Betinho Marques: "O Galo é a música silenciosa da alma"
O Galo é, para o seu povo, a decodificação do intangível Amor em tangibilidade de um Abraço de gol
Em reflexão poética, o autor define o Atlético Mineiro como a materialização do próprio amor na vida cotidiana, superando os limites do futebol e dos títulos. Para o torcedor, ser Galo transcende o esporte e se manifesta no afeto familiar, na rotina e na solidariedade, transformando o sentimento abstrato em algo tangível através do abraço de gol e da vivência na arquibancada.
Há dias em que a alma grita em notas musicais… Elas ecoam um Galoooooo esperançoso, elas sonham com o estádio lotado, bandeiras tremulando, sentimento em trânsito… Sempre em movimento. É a vida acontecendo.
Você já percebeu que amor e calor não existem estáticos? Só em trânsito, só passando a energia, nunca no EU, sempre no OUTRO. É como presentear e ser mais feliz do que receber um regalo.
Pois é! O GALO está no jeito de despertar, tomar café, sorrir para o cachorro. Há dias em que pensamos tudo sobre o ser atleticano e, por incrível que pareça, em muitas delas não visualizamos, necessariamente, o campo de jogo ou uma taça.
O Atlético que enxergamos está no hospital diante de uma vitória de remissão de um amigo, está na acolhida sensível de alguém invisível, está na broa de fubá fresquinha com alguém chegando à mesa trajado com uma listrada surrada de tanto usar, com um número 9 às costas. O Atlético está naquele prato maternal, guardadinho no forno da noite, com cheiro de afeto e um "cum Deus, filho" de boa noite.
Ah, Atlético! Tu és a conjugação do nosso calendário, o "espera aí" pra confirmar se poderemos estar ou não naquele evento. Você é o drible mais repetido do Marques no zagueiro dos azuis, mas que sempre dava certo.
O Galo é aquilo que se enxerga no pão, no vinho, na comunicação com Deus e na capacidade de perdão. Lá, no início da infância, acreditávamos que o CAM era só um time de futebol, ledo engano.
Este é o Galo
O GALO é, para o seu povo, a decodificação do intangível AMOR em tangibilidade de um ABRAÇO de gol. O amor nos gasta, mas só ele basta. Só o amor viaja pelas sensações musicais e tem desejos tão controversos de dias de paz vendo o Alvinegro jogar.
O GALO que me faz acordar é aquele que pegou o AMOR, colocou debaixo do braço e falou:
"Todo mundo diz que você é abstrato, que ninguém te pega, que você é o diferentão da existência e que tu ficas se gabando e vagando nos corações alheios, pagando de gatão e entortando paixões. Pois bem! Agora, você vai descer pra terra e vai ser concreto no abraço, terá esperança, SOFRIMENTO e receberá a sua tradução terrena toda vez que alguém evocar quatro letras, é só isso. GALO".
Não mudou muito em caracteres, mas AMOR não dá pra gritar na arquibancada por tanta gente, fica meio sem ritmo. A partir de agora, quando quiser ser mais musical, menos gás nobre e burguesinho, chegue mais aqui e troque a programação:
Só GALO. Obrigado! Amor é lá na sua galáxia, aqui é Galo. A alma quando se cansou de tanto abstrato, deu o recado:
AMOR na arquibancada não rola, não cola. Imagine o Macalé gritando amor na Galoucura. É GALO, tá decodificado.
É calor, é amor, é GALO, sempre em movimento, na alegria ou no tormento, mas, se necessário, até contra o vento. Não é sobre o amanhã, é sobre o AMOR arrepiado, decodificado, transbordado e, enfim, transformado em GALO do fim até o começo.
Galo, som, sol e sal é fundamental
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