Ocon volta a citar decepção com Alonso, mas exalta experiência: "Trabalhamos bem juntos"
Francês ressaltou currículo do Príncipe das Astúrias e afirmou que aprendeu muito com bicampeão mundial na Alpine, mas aproveitou para dar uma 'cutucadinha' também: "Espero que ele tenha aprendido algo comigo também, porque se só eu aprendi com ele, isso significaria que ele me venceu por muito — o que não foi o caso"
Em 2021, tudo estava bem com a Alpine e sua dupla de pilotos. Esteban Ocon venceu na Hungria, graças a Fernando Alonso — que conseguiu conter Lewis Hamilton. Mas na temporada de 2022, a relação entre os dois começou a desandar.
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Após abandonar seis vezes no ano — contra 'somente' 2 do companheiro de equipe —, Alonso ironizou. "Para o carro 14, sempre existem problemas de confiabilidade", chegou a dizer. A alfinetada do bicampeão mundial respingou na relação com o francês. A partir daí, um inesperado clima de rivalidade tomou conta da equipe francesa. O ápice disso aconteceu em Interlagos: na corrida sprint, Alonso e Ocon se estranharam logo no início, quando duelavam pela sexta posição. O toque entre eles quebrou a asa dianteira do carro do espanhol, que ironizou a manobra do francês ainda pelo rádio. "Ele me empurrou na curva 4 e depois na reta. Muito bem. Perdi minha asa dianteira. Um muito obrigado ao nosso amigo", apontou.
Ocon esperou a temporada acabar para despejar suas respostas. Disse que ficou decepcionado com os comentários de Alonso, mas que o respeito pela "lenda" não iria mudar. Depois, deu declaração ainda mais contundente — acusando sobrecarga no ano e apontando uma certa falta de envolvimento de Alonso com o trabalho diário na Alpine.
Agora, em entrevista exclusiva ao RacingNews365.com, Ocon voltou a repetir o discurso — mas amenizou o tom, afirmando que tanto ele quanto Alonso se esforçaram ao longo de 2022 e estiveram em sintonia.
"Se eu refletir nestes dois anos, foi ótimo. Tenho muito respeito por Fernando e pelo o que ele fez na Fórmula 1, é uma das lendas do esporte — mas fiquei muito desapontado com o que ele disse no Brasil", falou novamente. "Mas acho que trabalhamos bem juntos e isso é o mais importante. Para o time, tivemos algumas corridas muito boas, e isso nos ajudou a consolidar o quarto lugar (no Mundial de Construtores)", seguiu.
Para além da disputa interna, Ocon admitiu que aprendeu com a experiência de Alonso — dando até exemplos práticos de como foi esse processo de aprendizagem.
"Não tenho o nível de experiência dele, mas como qualquer outro piloto, você aprende muito — especialmente com um novo companheiro de equipe, porque existem diferentes maneiras de trabalhar. Foi interessante trabalhar com um campeão mundial e ver o que ele estava fazendo", afirmou.
"Sua compreensão geral de tudo, de onde ele está em uma corrida após duas ou três paradas… ele sabe contra quem está correndo todo o tempo e está sempre dois pit-stops à frente. Minha primeira corrida de três paradas foi no Bahrein, neste ano, e ainda tenho pouca experiência em provas de duas paradas, mas fiz um monte com um só pit-stop. Estar ciente o tempo e compreender essas corridas é, definitivamente, algo para o qual olhei", completou o francês.
No entanto, Ocon deixou claro que espera que a via de aprendizagem tenha sido de mão dupla — e aproveitou para dar uma 'alfinetadinha', de leve, no agora ex-companheiro de Alpine.
"Espero que ele tenha aprendido algo comigo também, porque se só eu aprendi com ele, isso significaria que ele me venceu por muito — o que não foi o caso. Foi ótimo trabalhar com alguém que aumenta o sarrafo dessa maneira", pontuou.
Ocon, por fim, passou a régua no próprio desempenho na temporada de 2022 da Fórmula 1 e apontou a performance na classificação como sua principal característica. Ao encerramento do ano, Alonso 'venceu' o francês na estatística, mas por pouco: 12 a 10.
"Construir aos poucos o ritmo e a confiança ao longo do fim de semana. Sinto que, uma vez que chegamos ao Q1, Q2 e 23, estou muito confiante. É sempre uma situação risco-recompensa: você pode arriscar cedo, mas como não está muito preparado, corre o risco de não avançar para o Q3. Mas, uma vez lá, precisa apenas deixar a pressão ir embora. Quando isso acontece, sinto que sou forte", finalizou.
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