Nicosia- O francês Joseph Blatter voltou a negar acusações de suborno relativas à sua eleição para o cargo de presidente da FIFA em 1998, além de confirmar sua intenção de concorrer à reeleição.
``Estamos em ano de eleição e há, digamos, pessoas que gostariam de desestabilizar o atual presidente através da difamação'', afirmou Blatter em entrevista coletiva realizada em Chipre, no sábado, onde ele está visitando diretores de futebol locais.
``Sou realmente um candidato à eleição, com o apoio de mais de 100 associações. Se houver outro candidato, ele tem até 28 de março para anunciar sua candidatura''.
Apesar do atual diretor da UEFA, Lennart Johansson, ter solicitado esta semana um inquérito completo das acusações, Blatter se recusou a fazer qualquer comentário mais aprofundado.
``Não falarei deste assunto'', declarou. ``A respeito do resultado das eleições de 1998, tudo o que eu tinha a dizer já foi dito. Este assunto está encerrado, inclusive por uma corte de Zurique''.
``Agora isso volta à tona neste período específico, depois de quatro anos. Vocês, que são profissionais, deveriam colocar um ponto de interrogação por trás disso'', atacou o presidente.
Blatter havia confirmado anteriormente sua determinação de continuar encabeçando a maior entidade do futebol mundial, em entrevista publicada pelo jornal Tages-Anzeiger, de Zurique, no sábado.
``Parece que meus oponentes não têm um candidato viável para a eleição para presidente da FIFA, em Seul, dia 29 de maio'', comentou ele. ``É por isso que estão fazendo de tudo para me desgastar. Podem estar esperando que eu desista da minha iniciativa''.
``Não tenho pelo que me culpar. O congresso da FIFA deve decidir em Busan (Coréia do Sul) no final de maio quem será o candidato. Realmente não quero subir no ringue de boxe com meus oponentes agora''.
Blatter descreveu as acusações de suborno publicadas pelo jornal britânico Daily Mail na quinta-feira como parte de uma ''campanha de desestabilização e difamação'' contra ele.
Ele diz que as pessoas que estão tentando prejudicá-lo são ''os pobres perdedores das eleições presidenciais do verão de 1998 em Paris'', quando Blatter venceu Johansson para o cargo mais alto da FIFA.
CANDIDATO RIVAL
Apesar de Blatter ainda não ter um rival à sua reeleição, nomeações podem ser apresentadas até 28 de março. Um provável candidato é Issa Hayatou, de Camarões, presidente da Confederação de Futebol Africano (CAF).
Hayatou é um dos 13 membros da executiva da FIFA que solicitou a Blatter sua autorização para uma investigação interna dos assuntos da entidade. A questão está na pauta da reunião do comitê executivo da FIFA que acontecerá na próxima semana.
Blatter admitiu ter ficado furioso quando surgiram as acusações de suborno, após sua vitória em 1998, mas garante que agora está menos preocupado. ``Agora tenho apenas um sorriso simpático para o assunto'', observou.
Em entrevista ao jornal Blick, o diretor da entidade na da África do Sul, Molefi Oliphant, saiu em defesa de Blatter.
``Nós, da África do Sul, votamos em Blatter no momento porque ele apoiava a realização de uma Copa do Mundo em nosso país. Ninguém falou em pagamento algum'', informou. ``E outros diretores africanos nunca mencionaram algo parecido comigo''.
Blatter sofre pesada pressão de sua executiva para ordenar uma auditoria nos livros da FIFA, principalmente depois do fechamento de sua antiga parceira de marketing, a ISL-ISMM, que foi declarada falida por uma corte da Suíça em maio, com mais de $1,2 bilhão em dívidas.
Blatter se recusou a falar sobre o assunto no sábado, em Chipre. ``Não responderei perguntas sobre as acusações de suborno ou finanças'', sussurrou ele para o presidente da Federação de Futebol de Chipre, Costas Koutsokoumnis, numa voz quase inaudível.
Chipre, que votou em Johansson na eleição de 1998, apoiará Blatter este ano. ``Enviamos uma carta de apoio à sua nomeação'', revelou Koutsokoumnis.