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Ex-treinador do Botafogo critica Textor, relembra demissão e revela ameaça à família

Em entrevista, técnico comenta bastidores da saída do clube carioca, admite arrependimento e relata episódios marcantes de sua carreira no futebol

6 mar 2026 - 18h45
(atualizado às 18h45)
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Foto: Wagner Meier/Getty Images / Esporte News Mundo

O técnico Renato Paiva, ex-Botafogo, voltou aos holofotes ao comentar, em entrevista ao quadro Área Técnica, do Globo Esporte, bastidores de sua passagem pelo clube carioca e também episódios marcantes de sua trajetória no futebol.

Sem clube desde que deixou o Alvinegro, o treinador afirmou que pretende voltar a trabalhar em breve, seja no Brasil ou no exterior, e fez revelações sobre conflitos internos, arrependimentos na carreira e até ameaças sofridas por sua família.

Português de nascimento e radicado no Rio de Janeiro após se casar com uma brasileira, Paiva afirmou que não pretende permanecer muito tempo afastado do futebol. Antes de chegar ao Brasil, ele construiu uma longa trajetória nas categorias de base do Benfica, onde trabalhou por quase duas décadas na formação de jovens talentos.

Durante a conversa, o treinador rebateu críticas ao seu estilo de jogo, negando a fama de técnico defensivo, e abriu o jogo sobre episódios vividos em clubes por onde passou. Um dos pontos mais polêmicos foi a relação conturbada com o empresário John Textor, responsável pela SAF do Botafogo.

Segundo Paiva, sua saída do clube não ocorreu por resultados esportivos, mas por divergências internas relacionadas à autonomia no trabalho. Ele afirmou que resistiu a tentativas de interferência na escalação e na condução da equipe.

"Eu fui despedido exatamente porque não traí os meus princípios. Essa pessoa quis interferir constantemente no meu trabalho e eu não deixei. Esse é o verdadeiro motivo do meu despedimento", afirmou.

O treinador citou como exemplo um episódio envolvendo o lateral Cuiabano, que vinha sendo utilizado como ponta e apresentava bom desempenho, com gols e atuações destacadas, quando, segundo o técnico, recebeu orientação para que não o escalasse naquela posição.

"Cuiabano começa a fazer gols, a ser o melhor em campo em vários jogos, e eu recebo um recado de que não posso colocá-lo de ponta porque ele tem que ser vendido como lateral. Então eu pergunto: este senhor está preocupado com o Botafogo?", questionou.

Textor e Renato Paiva durante a apresentação do português no Botafogo
Textor e Renato Paiva durante a apresentação do português no Botafogo
Foto: Vitor Silva/Botafogo / Esporte News Mundo

Demissão após o Mundial

Paiva também relatou detalhes da sua saída do Botafogo, ocorrida logo após a eliminação nas oitavas de final da Copa do Mundo de Clubes diante do Palmeiras, em partida disputada nos Estados Unidos.

De acordo com ele, o processo foi conduzido de forma inesperada. Após a derrota por 1 a 0, o empresário responsável pelo clube teria demonstrado apoio no contato inicial.

"Ele me abraçou e disse: 'keep going coach, keep going'. Jamais me esqueço disso", contou.

No entanto, no dia seguinte, enquanto parte da delegação estava em Nova York durante um período de folga, houve uma reviravolta. A decisão de demiti-lo foi tomada posteriormente e comunicada por dirigentes do clube após o jantar da equipe.

"Ele tem todo o direito de me despedir. O que dói é a forma como as coisas são feitas. Em vez de falar diretamente comigo, mandou outros fazerem isso", afirmou.

Apesar do episódio, o treinador fez questão de destacar o carinho que recebeu das pessoas que trabalham no Botafogo. Segundo ele, o clube foi um dos lugares onde mais se sentiu valorizado no ambiente profissional.

Ele recordou, emocionado, do momento em que retornou ao hotel na manhã seguinte à demissão e foi surpreendido com uma manifestação dos jogadores e funcionários.

"Nunca vou esquecer. Um grupo enorme de pessoas levantou e começou a bater palmas. É algo que vou levar comigo para o resto da vida", disse.

Arrependimento no Bahia e ameaças à família

Paiva também falou sobre a passagem pelo Bahia, onde trabalhou durante o início da gestão da SAF ligada ao Grupo City. No clube baiano, ele permaneceu por nove meses antes de pedir demissão.

Ao relembrar o período, admitiu que se arrependeu da decisão de deixar o cargo, afirmando que gostaria de ter aproveitado melhor o elenco que tinha à disposição.

Segundo ele, o desgaste ocorreu em meio a divergências com o departamento de performance do clube e também por questões pessoais.

"Houve entradas no Instagram da minha filha ameaçando-a, e isso pesa muito. Além disso, havia interferências na preparação física que geraram desconfortos na comissão", revelou.

Passagem curta pelo Fortaleza

Outro ponto abordado foi sua rápida passagem pelo Fortaleza, onde permaneceu apenas 48 dias no cargo. O treinador explicou que foi contratado com a missão de mudar o estilo de jogo da equipe, mas o projeto não teve continuidade.

Em dez partidas, com cerca de 20% de aproveitamento, acabou demitido. Pouco depois, o clube optou por adotar uma abordagem mais defensiva na tentativa de evitar o rebaixamento.

"Disseram que queriam mudar totalmente a forma de jogar e que o meu estilo fazia sentido. Depois, precisavam de algo mais pragmático. Isso diz muito sobre quem contrata", afirmou.

Desafio no Independiente del Valle

Paiva também recordou a experiência no Independiente del Valle, onde conquistou o título do Campeonato Equatoriano de 2021. Segundo ele, o trabalho envolveu mudanças importantes no comportamento do elenco.

Ele revelou que alguns jogadores estavam acima do peso e precisaram ser convencidos a adotar hábitos mais profissionais.

"Tivemos que convencer os jogadores a se pesarem todos os dias e entenderem que o excesso de peso traz lesões e prejudica a carreira", contou.

Esporte News Mundo
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