquilo que a equipe trabalha durante a semana.
"Tem a ver com tudo aquilo que os jogadores desenvolvem dentro de campo. Primeiro, com aquilo que trabalham. Nós, da comissão, tentamos dar as melhores condições para que desenvolvam esse trabalho. Depois, existe a ambição de querer ser dominante e pressionante. Essa é a nossa forma de jogar", afirmou.
Por isso, Jardim voltou a dizer que um empate teria sido incompatível com aquilo que viu no Maracanã.
"Se há justiça no futebol, esse foi o resultado. Ficar em 1 a 1 seria uma injustiça muito grande para o futebol jogado. Claro que eu defendo o Flamengo, mas também gosto de ver futebol. Seria uma injustiça enorme se o resultado terminasse empatado", completou.
Jardim vê Bruno Henrique como exemplo para o elenco
Autor do gol da vitória, Bruno Henrique também recebeu atenção especial do treinador. O atacante entrou aos 28 minutos do segundo tempo no lugar de Pedro e, além disso, marcou justamente em seu 200º jogo pelo Flamengo no Maracanã.
Jardim afirmou que já conhecia a importância do jogador desde antes de chegar ao clube e, sobretudo, destacou a postura do camisa 27 mesmo quando não começa entre os titulares.
"Desde 2019 acompanho alguma coisa do Flamengo e sei o que ele fez nesses sete anos. Sei da importância dele como profissional e como artilheiro, mas principalmente daquilo que representa dentro do grupo. É um cara muito humilde e trabalhador", afirmou.
Além disso, Jardim ressaltou que Bruno Henrique coloca os interesses coletivos acima da própria condição na equipe.
"Se é para jogar, joga. Para entrar, entra. Se não for para jogar, não joga, mas está sempre defendendo o Flamengo como objetivo principal. O objetivo dele não é a individualidade, é o Flamengo. Ele é flamenguista 200%", destacou.
Para o treinador, aliás, a longevidade do atacante também está ligada à capacidade de compreender uma nova fase da carreira.
"Existem jogadores que sabem envelhecer. Já trabalhei com vários craques do futebol mundial e alguns não sabem envelhecer porque querem continuar tendo o mesmo protagonismo de quando estavam no máximo das suas qualidades. Outros sabem. Mesmo que já não tenham a mesma velocidade ou energia de alguns anos atrás, continuam oferecendo o melhor para a equipe. O Bruno Henrique é um desses casos", analisou.
Freitas entra e participa diretamente do gol
Outro jogador citado por Jardim foi Joaquín Freitas. Aos 19 anos, o argentino recém-chegado do River Plate entrou aos 40 minutos do segundo tempo e, apenas três minutos depois, cruzou para Bruno Henrique marcar o gol da vitória.
Segundo Jardim, a entrada do jovem estava relacionada à busca por ainda mais presença ofensiva.
"Queríamos ter mais capacidade ofensiva. Tínhamos um jogador de área, como o Bruno Henrique, e colocamos um atacante móvel, que é o Freitas, um jovem que fomos buscar agora. Assim, acabamos tendo mais domínio ofensivo e isso permitiu criar a situação do segundo gol", explicou.
Além disso, o treinador destacou justamente o fato de dois jogadores que começaram no banco terem construído o lance decisivo.
"Fiquei muito satisfeito porque os jogadores que entraram tiveram participação direta. Um fez a assistência e o outro fez a finalização. Isso mostra aquilo que defendo desde o primeiro dia em que cheguei: nós não somos apenas 11", disse.
Em seguida, Jardim ampliou o discurso para a dimensão do clube.
"O manto do Flamengo é muito grande. Vai dos 11 jogadores aos suplentes, aos que estão no estádio, aos que estão nas comunidades e aos que estão no exterior. Nós somos muitos", afirmou.
Paquetá ganha importância na rotação
Paquetá, autor do primeiro gol, também apareceu na coletiva. Jardim ressaltou, sobretudo, a versatilidade do meio-campista e explicou como pretende administrar o elenco diante da sequência intensa de partidas.
"O Paquetá é um jogador de grande qualidade e consegue atuar em mais de uma posição. Isso é extremamente importante para nós, porque, com essa loucura de jogos, não conseguimos ter todos os jogadores sempre disponíveis", explicou.
Por isso, Jardim novamente defendeu a necessidade de utilizar diferentes peças ao longo da temporada. Segundo o treinador, Jorginho chegou ao clássico no limite físico, enquanto outros atletas também vêm sendo preservados em momentos diferentes.
"Hoje, o Jorginho estava no limite. Na última vez em que fez cinco jogos seguidos, teve um problema muscular no sexto. Então, precisamos fazer a gestão. Hoje descansou o Jorginho, na Libertadores descansou o Paquetá, contra o Remo descansou o Erick e, em outro jogo, o Arrascaeta. Vou fazendo essa gestão", afirmou.
Além disso, Jardim já projetou a necessidade de recorrer novamente à profundidade do elenco nos próximos compromissos.
"Ainda bem que tenho jogadores para gerir. Quando não tenho, fica mais difícil. Contra o Bragantino, por exemplo, teremos dois volantes fora, Erick e Paquetá. Portanto, aqueles que têm jogado menos também terão o momento de mostrar presença. É justamente por isso que temos um elenco", concluiu.
Assim, depois de uma partida na qual o Flamengo precisou de 88 minutos para transformar amplo domínio em vitória, Jardim deixou a coletiva reforçando dois pontos: a confiança na forma agressiva de jogar e a importância de um elenco que, mais uma vez, encontrou no banco as peças que participaram diretamente do gol decisivo.
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