Berlim - O zagueiro brasileiro Lúcio precisa melhorar o jeito de comemorar seus gols, mas fora isso, ele tem todos os atributos necessários para brilhar na Copa do Mundo. Se depender da constância em que é convocado pelo treinador da Seleção Brasileira, Luiz Felipe Scolari, ele já pode preparar o passaporte para a Coréia.
``Depois de um gol seu, ele volta correndo para a defesa e só'', entrega seu companheiro de Bayer Leverkusen, Michael Ballack.
Introvertido, o brasileiro de 23 anos está feliz com seu momento, e deixa seu futebol falar por si. ``Sou um pouco tímido de vez em quando, mas, quando estou em campo, sou uma pessoa totalmente diferente.''
O técnico Berti Vogts, do Bayer Leverkusen, vai mais longe. ''Lúcio é um jogador de primeira classe'', disse ele a respeito do brasileiro, que jogou no Internacional-RS antes de se transferir para a Alemanha.
No começo, Lúcio se preocupou com sua adaptação técnica ao futebol alemão, baseado na força. ``Aqui você corre e luta o tempo todo. O talento vem depois disso.''
Não demorou muito para o zagueiro mostrar que também tem talento para o toque de bola e para marcar gols. Seus dois primeiros aconteceram em fevereiro, na goleada por 4 a 1 sobre o Colônia.
``Ele é um grande jogador'', disse na época o técnico Ewald Lienen, do Colônia. ``Como treinador, só tenho que parabenizar o colega que fez uma aquisição tão boa como essa.''
Lúcio também ganhou muitos elogios em outubro, quando voltou de um jogo das Eliminatórias Sul-americanas pela Seleção Brasileira e, em vez de pedir descanso, se colocou à disposição do técnico para jogar na Copa dos Campeões três dias depois.
Lúcio não só jogou como fez um dos gols da vitória por 2 a 1 sobre o Fenerbahce, da Turquia. ``Eu queria mostrar aos torcedores daqui que eu gosto deles.''
Apesar de ter contrato com o Bayer Leverkusen até 2005, é pouco provável que Lúcio fique na Alemanha, uma vez que muitas outras equipes européias, como a Juventus, já têm demonstrado interesse pelo futebol do brasileiro.