F-Indy retorna com destaques brasileiros em meio a debandada
Tony Kanaan (Chip Ganassi) e Hélio Castroneves (Penske) surgem como candidatos a vitórias em nova temporada; categoria, porém, encara grid esvaziado após saída de nomes como Dario Franchitti
A temporada 2014 da Fórmula Indy começa nesta sexta-feira, e com novidades que prometem dar mais emoção às corridas. Embora a categoria tenha perdidos nomes importantes nos últimos anos, inclusive no que se refere ao Brasil, o mercado de pilotos ajudou a tornar o grid atual ainda mais competitivo.
A principal baixa é o escocês Dario Franchitti, dono de quatro títulos na categoria – 2007, 2009, 2010 e 2011. Depois de um acidente na segunda corrida de Houston, a penúltima da temporada, que o tirou da prova de Montana, Franchitti decidiu deixar a categoria. Como homenagem, o agora ex-piloto da Chip Ganassi foi anunciado como como o piloto do Pace Car das 500 Milhas de Indianápolis desta temporada – durante a corrida, o britânico vai dirigir um Chevrolet Camaro Z/28 no tradicional oval.
A Indy perdeu com a saída de Franchitti, mas a Chip Ganassi soube procurar uma peça de reposição à altura – e quem se deu bem foi o automobilismo brasileiro. Vencedor das 500 Milhas de Indianápolis em 2013, quando corria com a KV Racing, Tony Kanaan foi o escolhido para correr o com carro número 10 da Ganassi.
“Foi a quarta vez que a gente tentou assinar. Ele (Chip Ganassi, dono da equipe que leva seu nome) sentou e me disse: é a última vez que ofereço. Graças a Deus, deu tudo certo”, disse Tony em evento no Brasil no fim de 2013, anunciando o acerto.
A Ganassi surge como principal candidata ao título da temporada. Além de contratar Tony Kanaan e de manter o atual campeão da categoria, o neozelandês Scott Dixon, ainda voltou a garantir um assento permanente para o australiano Ryan Briscoe, piloto da rival Penske entre 2008 e 2012. O americano Charlie Kimball, que venceu uma etapa na temporada 2013, em Mido-Ohio, completa o forte quarteto do time.
A equipe, porém, terá mais uma vez a forte concorrência dos carros da Penske. Capitaneado pelo australiano Willi Power, três vezes vice-campeão (2010, 2011 e 2012), e por Hélio Castroneves, atual vice-campeão e três vezes vencedor das 500 Milhas de Indianápolis (2001, 2002 e 2009), o time de Roger Penske repatriou um reforço de peso – sem trocadilhos – para a temporada: o colombiano Juan Pablo Montoya, campeão da temporada 1999 da então Cart. Vencedor das 500 Milhas em 2000, Montoya estava fora da categoria desde 2001, quando reforçou a Williams na Fórmula 1.
“A estratégia desse ano será a mesma. O primeiro objetivo é vencer, mas se isso não for possível, o negócio é uma regularidade com alta pontuação para chegar ao final do campeonato com chances de conquista do título. No ano passado fizemos tudo certo, mas ficamos vulneráveis com os problemas surgidos na penúltima rodada”, comentou Castroneves.
Um pouco atrás das duas equipes vem a Andretti, que conta com pilotos de destaque na categoria. Juntos, Marco Andretti, James Hinchcliffe e Ryan Hunter-Reay venceram cinco corridas em 2013 – nenhuma do primeiro, é verdade, mas que terminou o ano em quinto. O colombiano Carlos Muñoz reforça o time, que tem ainda o americano Kurt Busch – campeão da Sprint Cup da Nascar em 2004 – como inscrito para Indianápolis.
Nomes como Takuma Sato (A. J. Foyt), Justin Wilson (Dale Coyne), Mike Conway, Ed Carpenter (que se revezarão em um dos carros da Ed Carpenter Racing), Sebastien Bourdais (KV Racing) e Simon Pagenaud (Schmidt) também começam o ano com potencial. De quebra, o canadense Jacques Villeneuve retorna à categoria para disputar as 500 Milhas pela Schmidt.
Brasil em alta ou em baixa?
Se Tony Kanaan e Hélio Castroneves colocam o Brasil em condições de brigar por bons resultados, o automobilismo brasileiro virou o ano com alguns revezes na categoria. O principal: a ausência no calendário 2014. Sem a corrida em São Paulo, cancelada por falta de acordo com a organização, o País só terá novamente uma corrida em 2015, quando Brasília debutará na lista de corridas.
Além disso, desde 2010, foram sete os pilotos brasileiros que saíram da Indy, tendo corrido as temporadas integral ou parcialmente: Mário Moraes (que correu entre 2008 e 2010), Vitor Meira (2002 a 2011), Raphael Matos (2009 a 2011), Mário Romancini (2010), João Paulo de Oliveira (2011), Bia Figueiredo (2010 a 2013), Rubens Barrichello (2012) e Bruno Junqueira (2001 e 2012).
“Eu acho que a Fórmula Indy não deu o valor que poderia ter dado para um ex-piloto de Fórmula 1 - no caso eu, mas para muitos outros. Falar que você não precisa ganhar nenhum dinheiro é uma coisa; mas ter que levar dinheiro para correr de Fórmula Indy... Era um pouquinho além dos limites básicos que um cidadão pode esperar”, lamentou Rubens Barrichello.
Os brasileiros não serão, entretanto, as únicas baixas na categoria em 2014. Outro nome de destaque é Simona de Silvestro, que deixou a KV Racing para se tornar piloto de desenvolvimento da Sauber na Fórmula 1. Com ela, deixaram a categoria também E. J. Viso (Andretti), James Jakes (Rahal-Letterman) e Tristan Vautier (Schmidt).
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