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Palmeiras

Morto? Basquete "ressuscita" Palestra dentro do Allianz

Fábio Menotti/Ag. Palmeiras / Divulgação
13 fev 2015
08h37
atualizado em 20/7/2015 às 16h20
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O Palestra Itália vive! Dentro do antigo Palestra Itália, mas vive. Se alguns torcedores lamentaram a morte do lendário estádio do Palmeiras após a inauguração do moderno e quase europeu Allianz Parque, mal sabem que ainda é possível vivenciar vestígios da velha casa alviverde na sede do próprio clube.

Ele geralmente passa despercebido por aqueles que vão ao principal ponto da Rua Turiaçú para acompanhar futebol. Mas, hoje, é o que mais se aproxima do saudoso Jardim Suspenso palmeirense: o Ginásio Palestra Itália, que também se modernizou, mas manteve o nome do antigo estádio, é não só a casa do basquetebol do Palmeiras, como também o lugar perfeito para o torcedor palestrino voltar alguns anos no tempo e se sentir nas arquibancadas do seu eterno lar.

E isto ficou mais do que claro na noite desta quinta-feira. O ascendente Palmeiras recebeu o poderoso e atual campeão mundial, Flamengo, em jogo válido pelo segundo turno do Novo Basquete Brasil 7 (NBB 7), e fez uma parte do agora imponente complexo do Allianz Parque pulsar como o antigo Palestra Itália. Era um compromisso de basquete. Mas parecia de futebol.

Ginásio do Palestra Itália tem "aura" da velha casa do time de futebol do Palmeiras
Ginásio do Palestra Itália tem "aura" da velha casa do time de futebol do Palmeiras
Foto: Bruno Landi / Terra

O ginásio é pequenino. A capacidade? Depois da reforma que se encerrou em 2012, diminuiu de 3 mil para 1,5 mil pessoas. Mas não se pode negar: ele tem deixado o palmeirense cada vez mais à vontade.

Há lugares destinados aos torcedores por todas as partes da quadra – laterais e fundos. Nenhum deles, porém, tem mais de seis lances de arquibancadas. E são daquelas de concreto, pra Palestra Itália nenhum botar defeito.

Quem estava lá certamente se sentiu acolhido - obviamente, com exceção dos flamenguistas e dos árbitros. A pressão e o barulho da torcida palmeirense em um simples jogo de basquete foram enormes.

Torcida alviverde pressionou flamenguistas durante toda a partida
Torcida alviverde pressionou flamenguistas durante toda a partida
Foto: Bruno Landi / Terra

Durante a execução do hino nacional, os juízes puderam sentí-los: próximos à linha lateral, tiveram de ouvir todos os tipos de ofensas de alguns fanáticos alviverdes. Não é exagero dizer que os gritos foram pronunciados diretamente nas orelhas dos homens do apito. Uma grade não era capaz de separá-los.

Assim, seguranças tiveram de afastar os exaltados, que foram para uma das arquibancadas. Advinha qual? Para a localizada exatamente atrás do banco de reservas flamenguista. Ofensas aos atletas rubro-negros passaram a se alternar a cânticos que costumam marcar presença em qualquer jogo de futebol do Palmeiras.

De "minha vida é você" a "e o meu time é vencedor", passando pelos tradicionais "olê porco" e "sou torcida que canta e vibra", os fãs alviverdes fizeram do Ginásio do Palestra Itália um verdadeiro caldeirão. O grito que homenageia o centenário palmeirese, por exemplo, fez os pêlos do copo se arrepiarem.

E o detalhe: não havia organizadas. Só no meio do primeiro quarto é que alguns integrantes da Mancha Alviverde chegaram à partida. O grupo reunido atrás do banco de reservas do Flamengo inicialmente estranhou a presença dos uniformizados, mas, depois, os "abraçou".

Juntos, eles até cantaram paródias das populares e infantis "pula fogueira iôiô" e "o senhor tem muitos filhos", para provocar os poucos e descaracterizados rubro-negros presentes ao ginásio e também para incentivar o próprio time, respectivamente.

Torcedores palmeirenses declararam amor ao time aos quatro cantos do Palestra Itália
Torcedores palmeirenses declararam amor ao time aos quatro cantos do Palestra Itália
Foto: Bruno Landi / Terra

E os momentos de tensão – aqueles que brotavam do nada em praticamente cada jogo do velho Palestra? Não se preocupe: eles também deram o ar da graça. Em certo momento, um torcedor flamenguista localizado atrás de uma das tabelas comemorou intensamente uma jogada importante do time carioca. Isto chamou a atenção dos palmeirenses.

"Ei, você de branco: pode esperar, cara, não vai ficar barato”, gritou da lateral da quadra um alviverde, apontando e se referindo ao adversário em plena partida.

Não deu outra: no intervalo, o palmeirense chamou mais três companheiros e foi até a área destinada aos rubro-negros. Não houve agressões físicas e nem grande confusão. Apenas ofensas e provocações - no estilo cara a cara. Mas já foi o suficiente para que os poucos seguranças do ginásio redobrassem a atenção e fizessem uma espécie de escolta ao flamenguista.

Flamenguistas (sentados) foram provocados por palmeirenses (de pé, no corredor)
Flamenguistas (sentados) foram provocados por palmeirenses (de pé, no corredor)
Foto: Bruno Landi / Terra

Este momento de hostilidade, contudo, foi exceção. Crianças, senhoras, jovens, adultos... Havia gente de todas as idades em plena noite de quinta-feira para ver uma partida de basquete. O Flamengo venceu por 89 a 85, decretou apenas a segunda derrota do Palmeiras em casa no NBB 7, mas o time alviverde saiu de quadra mais do que aplaudido.

"Aqui é a nossa casa. Aqui, nós sentimos o calor da torcida, e ela sabe que é onde daremos tudo. Os torcedores do Palmeiras são fenomenais. Não tem palavras. O ginásio parece até um estádio de futebol", disse, extasiado após a partida, o ala-armador argentino e ídolo alviverde, Max Stanic, que, aos 36 anos, já jogou em centros poderosos do basquetebol mundial como Argentina, Itália, França e Espanha.

"O palmeirense ama a sua camisa, independente do nome do jogador, do técnico ou da diretoria. Ele ama o nome que está no peito do uniforme, sabe? O do Palmeiras. Isto é maior do que qualquer coisa”, resumiu.

Max Stanic é um dos ídolos do Palmeiras no basquete
Max Stanic é um dos ídolos do Palmeiras no basquete
Foto: Divulgação

Ah... E a derrota palmeirense certamente não aconteceu porque algum torcedor zicou ao gritar "cesta" antes da hora – como alguns fanáticos alviverdes reclamavam ao ouvir precoces "gols" nos jogos de futebol do antigo Palestra Itália.

Cada arremesso de longa distância fazia com que praticamente todos os torcedores juntassem os dedos indicadores aos polegares e exibissem o "três" a quem quisesse ver. O fato de a bola cair ou não era um mero detalhe.

As 1.247 pessoas que compareceram ao ginásio do Palmeiras nesta quinta-feira, afinal, não foram até lá para ver o time verde e branco vencer a qualquer custo. Ou, se foram, certamente se esqueceram disto ao sentir a aura do Palestra Itália dentro do Allianz Parque.

Você pode não acreditar, mas ele ainda está vivo!

 

Fonte: Terra

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